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quarta-feira, novembro 12, 2014

As mães e o eterno dilema "limpeza x aprendizado"


Como mãe eu sei o quanto é difícil a gente deixar que uma criança se suje. Na nossa cabeça passa primeiro todo o processo da limpeza, tanto da criança quanto da roupa e do local. Depois é que a gente respira e consegue pensar nos benefícios. Claro, quando eu digo "a gente", não me refiro a todo mundo. Já ouvi relatos de mães que botaram os filhos de castigo porque chegaram em casa com o uniforme sujo. Já vi mãe reclamando em escola porque o filho jogou futebol no recreio e chegou em casa com as meias sujas. Já vi muita mãe proibir a criança de entrar numa brincadeira com outras porque ia se sujar. Já vi até uma mãe dar um escândalo no parquinho porque a criança estava cavando na areia. E essa mãe correu com o álcool gel para limpar a pobre criança.


Eles estavam entendiados na festa de casamento. Então perguntaram se podiam rolar no "morrinho"
As risadas deles eram tão altas que a família toda riu junto
Acredito que todos vocês já tenham visto em um monte de lugares os benefícios de deixar uma criança se sujar e eu, como não-especialista e mãe/chefe escoteira, estou aqui simplesmente pitacando, com a minha experiência, do que eu vejo com meus filhos e com os escoteiros. Do tanto que eles se libertam, sorriem, criam e se divertem quando são liberados para brincar sem as restrições da sujeira.
Ai de mim se não coloco uma lamazinha nos acampamentos escoteiros...rs
Como eu falei lá em cima, eu sei exatamente o que passa em nossa cabeça quando nossa boca começa a abrir para dizer "não". Mas também descobri que os benefícios compensam imensamente o trabalho. As roupas podem ser lavadas (nem que seja com água quente...rs), as crianças e os locais também. E se em algum caso específico não dê realmente, que tal dar uma chance ao aprendizado e tentar achar uma alternativa antes do "não"? Um avental, uma troca de local, uma roupa velha que está no porta malas do carro... E no caso dos uniformes, eles não foram feitos justamente para proteger as roupas do dia a dia? Deixemos nossos filhos serem felizes! Tente se livrar do "o que os outros vão pensar" e pensar na alegria dos seus filhos. Isso é o que realmente importa!

P.S.: Antes que vocês fiquem muito horrorizados com as fotos do acampamento em que as crianças rolaram na lama, acho bom explicar que as mães já mandam roupas bem velhas para essas atividades, avisamos antes...hehehe

segunda-feira, setembro 29, 2014

Afinal, o que é esse tal de escotismo?

 
Promessa da lobinha Giovana. Arquivo pessoal
 O que fazem os escoteiros? Eles vendem biscoitos como nos filmes? Tenho amigos escoteiros e eles falam muito sobre isso. É algum tipo de seita ou lavagem cerebral? Se eu perguntar algo a eles corro o risco de tentarem me "converter"?

Eu tenho certeza que muitas pessoas já fizeram ou pensaram essas perguntas acima. Afinal, todo mundo que conhece um ou mais escoteiros já viram muitas fotos meio malucas, comentários super empolgados e convites para participar. É natural, pois quem participa de algo que gosta muito quer compartilhar com outras pessoas, pois quer que os outros também "provem" daquela coisa tão boa.

Mas afinal, o que é esse tal de escotismo? Se você perguntar a uma criança ou jovem, dificilmente ela vai conseguir te responder. Provavelmente ela vai te falar um monte de coisas que ela fez e achou muito legal, sem definir exatamente o que você gostaria de ouvir. Isso acontece porque uma coisa é o que o escotismo se propõe a fazer e outra coisa é o que esses jovens conseguem enxergar antes de terem maturidade suficiente para isso.

Baden Powell, fundador do Escotismo
Imagem: divulgação
O Movimento Escoteiro foi criado por um militar da Cavalaria inglesa, Robert Sterphenson Smyth Baden-Powell. Ele havia escrito um livro para militares, que fez tanto sucesso entre os jovens que estava sendo utilizado nas escolas masculinas. Baden-Powell viu nisso uma oportunidade de  ajudar os rapazes da Inglaterra a se desenvolver de forma mais ampla e saudável. Ao desenvolver seu manual de adestramento para jovens, começou a nascer um movimento mundial.

De lá para cá o programa seguido pelo Movimento Escoteiro já foi atualizado várias vezes, porque as gerações que vieram de lá para cá não são as mesmas. Mas as bases continuam as mesmas: trabalhar os deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo. Dessa forma, o ME tem o propósito de contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades.

Mas como? O escotismo tem um método para chegar aos objetivos descritos acima. E esse método é realizado por meio dos seguintes pontos: aceitação da Promessa e da Lei Escoteira, aprender fazendo, vida em equipe, atividades progressivas, atraentes e variadas e desenvolvimento pessoal com orientação individual.

