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sexta-feira, junho 01, 2018

Falando de escotismo para pais e responsáveis: O que é Sistema de Patrulha?

Olá! Hoje estamos começando aqui no blog uma série de posts explicando para os pais de escoteiros o que exatamente é o escotismo. Eu sei que é um assunto bem específico e não vai alcançar a grande maioria dos nossos seguidores. Mas eu realmente ando sentindo falta de explicar mais a fundo para os pais da minha Tropa Escoteira alguns assuntos e, além daqui ser um excelente local para "ancorar" esses textos, tenho certeza de que muitos pais de escoteiros de outros Grupos também serão beneficiados. Então vamos lá!

O assunto hoje é SISTEMA DE PATRULHA.

Vocês sabem o que é O Sistema de Patrulha? Para explicar melhor, preciso antes dar uns esclarecimentos sobre o que é a Patrulha e como isso funciona.

O Movimento Escoteiro começou com jovens que fundaram suas próprias patrulhas, a partir da
aparição nas bancas do livro “Escotismo para Rapazes”, de Baden-Powell (o fundador do Escotismo). Aquelas primeiras patrulhas se formaram como grupos de amigos que se organizaram para praticar as atividades que B-P propôs nas páginas de seu livro. Hoje em dia, as verdadeiras patrulhas escoteiras seguem como grupos de amigos que se organizam para explorar, acampar, jogar e viver junto às aventuras que o Movimento Escoteiro oferece.

O Sistema de Patrulha é o eixo central do Método Escoteiro. É uma forma de organização e aprendizagem, um pequeno grupo com identidade própria, com objetivo de desfrutar da amizade, apoiar-se mutuamente em seu desenvolvimento pessoal, comprometer-se em torno de um projeto comum e interagir com outros grupos similares.

Trocando em miúdos, sabe aquele grupinho de amigos que os jovens sempre fazem? Pois é, no escotismo é contraproducente trabalhar com vários de uma vez só, por isso os jovens são divididos em grupos menores, que tem sua própria estrutura. Eles elegem um líder (o monitor) e alguém que substituirá esse líder em sua ausência (sub-monitor), assim como outros cargos que serão utilizados durante as atividades normais de sede ou em acampamento (almoxarife, secretário, tesoureiro, cozinheiro, lenhador, socorrista, etc).

Os chefes irão sempre incentivar que os jovens façam suas atividades em conjunto, como especialidade, insígnias e afins. Claro que não é proibido que façam com integrantes de outras patrulhas, mas quando uma patrulha atinge um certo equilíbrio, é natural que eles tenham seus melhores amigos ali dentro mesmo, então a afinidade para as atividades é maior. 

O Sistema de Patrulhas é muito importante porque, entre os 11 e 15 anos (idade dos participantes da Tropa Escoteira), o jovem tem uma grande necessidade de fazer parte de algo, de se reconhecer e ser reconhecido. Quando o jovem faz parte de uma patrulha a sua vida se mistura com as vidas dos demais elementos, eles passam a se importar e preocupar mais uns com os outros. Sua ausência é notada e suas contribuições são valorizadas. E isso tem um grande impacto sobre a autoestima deles. Sem contar que quanto mais pessoas estão ao lado deles, mais fortes eles se sentem e, assim, eles têm menos insegurança, ansiedade e sensação de impotência.

Muito legal, não é? Mas aí você mãe/pai/avó/responsável vai dizer: mas a patrulha do meu filho não é assim não!! Calma que eu vou te explicar. Isso tudo que a gente falou aí em cima é o objetivo, aquilo que a chefia almeja alcançar. E durante o ano a gente vai verificando, testando, mexendo e incentivando. E claro que tudo não é perfeito, afinal eles são apenas jovens adolescentes ou pré-adolescentes, em pleno processo de aprendizado. Então tenha fé e incentive, porque no fim pelo menos algum aprendizado vai se fixar sim.

