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segunda-feira, setembro 29, 2014

Afinal, o que é esse tal de escotismo?

 
Promessa da lobinha Giovana. Arquivo pessoal
 O que fazem os escoteiros? Eles vendem biscoitos como nos filmes? Tenho amigos escoteiros e eles falam muito sobre isso. É algum tipo de seita ou lavagem cerebral? Se eu perguntar algo a eles corro o risco de tentarem me "converter"?

Eu tenho certeza que muitas pessoas já fizeram ou pensaram essas perguntas acima. Afinal, todo mundo que conhece um ou mais escoteiros já viram muitas fotos meio malucas, comentários super empolgados e convites para participar. É natural, pois quem participa de algo que gosta muito quer compartilhar com outras pessoas, pois quer que os outros também "provem" daquela coisa tão boa.

Mas afinal, o que é esse tal de escotismo? Se você perguntar a uma criança ou jovem, dificilmente ela vai conseguir te responder. Provavelmente ela vai te falar um monte de coisas que ela fez e achou muito legal, sem definir exatamente o que você gostaria de ouvir. Isso acontece porque uma coisa é o que o escotismo se propõe a fazer e outra coisa é o que esses jovens conseguem enxergar antes de terem maturidade suficiente para isso.

Baden Powell, fundador do Escotismo
Imagem: divulgação
O Movimento Escoteiro foi criado por um militar da Cavalaria inglesa, Robert Sterphenson Smyth Baden-Powell. Ele havia escrito um livro para militares, que fez tanto sucesso entre os jovens que estava sendo utilizado nas escolas masculinas. Baden-Powell viu nisso uma oportunidade de  ajudar os rapazes da Inglaterra a se desenvolver de forma mais ampla e saudável. Ao desenvolver seu manual de adestramento para jovens, começou a nascer um movimento mundial.

De lá para cá o programa seguido pelo Movimento Escoteiro já foi atualizado várias vezes, porque as gerações que vieram de lá para cá não são as mesmas. Mas as bases continuam as mesmas: trabalhar os deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo. Dessa forma, o ME tem o propósito de contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades.

Mas como? O escotismo tem um método para chegar aos objetivos descritos acima. E esse método é realizado por meio dos seguintes pontos: aceitação da Promessa e da Lei Escoteira, aprender fazendo, vida em equipe, atividades progressivas, atraentes e variadas e desenvolvimento pessoal com orientação individual.

Tropa Escoteira Guarani, do GE Ararigboia, Zona Norte de São Paulo
Arquivo Pessoal
Muito bem, mas o que isso realmente quer dizer? O que tudo isso aí em cima tem a ver com as fotos que você vê de crianças acampando, correndo, pulando ou se pendurando em cordas? Bem, isso tudo aí quer dizer que utilizamos jogos para ensinar e fixar o conteúdo, elas aprendem brincando. Isso quer dizer que incentivamos a vida ao ar livre e o contato com a natureza, incentivamos o envolvimento e a interação com a comunidade de forma lúdica e divertida. Também quer dizer que eles aprendem a ter disciplina e serem responsáveis naturalmente e voluntariamente. Ah, também quer dizer que eles aprendem na prática, desenvolvem sua autonomia e aprendem a importância do compromisso.

Para ser mais clara, vou dar alguns exemplos. O primeiro é um concurso de culinária, onde cada dupla deve criar um sanduíche, um nome para ele e fazer um cartaz com suas propriedades nutricionais, como calorias e etc. O que a criança vê é a diversão de fazer seu próprio sanduíche, a alegria de competir e fazer melhor do que os amigos, a festa de experimentar todos os sanduíches no final. O que os adultos que fizeram a proposta de atividade vêem é a oportunidade de aprender a ceder para chegar a um acordo com o colega sobre o que será feito, a chance de usar a criatividade para escolher os ingredientes, o desenvolvimento da autonomia ao fazer sozinhos os sanduíches, o aprendizado sobre nutrição ao pesquisar o que vai naquele sanduíche. 

Escoteiro Pedro Aloise participando de um concurso de sanduíches
Arquivo Pessoal
O segundo exemplo é um simples jogo de corrida costas a costas. O que a criança vê é o desafio de correr de costas e conseguir chegar primeiro com seu companheiro, a empolgação de ver a sua patrulha ganhar, a delícia de sentir a empolgação que a adrenalina causa em seu corpo depois do jogo. Os adultos olham e vêem o desenvolvimento da coordenação motora, o aprendizado de trabalhar em equipe, a disciplina em acertar o compasso para caminhar ou correr.

Bem, dito tudo isso, vamos a algumas perguntas básicas, meio como um SAC:

- Quero colocar meu filho no Movimento Escoteiro, como faço?