Tropa Escoteira Guarani, do GE Ararigboia, Zona Norte de São Paulo
Arquivo Pessoal
Muito bem, mas o que isso realmente quer dizer? O que tudo isso aí em cima tem a ver com as fotos que você vê de crianças acampando, correndo, pulando ou se pendurando em cordas? Bem, isso tudo aí quer dizer que utilizamos jogos para ensinar e fixar o conteúdo, elas aprendem brincando. Isso quer dizer que incentivamos a vida ao ar livre e o contato com a natureza, incentivamos o envolvimento e a interação com a comunidade de forma lúdica e divertida. Também quer dizer que eles aprendem a ter disciplina e serem responsáveis naturalmente e voluntariamente. Ah, também quer dizer que eles aprendem na prática, desenvolvem sua autonomia e aprendem a importância do compromisso.

Para ser mais clara, vou dar alguns exemplos. O primeiro é um concurso de culinária, onde cada dupla deve criar um sanduíche, um nome para ele e fazer um cartaz com suas propriedades nutricionais, como calorias e etc. O que a criança vê é a diversão de fazer seu próprio sanduíche, a alegria de competir e fazer melhor do que os amigos, a festa de experimentar todos os sanduíches no final. O que os adultos que fizeram a proposta de atividade vêem é a oportunidade de aprender a ceder para chegar a um acordo com o colega sobre o que será feito, a chance de usar a criatividade para escolher os ingredientes, o desenvolvimento da autonomia ao fazer sozinhos os sanduíches, o aprendizado sobre nutrição ao pesquisar o que vai naquele sanduíche. 

Escoteiro Pedro Aloise participando de um concurso de sanduíches
Arquivo Pessoal
O segundo exemplo é um simples jogo de corrida costas a costas. O que a criança vê é o desafio de correr de costas e conseguir chegar primeiro com seu companheiro, a empolgação de ver a sua patrulha ganhar, a delícia de sentir a empolgação que a adrenalina causa em seu corpo depois do jogo. Os adultos olham e vêem o desenvolvimento da coordenação motora, o aprendizado de trabalhar em equipe, a disciplina em acertar o compasso para caminhar ou correr.

Bem, dito tudo isso, vamos a algumas perguntas básicas, meio como um SAC:

- Quero colocar meu filho no Movimento Escoteiro, como faço?

Procure o Grupo Escoteiro mais próximo da sua casa (no site Escoteiros do Brasil tem todos os endereços), telefone e marque uma visita. Faça todas as perguntas que tiver vontade, não se acanhe. Observe o tratamento que os chefes dão às crianças e a vocês. Para que a criança sinta-se confortável é preciso que vocês também se sintam da mesma forma. Caso não gostem ou discordem de alguma coisa, não hesitem em comentar ou até mesmo procurar outro Grupo. Apesar de seguirem todos o mesmo programa, cada Grupo tem suas especificidades e modos de atuar.

- A partir de qual idade meu filho(a) pode ser escoteiro?

A partir de 6,5 anos a criança pode ser lobinho(a). Com 10/11 são escoteiros, com 14/15 são sêniores/guias e com 17/18 são pioneiros. A partir de 21 são escotistas/chefes.

Apesar de não existir oficialmente no programa dos Escoteiros do Brasil, alguns Grupos tem também o Castorismo, para crianças de 4/5 anos até 6,5. Não é tão fácil de encontrar esses Grupos, mas a maior parte está no Estado de São Paulo, alguns desenvolvem esse projeto há mais de 30 anos.

Alice fazendo promessa de castora no Projeto Piloto do GE Ararigboia
Arquivo Pessoal
- Eu sempre quis ser escoteiro, mas não fui quando era criança. Agora estou velho demais?

Não dá para voltar no tempo e aproveitar o Movimento da mesma forma que aproveitaria quando era criança. Mas ser escoteiro depois de adulto também tem suas vantagens e atrações. Entender como funciona, proporcionar a várias crianças a oportunidade de viver este Movimento, fazer amigos nos mais diversos lugares... isso tudo não tem preço! Sem contar as milhares de vezes em que esquecemos nossa idade e nos divertimos como se tivessemos realmente voltado no tempo. Por isso, se você tem mais de 21 anos não deixe de viver essa aventura!

Alguns chefes do Ararigboia se divertindo muito!
Arquivo pessoal
- Gostaria de levar meu filho(a) para conhecer o escotismo, mas não tenho tempo para participar e não quero me envolver muito. Ele pode participar ainda assim?

Para ter um filho no Movimento Escoteiro é preciso ter o mesmo envolvimento que se tem com a escola dele. Você não precisa estar lá durante as atividades (a não ser durante a integração, enquanto ele não tiver um registro escoteiro), não precisa fazer nada que já não faça com outras atividades extras que ele já faz atualmente. Algumas vezes você será chamada, como numa festa de dia das mães (ou pais), o recebimento de uma especialidade ou na promessa. Ou até para ajudar em algum evento especial. Mas isso não será o tempo todo, apenas em ocasiões esporádicas.

- Meu filho(a) vive na frente do videogame, não gosta de mato e não vive sem televisão. Será que ele vai aguentar ser escoteiro?

Muitas vezes as crianças estão na frente do videogame e da televisão por pura falta de outras atividades mais atrativas. Antigamente era muito mais comum brincar na rua com outras crianças, mas hoje em dia é mais perigoso deixá-los sozinhos fora de casa. Ainda assim, dê a uma criança uma bola ou proponha alguma atividade intrigante e...voilá, você terá uma criança interessada. Por isso não deixe de dar a seu filho a oportunidade de conhecer outras formas de se divertir.

quinta-feira, agosto 21, 2014

Será que não estamos boicotando o aprendizado de nossos filhos?