Eu já falei muito, mas vou dar só mais algumas informações interessantes:

- Uma patrulha é formada com, no máximo 8 jovens;

- Os cargos da patrulha são rotativos: frequentemente eles são incentivados a fazer novas eleições para trocar (ou não, se acham que está funcionando muito bem e gostam do jeito que está);

- Toda patrulha tem um nome, grito e bandeirola. Os nomes das patrulhas do Ramo Escoteiro são escolhidos entre animais, estrelas ou constelações. No Grupo Escoteiro do Mar Almirante Barroso todas as patrulhas da Tropa Escoteira são animais marinhos;

- A patrulha pode ser feminina, masculina ou mista. Atualmente, em nossa Tropa, todas as patrulhas são mistas, o que foi feito a partir de uma mudança pedida pelos próprios jovens, de forma lenta e planejada. E, o que muito me orgulha dizer, está dando muito certo, eles estão amadurecendo muito com a experiência;

- "Ah, chefe! Mas como se acampa com patrulha mista?" Simples! Levamos barracas para meninas e barracas para meninos (até porque nossas patrulhas são grandes, tem que levar duas barracas de qualquer jeito);

Acho que chega, né? Se alguém tiver alguma dúvida ou quiser acrescentar mais alguma informação é só escrever aí na nossa caixa de comentários. E nossos próximos textos serão sobre Atividade de Patrulha e sobre Monitores.

quinta-feira, abril 07, 2016

Post para escotistas - classificação indicativa do filme Mogli


Na última terça eu publiquei um post sobre o filme live action Mogli - O Menino Lobo, com minhas impressões e dicas específicas para escotistas. Mas uma dúvida ainda pairava no ar: apesar da assessoria da Disney ter nos informado que a classificação indicativa é 10 anos, vários cinemas estão colocando a classificação como livre e no site do Ministério da Justiça ainda não tinha nada a respeito.

Então, para facilitar a vida dos escotistas que estão planejando levar suas Alcateias para ver Mogli, eu fui atrás de algo mais concreto: procurei a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, que me confirmou: sim, a classificação indicativa de Mogli é “Não Recomendado para Menores de 10 anos” por conter violência. 


Conversando sobre esse assunto com a chefe Irene Takada, ela me sugeriu que fizesse um post a mais aqui no blog, para que ela pudesse compartilhar com os amigos escoteiros que estão com essa mesma dúvida. Para quem precisar de algo mais oficial, o link para consulta no site é: http://portal.mj.gov.br/ClassificacaoIndicativa/jsps/DadosObraForm.do?select_action=&tbobra_codigo=61265

Bem, mas vamos ao que interessa. Como então fazer para levar os lobinhos para assistir Mogli? De acordo com o Ministério da Justiça, crianças com idade inferior à da classificação etária do filme podem assistir, desde que devidamente autorizados pelos pais ou responsáveis, conforme a Portaria 368/14. 

Art. 7o A classificação indicativa tem natureza pedagógica e informativa capaz de garantir
à pessoa e à família conhecimento prévio para escolher diversões e espetáculos públicos adequados à
formação de seus filhos, tutelados ou curatelados.
Parágrafo único. O poder familiar se exerce pela escolha de conteúdos, com possibilidade
de:
I - bloqueio de acesso a programas ou canais de televisão, quando aplicável;
II - bloqueio de acesso a jogos eletrônicos e aplicativos, quando aplicável; e
III - autorização de acesso a diversões e espetáculos públicos, seja por meio do ingresso a
salas de cinema, compra ou aluguel de vídeos e de jogos para uso doméstico, ainda que a classificação
indique faixa etária superior à da criança ou do adolescente.
Art. 8o A prerrogativa dos pais e responsáveis em autorizar o acesso a obras classificadas
para qualquer idade, exceto não recomendas para menores de dezoito anos, não os desobriga de zelar
pela integridade física, mental e moral de seus filhos, tutelados ou curatelados.

Dito isso então, existem duas opções:

- a primeira é levar os pais com vocês. Assim não é preciso fazer nada especial. 
- a segunda é preparar uma autorização especial, além da autorização que normalmente usamos para atividades externas, gerada pelo SIGUE

Bom filme, curtam bastante e tirem muitas fotos! Depois me contem o que vocês e os lobinhos acharam!

segunda-feira, setembro 29, 2014

Afinal, o que é esse tal de escotismo?

 
Promessa da lobinha Giovana. Arquivo pessoal
 O que fazem os escoteiros? Eles vendem biscoitos como nos filmes? Tenho amigos escoteiros e eles falam muito sobre isso. É algum tipo de seita ou lavagem cerebral? Se eu perguntar algo a eles corro o risco de tentarem me "converter"?

Eu tenho certeza que muitas pessoas já fizeram ou pensaram essas perguntas acima. Afinal, todo mundo que conhece um ou mais escoteiros já viram muitas fotos meio malucas, comentários super empolgados e convites para participar. É natural, pois quem participa de algo que gosta muito quer compartilhar com outras pessoas, pois quer que os outros também "provem" daquela coisa tão boa.

