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sábado, fevereiro 05, 2011

Diga não ao Bullying Materno


Eu não ia mais falar sobre isso. Mas depois de ler o texto maravilhoso que a Ligiane Castro fez lá no blog dela, eu não aguentei e resolvi falar também sobre o que estou chamando de "Bullying Materno". Sim, muitas daquelas mesmas mães que se orgulham em ostentar selinhos ou participar de campanhas contra o bullying, fazem exatamente isso contra outras mães. É uma mania de achar que só existe UM jeito certo de educar uma criança, todos os outros não só são errados, como são abomináveis. E claro, por causa disse vale tudo, inclusive chamar alguém de "mãe de merda".

As mães passam por tanta coisa na vida! Nem preciso dizer mais nada: quem é mãe sabe a dor e a delícia que é ser o que somos. Então, por passarmos por tudo isso, deveriamos ser as primeiras a ter um olhar compreensivo para outra mãe. Mesmo que essa mãe utilize um método diferente do nosso. Mesmo que não concordemos com o que essa mãe faça. Ao invés disso, algumas não perdem um segundo em jogar várias pedras no que é diferente.

Quem nos deu autoridade para dizer qual é o modo certo de criar um filho? Porque temos um, dois, três ou vinte filhos, de repente viramos experts máximas e oniscientes nesse assunto? A ponto de nos vermos com o direito de apontar o dedo para outra mãe e acusá-la sumariamente? Se uma mãe dá ou não palmadas no filho, amamenta ou não seu filho, fez cesárea ou parto normal, trabalha fora ou não, tem babá ou não, mora em casa ou apartamento, na cidade ou no interior... tudo isso diz respeito apenas a ela e à família dela! Me pergunto porque as pessoas se acham no direito de se considerarem mães melhores apenas porque fazem as coisas de um modo diferente. É apenas um MODO DIFERENTE! E as vezes acho que esqueceram de me dar na maternidade o livrinho com as únicas regras válidas para o jogo!

Fico pensando como serão essas crianças, filhas dessas mães incapazes de aceitar o diferente. Como será quando elas começarem a absorver esses comportamentos intolerantes. Será que, no futuro, serão aqueles que vão tocar fogo no índio que está dormindo na parada do ônibus? Será que serão aqueles que espancam mendigos ou surram quem tem o cabelo roxo? Ou "apenas" praticarão bullying contra os coleguinhas da escola apenas porque eles são gordos, baixos, altos, negros, judeus, católicos, protestantes, espíritas e etc? Se continuarmos por esse caminho, em breve seremos abordados nas pracinhas, por crianças que mal sairam das fraldas, querendo nos ensinar como devemos educar os nossos filhos! Porque nós estamos dando este exemplos a eles!

Talvez seja a hora de lançar uma campanha do tipo: "Não ao bullying materno! O diferente não é necessariamente o errado." Porque eu me recuso a acreditar que a maioria dessas mães faça isso de forma consciente. Eu me recuso a acreditar que elas pensem: vou ali achincalhar um bocadinho aquela outra mãe. Eu acredito que falta apenas um pouco de incentivo, para que elas pensem um pouquinho antes de apontar o dedo para a outro. Eu acredito que seja preciso apenas um instante de reflexão para que elas parem e se coloquem no lugar da outra. Não é preciso que ninguém mude de idéia sobre uma coisa tão importante, como a educação de um filho. É preciso, urgentemente, que pratiquemos o respeito ao próximo, às suas escolhas.

Todas nós temos direito de escolha. Todas nós buscamos o melhor para nossos filhos. E pensando nisso, gostaria que todas nós dedicassemos um pouquinho do nosso dia para pensar sinceramente em duas coisas:

1 - Será que estou respeitando o direito de escolha das outras mães?

2 - Qual o exemplo de tolerância que estou dando ou vou dar ao meu filho, com minhas atitudes?

E vamos dizer NÃO Bullying Materno! Porque o diferente não é necessariamente o errado!