Imagem: Dreamstime

A gente sempre ouve dizer que criamos filhos para o mundo. Mas o quanto realmente temos consciência disso? E o quanto realmente fazemos as coisas nesse sentindo, ou seja, o quanto preparamos e realmente criamos nossos filhos para enfrentar o mundo?

Eu sempre achei que estava fazendo o melhor para que eles soubessem se virar sozinhos. Até que um dia me dei conta de que estava sabotando o aprendizado deles com a minha impaciência e minha mania de perfeição. E quantas de nós não fazemos o mesmo? Não deixamos que eles guardem as roupas porque não ficam bem dobradas. Não deixamos que eles coloquem os pratos na pia porque não seguem a ordem que fazemos dentro da pia. Não deixamos que eles arrumem o quarto porque demoram demais e estamos com pressa.

Até com os maridos a gente faz isso! Quantas vezes não vi amigas minhas reclamarem que os maridos não ajudam em casa, mas no decorrer da conversa percebemos que muitas vezes, quando eles tentam ajudar, são boicotados por elas que acham que eles não fazem as coisas do jeito certo. É a velha história de querer ser a rainha do lar, no pior sentido possível.

Deixar que nossos filhos aprendam em seu próprio ritmo e com seus próprios erros não é uma tarefa fácil. Mas prefiro encarar que é um aprendizado para eles e outro para mim. O Vítor tirou especialidade de costura no Escotismo e agora cismou que ele mesmo irá costurar os distintivos em seu uniforme. E se formos pensar direito, ele está coberto de razão. Na primeira tentativa ele conseguiu quebrar a agulha e meu primeiro impulso foi dar uma enrolada nele e eu mesma costurar tudo, como sempre fiz (não que eu seja muito boa nisso também). Mas parei e pensei: como ele vai aprender se eu ficar boicotando o aprendizado dele? Os erros são uma parte importante desse processo, é preciso respirar fundo e ter paciência. Desta vez eu consegui fazer isso, fui na mercearia ao lado da casa e comprei outras 10 agulhas, para que ele tenha mais opções da próxima vez...

Claro que é preciso ter sempre em vista os riscos e respeitar que crianças de diferentes faixas etárias têm diferentes graus de aprendizado. E se ela pode se machucar aí não dá para deixar mesmo. Mas, no caso da costura, por exemplo, o máximo que pode acontecer é ele espetar o dedo algumas vezes, isso não mata ninguém. Em outros casos, como cozinhar, uma supervisão (sem muitas interferências) resolve. E os resultados serão muito importantes, mesmo que só mostrem suas caras lá no futuro.

Ah! Outra coisa que considero super importante é quebrar com os velhos tabus: meninas aprendem tarefas domésticas, mas meninos não. Os maridos de hoje, que não sabem como ajudar em casa, foram criados sob esses tabus, é realmente isso que queremos perpetuar? Alice ainda é pequena e o aprendizado dela ainda está no começo, mas farei o possível para que seja feito da mesma forma do irmão, que com 8 anos já sabe cozinhar alguns pratos simples, lavar suas cuecas e arrumar seu quarto (tá, essa parte ainda precisa de um aperfeiçoamento, mas não foi por falta da mãe ensinar). Espero que minha futura nora me agradeça um dia.

E você, como tem lidado com isso?

*post publicado originalmente no extinto blog Mulher e Mãe, em agosto de 2012

sexta-feira, maio 09, 2014

Como incentivar nossos filhos a fazer atividades físicas?

Gustavo Borges, Scheila Castro e Elaine Rocha de Pádua
Faz tempo que algo me incomoda: a quantidade de crianças que tenho visto por aí que estão obesas e sem preparo físico. Quando eu era criança o horário contrário da escola era gasto com muita correria com outras crianças embaixo do prédio, eu sempre voltava para casa imunda, suada e cansada. Os tempos mudaram e nem sempre é seguro deixar nossos filhos na rua sem a nossa supervisão. Aqui em casa, por exemplo, é fora de cogitação brincar na rua, uma avenida super movimentada e com calçadas fajutas e minúsculas. Além disso, nem sempre temos disponibilidade, dinheiro (ou os dois) para colocá-los em uma atividade física extra. E vamos combinar que aulas de educação física são uma vergonha, nem dá para contar como exercício.

Bem, não dá para nos mudarmos todos para o interior e nem pararmos todos de trabalhar para ficar em casa com as crianças. Então, o que fazer? A resposta me foi dada durante um evento para o qual fui convidada, onde o assunto seria "A importância do café da manhã e atividades físicas para crianças,", promovido pela Nescau. Com a presença da hebiatra Dra. Lígia Reato, da nutricionista Elaine Rocha de Pádua, do especialista em medicina esportiva Dr. Victor Matsudo, e dos esportistas Gustavo Borges e Sheilla Castro.

