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quarta-feira, agosto 24, 2016

Pokémon Go: como garantir a segurança das crianças e ainda aproveitar um tempo com elas


Recentemente a Niantic lançou no Brasil o aplicativo de realidade aumentada,  Pokémon Go. Com este aplicativo a pessoa precisa caminhar para encontrar os pokémons e capturá-los. Da mesma forma que aconteceu em outros países, o jogo também virou febre aqui no Brasil e já se ouve muito mimimi sobre o assunto, inclusive com publicação de diversas notícias falsas.

Mas o que fazer? O aplicativo realmente oferece riscos? Bem, vou começar dizendo: jogue com seu filho. Não há melhor forma de você saber se algo é realmente bom ou ruim a não ser experimentando. Eu entendo que nem todo mundo tem muita afinidade com esses jogos modernos, eu mesma não dou muita bola. Mas se eu quero saber, preciso testar. E vou confessar: estou curtindo! Mais por acompanhar as crianças e ver que elas estão felizes por eu estar com elas do que realmente por jogar. E, por estar jogando com meus filhos, posso dizer que o Pokémon Go oferece os mesmos riscos que o whatsapp ou o Facebook quando utilizados na rua. Ou seja, o problema não é o aplicativo e sim o usuário.

A primeira coisa que precisamos ter em mente é: crianças não têm juízo (e adolescentes são crianças grandes, também não têm juízo). Quem precisa ter juízo somos nós, os adultos. Quanto antes as pessoas aceitarem isso, menos problemas terão em suas vidas. Tendo isso em mente, não ache que seu filho vai prestar atenção em outras coisas que não sejam o jogo, crianças são assim. Portanto cabe aos adultos se certificarem de que a criança estará em local seguro e acompanhada. Nos últimos dias eu tenho saído com os dois para que possam jogar, mas o Vítor já me pediu para ir com os amigos. Antes de deixar eu impus um monte de regras: deve ser com um grupo relativamente grande de amigos, deve ser num parque (eles esquecem que existem ruas), eles não devem se afastar muito uns dos outros. E eu devo ficar por lá também, afinal Alice também vai querer jogar e eu prefiro estar por perto do Vítor caso seja necessário (sem estar grudada nele o tempo todo).

Para complementar este post, recebi esses dias umas dicas da Norton sobre o aplicativo e achei interessante compartilhar aqui também, com algumas alterações e complementos meus:

1. Cuidado com estranhos. O jogo não envolve interação com outros jogadores na vida real, mas sempre acabamos puxando papo com um ou outro. De certa forma isso é legal, porque eles fazem novas amizades. Mas pessoas mais velhas também jogam e isso pode ser um problema, pois não há como garantir que tipo de pessoa é. Sem contar que criminosos podem se aproveitar disso para roubar as vítimas. Por isto, caso não possa supervisionar a criança, sempre a oriente a sair em grupos grandes de amigos. 

2. Estabeleça limites. Para capturar os Pokémons, é necessário caminhar pelas ruas. Estabelecer limites para que as crianças não explorem locais muito afastados sozinhas.

3. Fique atento à “Lure” de estranhos. O “Lure” é um item que serve para atrair Pokémons a Pokéstops. Quando um jogador utiliza o item, todos os usuários próximos conseguem ver e se aproveitar deste recurso. É possível que criminosos o usem para atrair vítimas a um local. Oriente as crianças sobre este perigo e defina um local seguro (ex.: um shopping próximo) para que elas possam brincar tranquilamente.

4. Controle as compras dentro do aplicativo. Assim como muitos outros jogos, o Pokémon Go oferece compras dentro do aplicativo e os pais precisam supervisionar esta opção de perto por meio de um controle parental no dispositivo. No caso do iOS, a Apple possui um recurso chamado “Pedir para Comprar”, que irá alertar sempre que alguém da família tentar comprar ou baixar algo e lhe pedirá permissão. Já para dispositivos Android, o Google Play Store possui uma opção de autenticação para compras dentro de aplicativos. Mantenha sempre estas opções ativadas.

5. Apesar do jogo avisar com uma vibração e uma música diferente na hora que um pokémon aparece, as crianças ficam completamente hipnotizadas pela tela. Fique atento para ruas, árvores, raízes, meio-fios e afins.

6. Se seus filhos são mais velhos e sairão de carro com amigos para jogar, certifique-se de que o motorista não irá jogar enquanto dirige. Uma espécie de "amigo da vez" para o jogo.