Procure o Grupo Escoteiro mais próximo da sua casa (no site Escoteiros do Brasil tem todos os endereços), telefone e marque uma visita. Faça todas as perguntas que tiver vontade, não se acanhe. Observe o tratamento que os chefes dão às crianças e a vocês. Para que a criança sinta-se confortável é preciso que vocês também se sintam da mesma forma. Caso não gostem ou discordem de alguma coisa, não hesitem em comentar ou até mesmo procurar outro Grupo. Apesar de seguirem todos o mesmo programa, cada Grupo tem suas especificidades e modos de atuar.

- A partir de qual idade meu filho(a) pode ser escoteiro?

A partir de 6,5 anos a criança pode ser lobinho(a). Com 10/11 são escoteiros, com 14/15 são sêniores/guias e com 17/18 são pioneiros. A partir de 21 são escotistas/chefes.

Apesar de não existir oficialmente no programa dos Escoteiros do Brasil, alguns Grupos tem também o Castorismo, para crianças de 4/5 anos até 6,5. Não é tão fácil de encontrar esses Grupos, mas a maior parte está no Estado de São Paulo, alguns desenvolvem esse projeto há mais de 30 anos.

Alice fazendo promessa de castora no Projeto Piloto do GE Ararigboia
Arquivo Pessoal
- Eu sempre quis ser escoteiro, mas não fui quando era criança. Agora estou velho demais?

Não dá para voltar no tempo e aproveitar o Movimento da mesma forma que aproveitaria quando era criança. Mas ser escoteiro depois de adulto também tem suas vantagens e atrações. Entender como funciona, proporcionar a várias crianças a oportunidade de viver este Movimento, fazer amigos nos mais diversos lugares... isso tudo não tem preço! Sem contar as milhares de vezes em que esquecemos nossa idade e nos divertimos como se tivessemos realmente voltado no tempo. Por isso, se você tem mais de 21 anos não deixe de viver essa aventura!

Alguns chefes do Ararigboia se divertindo muito!
Arquivo pessoal
- Gostaria de levar meu filho(a) para conhecer o escotismo, mas não tenho tempo para participar e não quero me envolver muito. Ele pode participar ainda assim?

Para ter um filho no Movimento Escoteiro é preciso ter o mesmo envolvimento que se tem com a escola dele. Você não precisa estar lá durante as atividades (a não ser durante a integração, enquanto ele não tiver um registro escoteiro), não precisa fazer nada que já não faça com outras atividades extras que ele já faz atualmente. Algumas vezes você será chamada, como numa festa de dia das mães (ou pais), o recebimento de uma especialidade ou na promessa. Ou até para ajudar em algum evento especial. Mas isso não será o tempo todo, apenas em ocasiões esporádicas.

- Meu filho(a) vive na frente do videogame, não gosta de mato e não vive sem televisão. Será que ele vai aguentar ser escoteiro?

Muitas vezes as crianças estão na frente do videogame e da televisão por pura falta de outras atividades mais atrativas. Antigamente era muito mais comum brincar na rua com outras crianças, mas hoje em dia é mais perigoso deixá-los sozinhos fora de casa. Ainda assim, dê a uma criança uma bola ou proponha alguma atividade intrigante e...voilá, você terá uma criança interessada. Por isso não deixe de dar a seu filho a oportunidade de conhecer outras formas de se divertir.

quarta-feira, março 27, 2013

Coisas que aprendi com a 1a gravidez

*post de minha autoria publicado originalmente no blog Esperando Alice, que precedeu o Entre Fraldas e Livros

De tanto bater papo com outras barrigudas sobre gravidez e afins, descobri um monte de coisas que aprendi com a 1a gravidez e não me incomodam tanto (ou nada) nesta 2a:

- Cesárea ou parto normal? Na gravidez do Vítor eu comprei livros sobre parto normal, fiz exercícios, entrei em listas de discussão, troquei de médico aos oito meses porque o meu era cesarista assumido. No fim das contas, o Vítor se enrolou no cordão e não adiantava nem o Papa vir me dizer que isso não era motivo pra cesárea, porque pra mim era e pronto. E no fim das contas, pra mim não faz diferença por qual buraco ele saiu, eu o amei muito, demais. E o pior: falaram tão mal, mas tão mal de tudo e eu achei tudo tão tranquilo, que agora tenho medo é do parto normal! kkk (o desconhecido sempre assusta, né?)

- A hora do nascimento. Quando chega nas últimas semanas, os sintomas se intensificam: dores, cólicas, contrações de Braxton-Hicks... tudo isso faz a gente achar (quer dizer, TER CERTEZA) que a data provável do parto dada pelo médico está ABSOLUTAMENTE errada. E que o bebê vai vir antes, com certeza. Junte-se a isso o fato de que todo mundo começa a dizer que sua barriga tá baixa (ou alta) demais, a ligar dizendo "eu achava que já tinha nascido" e coisas do tipo. A medida que o tempo vai passando, a gente vai ficando ainda mais e mais ansiosa, um saco! Agora quando falam "tá pertinho", eu já falo logo "tá nada, vai demorar muito ainda". Já me basta a minha ansiedade, não preciso da ansiedade dos outros.