No debate aprendi que a primeira coisa a se pensar é como está sendo o meu exemplo como mãe/pai? Não dá para cobrar que nossos filhos sejam fisicamente ativos se nós estamos sendo super sedentários, não é? Uma criança inativa tem 90% de chance de se tornar um adulto sedentário. Em compensação, uma criança cuja mãe é ativa tem o dobro de chance de também ser ativa. Um pai ativo aumenta essa chance para 3,5 vezes. Com pai e mãe ativos essa chance sobe para 5,6 vezes.

Falta de tempo todos nós tempos, mas para conseguir os 60 minutos diários de atividade física que são recomendados para que uma criança seja saudável é preciso ter criatividade e força de vontade. Não estou dizendo que seja fácil, com certeza sei que não é. Basta olhar para mim e ver! Perder os 27 quilos extras que estavam no meu corpo não foi (e não está sendo) moleza. Mas saber que 14 quilos já foram, olhar no espelho e ver a diferença, me sentir mais disposta e menos doente... isso paga qualquer preço! Não é preciso fazer academia, pode ser caminhada, jogar bola, passear com o cachorro. Tudo isso movimenta o corpo e manda o sedentarismo para longe de nossas crianças (e de nós também). Mais importante do que tudo é casar a vontade da criança com a viabilidade que temos.

Mas ainda restava outra dúvida para mim: e quando a criança diz que não gosta de nada e não quer nem mesmo tentar (ou tentou e logo desistiu)? O debate também me ajudou a esclarecer este ponto. De acordo com os especialistas, é importante ter persistência. Crianças costumam dizer que não gostam de algo, mas isso pode mudar em 2 ou 3 meses, o que não acontece com o adulto. E como o gosto pela prática esportiva é desenvolvido em sua grande parte na infância, se não persistirmos há grande chance de estarmos criando um futuro adulto obeso e sedentário.

Outra coisa importante a ser observada é que os benefícios da atividade física vão ainda além de questões como a manutenção de um peso adequado ou a colaboração para um crescimento adequado. O especialista em medicina esportiva Dr. Victor Matsudo ressalta que os estudos mostram vários mecanismos possíveis pelos quais a atividade física regular pode contribuir para um melhor: o desempenho acadêmico, incluindo habilidades de concentração e comportamento em sala de aula. A convivência em esportes coletivos, por exemplo, exercita ainda aspectos relacionados à cooperação, convivência, participação e inclusão.

Por isso, vamos colocar nossas crianças para se exercitar!!

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Como lidar com as intermináveis brigas entre irmãos? Parte I

A foto ficou meiga, mas eles também brigam feito cão e gato.
Se tem uma coisa que as mães que têm mais de um filho já sabem é: eles brigam. Não, acho que não me expressei corretamente: eles brigam MUITO. Juro que por aqui tem hora que dá vontade de sair de casa e largar os dois brigando sozinhos. O que me consola (além do fato de que eles também brincam juntos e se dão bem) é que eu sei que não é só aqui em casa que isso acontece e saber que isso é natural. E o que me motiva a procurar novas maneiras de lidar com isso é saber que a forma com que os pais lidam com esses embates pode influenciar um monte de coisas no futuro, desde a forma como eles se relacionarão entre eles até a forma com que lidarão com conflitos em geral, na vida lá fora. Não estou dizendo que é fácil, nada disso! Só estou dizendo que consola um pouco...rs

Conversando com outras mães que passam pelos mesmos problemas que eu, resolvi fazer um compilado de dicas aqui no blog. Algumas coisas eu aprendi na prática mesmo, mais ou menos como um dos lemas do escotismo (aprender fazendo). Outras eu peguei em livros que comprei sobre o assunto e que consulto sempre para tentar facilitar as coisas para o meu lado. Como eu achei muito material interessante sobre o assunto (mais a minha experiência), vou fazer dois posts, para não ficar muito grande e ninguém desistir de ler. No final vou colocar o nome dos livros que eu consultei, pois sei que tem sempre gente querendo ler também. Vamos lá:

- No reino animal os filhotes brincam de brigar. É assim que eles aprendem a sobreviver às hostilidades do mundo adulto. Então tente ter em mente que isso é uma escola para todos (por mais enlouquecedor que possa ser). E não se engane, o relacionamento entre amigos não dá a mesma preparação. Se você não quiser resolver um problema com um amigo você pode simplesmente resolver não vê-lo mais. Com irmãos isso não é possível, então é preciso achar uma solução.

- Não dá para ter as mesmas expectativas para todos os filhos, nem gêmeos idênticos são totalmente iguais. Então tente resistir à tentação de usar um "programa" único para todos.

- Para ter uma briga é preciso dois (ou mais), não dá para separar bonzinhos de maus. Durante algum tempo eu tentei ser "juíza", ver quem estava com a razão, mas no fim desisti. Em alguns casos digo que se eles não se resolverem vou acabar com a brincadeira e pronto.

- Ao invés de tentar resolver o problema, tente "jogar" o problema para eles: pergunte como eles acham que isso pode ser resolvido. Se eles tiverem dificuldade em das sugestões, apresente algumas para eles. E não queira que a situação seja resolvida rapidamente (nem adultos conseguem isso), dê tempo para que eles resolvam. Mas é preciso que eles saibam que, se não houver solução, haverá uma punição (castigo, o fim da brincadeira, a televisão ser desligada). 