7.  Muitos parques estão reclamando de desrespeito das regras por parte dos jogadores, como pisar em plantas raras, desligar tomadas de bebedouros para carregar celulares e jogar lixo no chão. Ensine seu filho a respeitar o local onde ele está.

Boa captura! Divirtam-se!

sexta-feira, agosto 19, 2016

Testamos - Descobrindo o Islã no Brasil


Antes de receber o livro Descobrindo o Islã no Brasil, da jornalista e escritora Karla Lima, eu li dois artigos sobre a obra. Mas nada me preparou para o que eu ia encontrar de verdade: um mergulho numa religião controversa, comumente retratada como radical, violenta e perigosa. Antes de ler eu considerava que sabia pouco sobre o Islã, mas confesso que sentia um pouco de pena das mulheres que seguiam esta religião, achava que a vida delas era super restrita e sofrida.

Descobrindo o Islã me mostrou uma religião "comum" com pontos altos e baixos, sem todo o radicalismo que eu jurava que tinha e cujas maçãs podres é que são radicais, que deturpam os ensinamentos básicos do Islã. Karla Lima conta um pouco sobre o que é o Islamismo, como vivem os muçulmanos e muçulmanas no Brasil (e em alguns outros países), como conciliam os requisitos de sua fé com a vida em um país com costumes tão diferentes.

Para escrever o livro a autora entrevistou diversos muçulmanos/as, de diferentes nacionalidades, sexo e idades. No começo estranhei um pouco o fato dela ter colocado as falas dos entrevistados exatamente do jeito que eles falam, mas depois me acostumei e, no fim, li que isso foi uma opção dela para preservar a literalidade do que eles disseram. Além das entrevistas, Karla também fez várias pesquisas em livros, jornais e revistas. Ela também conversou com estudiosos do Islã.

Ao publicar o livro no Instagram do blog, como sempre faço com todos os livros que eu leio, dei nota 4,5 (1 a 5) para Descobrindo o Islã no Brasil. As pessoas podem estar se perguntando: se ela gostou tanto, porque não deu nota 5? E eu respondo: a única coisa que senti falta foi um capítulo exclusivo sobre a experiência de uma semana que ela teve vivendo como muçulmana, usando inclusive o hijab. Imagino que ela não tenha feito isso porque não era o objetivo do livro, mas eu amaria saber mais detalhes desta experiência além do que ela colocou.

Se você tem interesse em saber mais sobre o Islamismo e os muçulmanos ou se apenas é um curioso, como eu, recomendo muito a leitura. Karla Lima sabe ser sincera e falar do que gostou e desgostou sem ofender, inclusive dando sua opinião sobre o motivo pelo qual o Islã tem tanta má fama, sendo que os radicais são minoria e os demais discordam deles radicalmente. Aliás, opinião com a qual concordei bastante.

Aproveito para agradecer à autora pelo envio do livro. Foi uma leitura ainda mais rica do que eu imaginava.

Serviço:

Descobrindo o Islã no Brasil
Autora: Karla Lima
Editora : Hedra

FICHA TÉCNICA

Número de páginas 190 ISBN 9788577154722
Encadernação Brochura
Peso 0.27 kg
Ano de lançamento 2016

Assista aqui ao booktrailer do livro:


quinta-feira, abril 28, 2016

Testamos: O Mirabolante Doutor Rocambole


Porque todas as pessoas precisam ser iguais? Eu tive essa conversa tantas vezes com o Vítor e agora tenho com a Alice. Eu sempre mostro a minha mão e pergunto: os dedos são todos iguais? Pois é, as pessoas também não.

Recentemente recebi da autora Ana Luiza Figueiredo um livro muito legal, que fala um pouco sobre esse assunto. Li para as crianças e fez o maior sucesso aqui em casa. Está virando o novo queridinho para dar de presente de aniversário.



O livro conta a história de Teo, um menino diferente. Mas ele não era diferente fisicamente. Mesmo assim as pessoas viviam olhando torto para ele, rindo ou achando que ele era maluco, depois que explicava uma ideia várias vezes até que entendessem.

Um dia Teo encontrou um embrulho com as palavras: "Doutor Rocambole, Especialista em Tudo que não é Comum". E no verso: "Se ser diferente faz você se sentir esquisito, sopre o apito. Se faz você se sentir importante, passe adiante ". Claro que ele soprou o apito e, depois de um tempo, o Doutor apareceu, fez algumas perguntas e o diagnosticou com IMAGINAÇÃO AGUDA. E agora, será que tem remédio?