- Estrias. Desta vez não gastei rios de dinheiros com cremes caros contra estrias. Da última vez eu me lambuzava inteira todos os dias, com cremes de marcas caras, específicos pra gravidez ou não. O resultado? Fiquei com a barriga igualzinha a um mapa hidrográfico da bacia amazônica. E não estou exagerando não, é verdade mesmo. Eu até pensei em fazer tratamento (caríssimo), mas fui pesquisar antes e descobri que se eu engravidasse de novo, as mesmas apareceriam novamente. O que significa que o dinheiro iria todo ralo abaixo. Pergunta se dessa vez apareceu alguma estria nova!! Nenhumazinha, só as minhas "velhas" amigas mesmo! kkkk

- Peso e alimentação. Parece um pouco com a cantilena do parto normal. Se a gente fizer uma lista das coisas que grávida não pode comer, todas morreriam de inanição. Tudo bem, vamos colocar os pingos nos is: quando comemos uma coisa, nosso corpo se encarrega de "pegar" todos os nutrientes e distribuir "por aí", por meio do sangue. Aquilo que não presta é eliminado, pela urina e pelas fezes. O que é levado para o bebê é o sangue, não o que comemos. Então vamos esquecer aquela história de que tomar café ou coca-cola é a mesma coisa que colocar na mamadeira e dar pro bebê, porque não é.

Devemos evitar? Sim, devemos. Porque cafeína demais faz mal pra gente, quanto mais para o bebê. Assim como devemos evitar outras mil coisas, principalmente o álcool. Mas acredite, tomar uma lata de refrigerante não vai fazer seu bebê nascer diferente do que nasceria se você não tomasse. Em tudo no mundo a gente precisa ter meio termo, não precisamos exagerar, não é?

E o massacre sobre engordar demais? Estou realmente começando a achar que os médicos gordos que não conseguem emagrecer descontam toda a sua frustração na pobre grávida indefesa. Conheço pessoas que engordaram 20, 25, 30 kg na gravidez e todas estão muito bem, obrigada. É saudável? Provavelmente não, mesmo que não estivessem grávidas. Mas alguém acha que o terrorismo que alguns médicos fazem vai realmente mudar alguma coisa? Uma amiga de twitter contou que o dela chegou a dizer que iria fazer uma incisão vertical na barriga dela, já que ela não estava ligando mesmo pro peso. Detalhe: ela engordou 9 kg!!! Não seria muito mais razoável dizer a elas pra procurar uma nutricionista, que orientaria muito melhor, sem terrorismos inúteis?

Só pra constar: desta vez acompanhei toda a gravidez com uma nutricionista, que me orientou o tempo todo, inclusive nas minhas escapulidas. Até agora engordei 12 kg e tô muito feliz com isso. É muito? É pouco? Não tenho idéia, deixo essa preocupação pra ela! kkk

- Conselhos x palpiteiras de plantão. "Se conselho fosse bom, ninguém dava: vendia" Não concordo com isso. Ouvi muito os conselhos legais das minhas amigas que já tinham passado por isso e ainda ouço, adoro! Pra que cometer um erro se eu posso aprender com a experiência do outro? Acontece que conselho é muito diferente de palpite. E que é muito diferente de comentário. Coisas do tipo, "você está imeeeensa", "tem certeza de que é um só?", "como foi que isto aconteceu??" (fui mãe solteira da primeira vez) e "cadê o pai?" não acrescentam nada à sua vida e ainda te deixam mais irritada. O que aprendi: a deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro. Confesso que de vez em quando ainda deixo o sangue subir, mas na maior parte das vezes só desabafo no twitter e não desconto na pessoa (embora algumas mereçam). Isso também vale

- Mitos. Nem caio mais nessas. Quando gosto muito da pessoa, esclareço com calma. Quando vejo que não tem futuro, nem ligo. Coisas do tipo: "azia é sinal de bebê cabeludo" (quase morri de azia e o Vítor só foi ter cabelo aos 2 anos), "barriga pontuda é sinal de menino, espalhada é sinal de menina" e "beber água gelada dá pneumonia no bebê". Já até desenvolvi um olhar bem atento e um balançar de cabeça, pra usar enquanto finjo que estou interessada e minha mente vagueia por outras coisas mais importantes.

Bem, por fim, digo que aprendi uma coisa: não existe verdade absoluta. Tudo o que eu disse aí em cima é o que EU acho. Não quer dizer que eu não tenha amizade com pessoas que pensem totalmente diferente de mim. Algumas são MUITO amigas mesmo, porque temos uma coisa em comum: respeito à opinião alheia. Eu acho uma coisa e não tento impor, a pessoa acha outra coisa e não tenta me impor. Pronto, tudo fica bem.