- É importante deixar as regras claras. Principalmente sobre comportamentos aceitáveis, espaço pessoal e direito de posse (mais ou menos como em uma guerra...hehehe) E não deixar impune quem desrespeitou essas regras.

- Eu sei que é difícil (sinto isso na pele), mas ignore pequenas disputas. Na maior parte das vezes eles mesmo se resolvem sem que a gente tenha que interferir e isso é saudável para o aprendizado deles.

- No caso de uma grande disputa, ou de algo que eles não consigam entrar em acordo e você realmente precise interferir, não faça interpretações da situação, Diga o que você viu e o que acha que é aceitável. Se ainda assim eles não entrarem em acordo, uma boa solução é deixá-los de castigo em cômodos separados.

- Elogie quando eles estiverem brincando em paz. Minha irmã sempre diz (muito sabiamente, por sinal) que o reforço positivo faz milagres!

O que vocês acham? Têm mais dicas? Então aproveitem para comentar que em breve sai a parte II!

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Minhas impressões sobre o documentário "Muito Além do Peso" - parte II

Como não coube tudo o que eu queria dizer em um post só, vamos à segunda parte. Foi bom ter esperado um pouco para escrever esse, porque os comentários do post anterior me fizeram pensar ainda mais. Como por exemplo a "coincidência" de que todas as crianças mostradas não conhecem nada de legumes.Será que isso é regra mesmo ou é exceção?

Outra coisa que ficou por dizer é que eu não sei ao certo se os produtos in natura são mesmo tão caros assim. Como eu falei nos comentários da divulgação do post no meu FB, na quinta passada eu fui à feira com as crianças com R$ 40 reais e enchi o carrinho. Comprei bananas, abacaxi, maçã, pêra, uva (sem caroço, que é mais cara), pimentão, berinjela, cebola, batata bolinha, couve-flor, alho e sei lá mais o que, nem lembro de tudo. Acho que o problema é que a gente se acomoda, sabe? Ir ao supermercado é mais prático, tá aberto até tarde, é melhor do que acordar cedo para ir à feira. Fazer o bolo em casa é mais complicado, então melhor é comprar o bolo pronto. Fazer suco dá trabalho e suja louça, então o de caixinha é mais rápido.

E estou falando por experiência própria mesmo! Até posso ficar feliz por um lado porque não mando salgadinhos ou refrigerante para meus filhos de lanche na escola, mas por outro lado ainda me sinto mal por mandar bolo Ana Maria e suco de caixinha. Já consegui me organizar para comprar legumes e frutas na feira pelo menos uma vez a cada 15 dias (aqui em casa as coisas duuuuuuuuram que é uma beleza). Mas quero ver se pelo menos duas vezes por semana eu mando algo feito em casa, menos industrializado. Nem vou me enganar dizendo que vou fazer mais do que isso, porque o trabalho não vai deixar. Mas vou tentar me esforçar um pouco mais e deixar de preguiça. Ah, aumentar a frequência com que eu mando frutas!

Quanto aos resultados de ter convidado o Vítor a assistir o documentário comigo, eu acho que teve muito mais prós do que contras. Acho que o principal contra foi que ele agora acha que não está sujeito a passar por nada disso porque é magrinho e porque não gosta de um monte das coisas que mostraram ali. Mas o que ele não entendeu que por ele não comer um monte de coisas saudáveis ele também pode ficar doente, e agora eu catei o vídeo do Medidinha Certa da Globo em que aparece o menino que era magrinho e ativo, mas tinha os níveis de várias coisas (como colesterol) super alterados. Vou mostrar para ver se ele entende. E outra coisa que percebi é que não basta deixar a criança assistir e pronto. Tem que conversar e explicar um monte de coisas, ensinar a não aceitar tudo que recebe como verdade absoluta. Mas entre os muitos prós está o fato de que ele agora entende porque sou tão chata com guloseimas e porcarias durante a semana. Além disso ele agora anda analisando as propagandas (hum, de vez em quando isso não é tããããão legal assim...rs).

Enfim, acho que esse é um tema que não tem fim, semre vai ter o que escrever, sempre vai ter o que falar. E acho que o caminho é esse mesmo: refletir, se informar, passar essas informações para frente, debater e procurar fazer sempre o melhor para os nossos filhos, mas sem radicalismos, não tirando deles o gostinho bom da vida!

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Minhas impressões sobre o documentário "Muito Além do Peso"

Uma das cenas iniciais do documentário
Eu e Vítor assistimos juntos ao documentário "Muito Além do Peso". Confesso que fiquei pensando se não era arriscado assistir com ele assim de primeira, sem nem ter dado uma espiadinha antes. Vai que tinha algo inapropriado para a idade dele, sei lá. Mas por tudo que eu tinha lido por aí, achei que valia a pena arriscar e que provavelmente traria mais benefícios do que malefícios. E depois de assistir achei que precisava compartilhar um pouco das minhas conclusões. Por isso acho que esse post será um pouco polêmico, afinal opinião é que nem nariz, cada um tem o seu. Só que acho que o público que costuma me visitar aqui geralmente lida bem com opiniões divergentes, o que sempre gera um debate saudável. Espero que continue assim! :)

Não concordo com tudo o que foi dito lá, mas acho que todo mundo deveria assistir também. Os que têm filhos e os que não têm. Crianças também. Deviam passar nas escolas. Não acho que tudo que foi dito lá deve ser aceito como verdade absoluta e nem que devamos mudar radicalmente de opinião e de vida. Mas acho que é muito bom para refletir e enxergar um pouco mais do que estamos acostumados a ver todos os dias.