Mas afinal, o que é esse tal de escotismo? Se você perguntar a uma criança ou jovem, dificilmente ela vai conseguir te responder. Provavelmente ela vai te falar um monte de coisas que ela fez e achou muito legal, sem definir exatamente o que você gostaria de ouvir. Isso acontece porque uma coisa é o que o escotismo se propõe a fazer e outra coisa é o que esses jovens conseguem enxergar antes de terem maturidade suficiente para isso.

Baden Powell, fundador do Escotismo
Imagem: divulgação
O Movimento Escoteiro foi criado por um militar da Cavalaria inglesa, Robert Sterphenson Smyth Baden-Powell. Ele havia escrito um livro para militares, que fez tanto sucesso entre os jovens que estava sendo utilizado nas escolas masculinas. Baden-Powell viu nisso uma oportunidade de  ajudar os rapazes da Inglaterra a se desenvolver de forma mais ampla e saudável. Ao desenvolver seu manual de adestramento para jovens, começou a nascer um movimento mundial.

De lá para cá o programa seguido pelo Movimento Escoteiro já foi atualizado várias vezes, porque as gerações que vieram de lá para cá não são as mesmas. Mas as bases continuam as mesmas: trabalhar os deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo. Dessa forma, o ME tem o propósito de contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades.

Mas como? O escotismo tem um método para chegar aos objetivos descritos acima. E esse método é realizado por meio dos seguintes pontos: aceitação da Promessa e da Lei Escoteira, aprender fazendo, vida em equipe, atividades progressivas, atraentes e variadas e desenvolvimento pessoal com orientação individual.

Tropa Escoteira Guarani, do GE Ararigboia, Zona Norte de São Paulo
Arquivo Pessoal
Muito bem, mas o que isso realmente quer dizer? O que tudo isso aí em cima tem a ver com as fotos que você vê de crianças acampando, correndo, pulando ou se pendurando em cordas? Bem, isso tudo aí quer dizer que utilizamos jogos para ensinar e fixar o conteúdo, elas aprendem brincando. Isso quer dizer que incentivamos a vida ao ar livre e o contato com a natureza, incentivamos o envolvimento e a interação com a comunidade de forma lúdica e divertida. Também quer dizer que eles aprendem a ter disciplina e serem responsáveis naturalmente e voluntariamente. Ah, também quer dizer que eles aprendem na prática, desenvolvem sua autonomia e aprendem a importância do compromisso.

Para ser mais clara, vou dar alguns exemplos. O primeiro é um concurso de culinária, onde cada dupla deve criar um sanduíche, um nome para ele e fazer um cartaz com suas propriedades nutricionais, como calorias e etc. O que a criança vê é a diversão de fazer seu próprio sanduíche, a alegria de competir e fazer melhor do que os amigos, a festa de experimentar todos os sanduíches no final. O que os adultos que fizeram a proposta de atividade vêem é a oportunidade de aprender a ceder para chegar a um acordo com o colega sobre o que será feito, a chance de usar a criatividade para escolher os ingredientes, o desenvolvimento da autonomia ao fazer sozinhos os sanduíches, o aprendizado sobre nutrição ao pesquisar o que vai naquele sanduíche. 

Escoteiro Pedro Aloise participando de um concurso de sanduíches
Arquivo Pessoal
O segundo exemplo é um simples jogo de corrida costas a costas. O que a criança vê é o desafio de correr de costas e conseguir chegar primeiro com seu companheiro, a empolgação de ver a sua patrulha ganhar, a delícia de sentir a empolgação que a adrenalina causa em seu corpo depois do jogo. Os adultos olham e vêem o desenvolvimento da coordenação motora, o aprendizado de trabalhar em equipe, a disciplina em acertar o compasso para caminhar ou correr.

Bem, dito tudo isso, vamos a algumas perguntas básicas, meio como um SAC:

- Quero colocar meu filho no Movimento Escoteiro, como faço?

Procure o Grupo Escoteiro mais próximo da sua casa (no site Escoteiros do Brasil tem todos os endereços), telefone e marque uma visita. Faça todas as perguntas que tiver vontade, não se acanhe. Observe o tratamento que os chefes dão às crianças e a vocês. Para que a criança sinta-se confortável é preciso que vocês também se sintam da mesma forma. Caso não gostem ou discordem de alguma coisa, não hesitem em comentar ou até mesmo procurar outro Grupo. Apesar de seguirem todos o mesmo programa, cada Grupo tem suas especificidades e modos de atuar.