Esse é um assunto tão amplo e complexo que nem sei se vou conseguir passar direito o que eu penso aqui, sem deixar algum mal entendido. Mas também vou correr esse risco. Eu sempre bato na tecla de que é preciso haver equilíbrio na vida. Não dá para negar que essas guloseimas são ótimas, super gostosas, que todo mundo prefere mesmo isso a coisas saudáveis (claro que existem exceções por aí). Só que é aí que entra o papel do adulto: por mais que seja muito mais gostoso, não dá para comer todos os dias. É preciso ser a exceção e não a regra. E para isso é preciso dizer não para a criança, por mais difícil que isso pareça ser. Afinal, crianças só enxergam o imediato, ao contrário dos adultos.

 E é exatamente por isso que cabe ao adultos o papel de não deixar isso acontecer, porque sabemos que nem tudo que é bom hoje será bom amanhã. O problema é que isso nos torna os chatos da história. E eu percebo que atualmente muitos pais não querem ser chatos, eles querem que os filhos tenham verdadeira admiração por eles, os filhos não podem ser frustrados. Como no começo do documentário, quando o menino se joga no chão e faz uma bela pirraça. A mãe resiste um pouco, mas dá o pacote de batatas que o menino quer. Pode até parecer, mas não estou julgando aquela mãe, eu também não sou a mãe perfeita. Mas o problema é exatamente esse: cada vez que recompensamos nossas crianças por um mal comportamento para que ela fique quieta ou para que não nos sintamos mal, criamos um problema ainda maior. Quando isso acontece de vez em quando, beleza. Mas quando isso se torna uma rotina, vira mesmo um problemão.

Outra coisa que me deixou muito surpresa é o desconhecimento dos pais a respeito do que é ou não saudável. E de acharem que o que passa na televisão é sempre verdade. Isso é um problema muito arraigado, com raízes muito profundas. Se a indústria se aproveita disso? Claro que sim. O problema é exclusivamente deles? Absolutamente não! Porque não há ELES, sinceramente. Não são robôs que estão nas fábricas, nas agências de publicidade, nas diretorias das grandes empresas. Somos nós, nossos maridos, nossos primos, nossos pais e mães, nossos primos e nossos amigos. São pessoas. Somos NÓS! E é por isso que acredito que precisamos parar de culpar os outros e olhar mais para dentro. É preciso disseminar a informação, fazer o esclarecimento e lutar para que isso vá o mais longe possível. Está nas nossas mãos.

Ainda há muito o que eu gostaria de falar! Sobre a facilidade dos produtos industrializados, sobre como nos acomodamos com a praticidade deles, sobre como nos enganamos quanto à quantidade de comida que uma criança precisa e sobre a minha experiência aqui em casa, sobre o que eu resolvi que vai mudar e o que eu acho que já estou no caminho certo. Ah, claro! Sobre os resultados de ter feito o Vítor assistir comigo, bons e ruins. Mas isso vou deixar para outro post, que já falei muito Por agora...rs

Enquanto não publico o outro post, que tal você também assistir ao documentário e me contar o que achou?


quinta-feira, janeiro 24, 2013

Férias: você sabe como passar o protetor solar corretamente nas crianças?

Chegam as férias, a gente corre para aproveitar o sol, seja na praia, na piscina ou até mesmo na fazenda. Mas basta dar uma bobeira e as crianças (e nós também) ficamos vermelhos e ardidos. E não se enganem: até eu que sou bem morena também já fiquei ardida, justamente porque fiquei confiante demais na minha cor.

E se as crianças ficam ardendo nosso trabalho acaba sendo dobrado, porque sofrem eles e sofre a mãe. Então o melhor é mesmo prevenir! Mas você sabe como passar corretamente o protetor solar? Eu demorei um tempo para me acostumar, mas acho que agora peguei o jeito. E dessa vez meus pequenos ficaram bem negões e nem descascaram nadica de nada!! Então resolvi compartilhar algumas dicas:

Alice adora nos ajudar a fazer a "pintura de índio"
- Lembre-se de que o protetor solar deve ser passado com, pelo menos, 15 minutos de antecedência ( o ideal mesmo são 30 minutos). Por isso, o ideal é passar antes de sair de casa, com a pele ainda seca. E nada de ficar economizando. Se não passar a quantidade certa, vai queimar do mesmo jeito.

- Não tem problema se ficar meio branquinho, depois de um tempo ele fica normal. E o ideal é não passar em círculos, mas em linha reta.

- Nada de reaproveitar aquele protetor solar que estava no armário desde a época do ronca. Fique de olho na data de validade, porque protetor vencido causa alergia e irritação na pele.

- Com as crianças de roupa de banho, passe em todos os lugares, não esquecendo que pés, orelhas, pescoço e mãos também queimam. É muito comum esquecer esses locais (Alice agora fala: orelha também queima, né mamãe? rsrs)

- Não adianta passar uma vez só e esquecer. Faça a reaplicação a cada duas horas ou se as crianças ficarem muito tempo na água.

- Uma boa dica para crianças que não querem nunca sair do sol é utilizar roupas com proteção solar. Eu comprei uma camiseta para o meu marido, que é muito brancão e sempre fica vermelho, com FPS 50. Foi ótimo! Meu pai também sempre utiliza esse tipo de roupas no veleiro dele. Este ano dei um boné com FPS para ele, de Natal.

- Crianças pequenas que têm pouco cabelo devem ficar de chapéu, para evitar queimar o couro cabeludo.

- Compre um protetor solar específico para o rosto. Normalmente eles escorrem menos, não ficam pegajosos e não ardem nos olhos. Como eles nunca gostam de passar no rosto, uma dica é brincar de indío: primeiro faça a "pintura", deixe que eles se divirtam um pouco com isso e depois espalhe (mas não vai esquecer essa parte, hein?). Os meus adoram!!

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Crianças combinam com longas navegadas?

Eu ouço alguns comentários sobre crianças que sempre me causam estranheza. E nem é tanto pela experiência que tenho com meus filhos, mas pelo jeito que fui criada pelos meus pais. Me lembro que meu pai dizia que a gente nunca dava trabalho quando estava acampando ou viajando, só quando ficávamos muito tempo dentro de casa.

E um comentário desse tipo é que crianças não combinam com velejadas longas ou longas temporadas dentro de veleiros. Mesmo com diversos casos de famílias que moraram em veleiros por muitos anos e tudo deu certo, isso é tratado como caso isolado.

Quem acompanha o blog sabe que em novembro passei 10 dias no barco do meu pai com as crianças e foi uma delícia. Confesso que ainda estou devendo um post sobre isso, ainda mais agora que passamos mais 10 dias lá agora em janeiro. Mas o que eu quero ressaltar é: foi uma delícia, adoramos e eles sempre pedem mais. 

Para desmistificar isso, tem um convidado especial aqui no blog hoje: meu pai, Maurício Rosa, comandante do Fast 345 Alphorria e autor do livro "Gastronomia para Veleiros"




JAMAIS LEVE CRIANÇAS PARA VELEJAR EM MAR ABERTO!!!

Eu sabia disso, e insisti porque quis. Crianças não devem velejar em mar aberto porque enjoam... crianças não se adaptam ao pequeno espaço de um veleiro porque não tem para onde correr e ficam logo aborrecidas... crianças não gostam de viagens longas em veleiros porque a paisagem é sempre a mesma...

Quem mandou ser teimoso? Apesar dos vários avisos eu resolvi, em novembro passado, correr o risco de levar meus netos, o Vítor Alves de 8 anos e a Alice, de 3, de Bracuhy (entre Angra e Parati) até Ubatuba, para um cruzeiro Ubatuba-Parati (para quem ainda não é do ramo, cruzeiro é um passeio de vários barcos a vela, diferente da regata, que é uma competição).



A mãe deles, a Thaty, minha filha, que já é do ramo, estava também. O Vitor até já tinha experiencia de barco desde os 4 meses, incluindo um passeio em Búzios. Mas a Alice ainda não, só rápidas navegadas pelo Lago Paranoá, em Brasília.

E não deu outra: eles... adoraram! Para mim esse era o risco: curtiram muito. Claro que certa hora, com o mar batido da Ponta Negra, depois da Joatinga, deram uma pequena enjoada, mas nada demais. E nem foi diferente de muito marmanjo que já navegou comigo e me deram bem mais trabalho. 



E aconteceu o que eu previa: agora eles querem vir sempre. Bem feito... mesmo... Muito legal! 

Algumas fotos que comprovam o que ele falou:

Brincando de panelinha com a nova amiga.

Observando o abastecimento do barco

Depois de uma enjoada rápida, tudo ficou bem.

segunda-feira, abril 30, 2012

Ser gentil vale a pena - blogagem coletiva


Faz tempo que eu quero participar da Blogagem Coletiva - Ser gentil vale a pena, organizada pela querida Rogéria Thompson. Mas sempre me enrolava e não conseguia. Desta vez olha o Entre Fraldas e Livros aí participando. Bom demais!

Eu as vezes me acho um ET, porque não consigo entender certas coisas que acontecem, porque acredito realmente que o ser humano pode melhorar, basta querer. Mas, cada vez mais, tenho visto o quanto as pessoas sabem que podem fazer o melhor, simplesmente não querem. Muita gente têm uma dificuldade imensa de enxergar o lado dos outros, de se colocar no lugar dos outros. Ainda assim, eu acredito que isso não nos define. O lado negro do mundo não é o que prevalece.

Há algum tempo a Coca Cola lançou uma campanha chamada Razões para Acreditar. Eu me lembro que fiquei encantada com a sacada deles, porque isso realmente é verdade. Muitas pessoas ainda se importam, de verdade. Muita gente doa sangue, muita gente doa suas roupas que ficaram pequenas e os brinquedos que seus filhos não usam mais. Muita gente ainda ajuda asilos e orfanatos, se comove com uma tragédia transmitida pela tv e se une para arrecadar donativos. Isso é gentileza.