- A partir de qual idade meu filho(a) pode ser escoteiro?

A partir de 6,5 anos a criança pode ser lobinho(a). Com 10/11 são escoteiros, com 14/15 são sêniores/guias e com 17/18 são pioneiros. A partir de 21 são escotistas/chefes.

Apesar de não existir oficialmente no programa dos Escoteiros do Brasil, alguns Grupos tem também o Castorismo, para crianças de 4/5 anos até 6,5. Não é tão fácil de encontrar esses Grupos, mas a maior parte está no Estado de São Paulo, alguns desenvolvem esse projeto há mais de 30 anos.

Alice fazendo promessa de castora no Projeto Piloto do GE Ararigboia
Arquivo Pessoal
- Eu sempre quis ser escoteiro, mas não fui quando era criança. Agora estou velho demais?

Não dá para voltar no tempo e aproveitar o Movimento da mesma forma que aproveitaria quando era criança. Mas ser escoteiro depois de adulto também tem suas vantagens e atrações. Entender como funciona, proporcionar a várias crianças a oportunidade de viver este Movimento, fazer amigos nos mais diversos lugares... isso tudo não tem preço! Sem contar as milhares de vezes em que esquecemos nossa idade e nos divertimos como se tivessemos realmente voltado no tempo. Por isso, se você tem mais de 21 anos não deixe de viver essa aventura!

Alguns chefes do Ararigboia se divertindo muito!
Arquivo pessoal
- Gostaria de levar meu filho(a) para conhecer o escotismo, mas não tenho tempo para participar e não quero me envolver muito. Ele pode participar ainda assim?

Para ter um filho no Movimento Escoteiro é preciso ter o mesmo envolvimento que se tem com a escola dele. Você não precisa estar lá durante as atividades (a não ser durante a integração, enquanto ele não tiver um registro escoteiro), não precisa fazer nada que já não faça com outras atividades extras que ele já faz atualmente. Algumas vezes você será chamada, como numa festa de dia das mães (ou pais), o recebimento de uma especialidade ou na promessa. Ou até para ajudar em algum evento especial. Mas isso não será o tempo todo, apenas em ocasiões esporádicas.

- Meu filho(a) vive na frente do videogame, não gosta de mato e não vive sem televisão. Será que ele vai aguentar ser escoteiro?

Muitas vezes as crianças estão na frente do videogame e da televisão por pura falta de outras atividades mais atrativas. Antigamente era muito mais comum brincar na rua com outras crianças, mas hoje em dia é mais perigoso deixá-los sozinhos fora de casa. Ainda assim, dê a uma criança uma bola ou proponha alguma atividade intrigante e...voilá, você terá uma criança interessada. Por isso não deixe de dar a seu filho a oportunidade de conhecer outras formas de se divertir.

terça-feira, outubro 22, 2013

Quanto ganha um chefe escoteiro?


Para responder à pergunta do título, primeiro é preciso saber o que faz um chefe escoteiro (oficialmente chamado de escotista). Entre outras coisas, ele acompanha a progressão pessoal dos jovens de sua tropa, proporciona atividades interessantes e educativas e busca integrar-se com as crianças de forma a que vejam nele a figura de um irmão mais velho.

Dito isso, qual a remuneração de um chefe escoteiro? Monetariamente falando, nada. Este é um trabalho voluntário e vale a pena lembrar que a maior parte deles paga para trabalhar. Mas existem coisas muito mais importantes do que dinheiro e é disso que quero falar nesse post. Não há nada mais satisfatório do que ver uma criança feliz após uma atividade que você programou. Ou receber um elogio deles depois de um dia particularmente espinhoso. O pagamento de um chefe escoteiro está num cumprimento escoteiro que recebe na rua, está na correria das crianças para abraça-lo quando chega na sede. São os parabéns sinceros pelo aniversário, são as ofertas de ajuda, são os comentários dos pais contando das mudanças de comportamento.


Faz quase cinco meses que estou ajudando em dois grupos escoteiros. E posso dizer que ando recebendo pagamento em dobro. Aliás, quando digo que estou em dois grupos posso perceber uma série de reações, desde acharem que sou louca, corajosa ou traidora (pois é). O que posso dizer é que é bem cansativo, exige um bocado de jogo de cintura para equilibrar todas as atividades e me deixa meio doida, mas que vale cada segundo do meu tempo. Não me arrependo de nada e faria tudo novamente, sem pestanejar. Porque doando, fui eu quem mais recebeu.