Eu já falei algumas vezes sobre isso aqui no blog, mas acredito que é sempre válido repetir. Essa história de que uma andorinha só não faz verão não é verdade. A gente precisa plantar nossa semente para que ela germine e se espalhe pelo vento. Eu ensino meus filhos a serem boas pessoas e serem gentis. Eu ensino os meninos da minha tropa escoteira a serem boas pessoas e serem gentis. Então não sou mais sou eu, já somos mais de 20 pessoas pensando parecido! Eles repassam o que aprenderam para os colegas da escola, para os outros parentes, até para os professores. E de repente já somos mais de 200! Ao invés de ficar esperando apenas um mundo melhor para meus filhos, estou também entregando filhos melhores para o mundo. E uma atitude positiva pode mudar radicalmente uma grande área ao seu redor, nunca esqueça disso!

Para finalizar, vou colocar aqui um vídeo que eu adoro, o do vírus da gentileza. Um excelente início de mês para todos vocês!


P.S.: Tem um grupo no Facebook só sobre esta blogagem. Se você se interessou em participar, corre lá!

quinta-feira, março 29, 2012

A Hora do Planeta: o que é e dicas de atividades com crianças e escoteiros



Vocês sabem que no sábado acontece a Hora do Planeta? Quer dizer, peraí, vamos começar do começo: vocês sabem o que é a Hora do Planeta? Então, antes de qualquer outra coisa, vamos a umas explicações rápidas:

O que é:

Um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante sessenta minutos.

Mas por que eu deveria participar? O que isso muda na prática?

Apesar de ser um gesto simbólico (pois apagar a luz por uma hora apenas uma vez no ano não é a solução do problema), a Hora do Planeta tem grande repercussão no mundo todo. Vários países participam, monumentos são apagados, várias instituições e empresas se mobilizam para participar. 

Não é a economia de energia do momento, é o ato, a repercussão, o fato de várias pessoas mostrarem que se preocupam com o rumo que as coisas estão tomando, que estão a favor de mudanças. E o fato de várias desses governos, entidades e pessoas que participam comprometem-se em continuar a promover ações concretas de mudanças de comportamento para favorecer o planeta.

Bem, dadas as explicações iniciais sobre o evento, voltemos ao ponto onde eu dizia que a Hora do Planeta acontecerá no próximo sábado (31 de março de 2012), às 20h30. E eu acho que é uma chance ímpar de fazer com que as crianças dêem o primeiro passo (se nunca fizeram isso antes) em uma mobilização ambiental. Aí você me diz: tudo bem, acho muito importante, é muito legal, quero participar. Mas não tenho a menor idéia do que fazer e nem como.

Pensando nisso (e depois de fazer uma lista como essa para o meu grupo escoteiro), achei que seria legal compartilhar algumas idéias aqui. E algumas destas idéias vão com versão para escoteiros, já que não são só as mães que têm essas dúvidas, mas também os chefes escoteiros e até mesmo os próprios jovens. Vamos lá?

Não esqueça de, antes do evento, explicar às crianças o motivo da mobilização e o que se pretende alcançar com isso!

- Se seus filhos já são maiorzinhos, faça uma noite de histórias de terror (Versão para escoteiros: Junte sua patrulha ou tropa na casa de alguém ou em um acampamento e façam uma roda de histórias de terror).

- Se os filhos são pequenos, faça uma cabana de lençol na sala e conte histórias mágicas (versão para lobinhos: faça um acantonamento relâmpago com a Alcatéia, à luz do lampião, com histórias do Mogli. Quando der 21h30 os pais podem buscar)

- Baixe o jogo da WWF "Coisas para fazer durante a Hora do Planeta" e divirtam-se (Versão para escoteiros: junte sua patrulha ou tropa, providenciem pipoca e refri e divirtam-se com o jogo)

- Façam o jogo da música: uma pessoa diz uma palavra e cada um precisa cantar uma música com ela (Versão para escoteiros: Junte sua patrulha ou tropa e cantem todas as canções escoteiras que vocês lembrarem . Ou façam o jogo da música só com músicas escoteiras, para dificultar. Ou joguem do jeito tradicional).

- Reúna sua família para conversar, sobre qualquer assunto. Há quanto tempo vocês não fazem isto? (Versão para escoteiros: Junte todos seus amigos escoteiros e relembrem todos os melhores momentos que vocês viveram, naquele acampamento maravilhoso, naquela viagem inesquecível, os micos que vocês pagaram, etc).

- Chame os amigos e faça um churrasco (com churrasqueira a carvão, please!)

- Faça uma lista com as crianças do que podem fazer para mudar alguma coisa: seja em casa, no mundo, no comportamento delas, etc (Versão para escoteiros: faça uma lista do que falta para você alcançar sua próxima etapa ou especialidade).

- Toque violão, flauta ou qualquer outro instrumento musical.

- Só para as meninas: junte as amigas para uma sessão de máscaras no cabelo e no rosto, fofocas e risadas. Pipoca é bem vinda.

- Para escoteiros, seniores, pioneiros, chefes ou qualquer outros interessados: desenterre um livro de RPG, junte a turma e descubra como era bom na época em que esse tipo de jogo não era virtual.

E você, também tem alguma sugestão?