Claro que eu não vou contar o livro inteiro, mas posso adiantar que, no fim, o Teo descobriu que ser diferente também é legal.

Para comprar o livro é preciso mandar um e-mail para:


segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Quando a criança não quer (ou "Sim, a responsabilidade é dos pais")


Faz tempo que uma coisa me intriga: a facilidade com que alguns pais e mães deixam escolhas importantes nas mãos dos filhos. Escolhas como fazer ou não atividades físicas, o que comer, qual a hora de dormir e por aí vai... O que sempre me leva a pensar quem são os adultos e quem tem mais maturidade.

Imagine aí uma cena: o médico diz que a criança está acima do peso, que precisa comer melhor e praticar exercícios físicos. A mãe olha para a criança e diz: tá vendo? Eu te falei! E olha para o médico e diz: eu sempre digo isso a ele, mas ele não quer!

Eu não quero dizer que a culpa de uma criança ser obesa, ir mal na escola, não saber controlar a raiva ou não querer dormir cedo é dos pais. Eu estou querendo dizer que a RESPONSABILIDADE de tentar mudar isso é dos pais. Crianças têm como prioridade a satisfação imediata, o lazer. Então, se uma criança que tem dificuldade em controlar a raiva puder escolher a atividade extra da escola, ela não vai pensar em Taekwondo ou Judô a não ser que tenha algum outro interesse prévio. 

Os pais são os adultos, têm mais maturidade, mais experiência e visão mais ampla. Os pais podem pensar no bem estar psicológico, emocional, físico, social e muitos outros. E por ter essa gama de observações não podem ter medo de dizer NÃO. Pai e mão não são amigos da criança, por mais que isso também seja um aspecto desse relacionamento. Pai e mãe precisam aceitar que serão considerados chatos, boicotadores e desagradáveis. Lembra que o foco da criança é a satisfação imediata? Pois é, criança não tem visão de futuro, então as vezes ela não tem que querer, tem que obedecer. Por mais ditatorial e radical que isso possa parecer à primeira vista.

Crianças não vão querer dormir na hora certa, vão querer comer todas as porcarias gostosas possíveis a qualquer hora, vão preferir assistir tv a ler ou estudar ou fazer uma atividade física. Mas se, como pais, temos medo de dizer NÃO a nossos filhos e deixamos que eles façam tudo o que querem, estamos estragando o futuro deles. Porque estaremos criando futuros adultos obesos, preguiçosos e sem disciplina, entre muitas outras coisas. Ao agir desta forma estaremos dando as costas às nossas responsabilidades e, no futuro, a culpa será, sim, nossa.

Quando eu era criança e ficava aborrecida com o meu pai ele me dizia que eu só iria entender a atitude dele quando eu tivesse os meus filhos. Mas antes mesmo disso eu entendi que ele estava certo, bastou apenas que eu tivesse maturidade suficiente para enxergar um pouco além. E agradeço a Deus por ele ter sido "chato" comigo e por ele ter aguentado o meu "ódio" momentâneo. Porque hoje eu sou o que sou porque ele não passou a mão na minha cabeça quando eu estava errada e não deixou que eu fizesse tudo o que eu queria quando isso não era o melhor para mim. Porque eu simplesmente não podia ver que o que eu queria não era o melhor.

Pais e mães precisam aprender a aguentar esse "ódio" dos filhos quando recebem um não. Precisam ter maturidade para entender que essas lágrimas vão passar e que serão para um bem maior. Pais precisam entender que, para serem realmente bons, terão que ser temporariamente considerados "maus".

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Foi ele que começou, mãe! (ou dicas de como minimizar as brigas entre irmãos)

Estou de volta às postagens regulares! Casa nova, cidade nova, caixas quase todas desfeitas, bora voltar a postar! E vou falar de um problema que todas as mães de mais de um tem: briga entre irmãos. Principalmente nas férias, quando eles ficam um loooooongo tempo juntos.

Eu tenho cá minhas táticas, mas como eles passaram um ano estudando em turnos diferentes acho que perderam o hábito de ficar juntos. Some=se a isso 10 dias na casa da vovó tentando ver quem chama a atenção, já viu! Então eu corri para a minha biblioteca particular e resgatei um livro que tenho há algum tempo, o "Foi ele que começou, mãe!", da autora Sacha Baveystock. Mas estava precisando relembrar o que li lá atrás e buscar novas alternativas. E claro que vim dividir com vocês algumas coisas que achei bem interessantes. Vamos lá? (essa é a parte 1)



- Não se esqueça de que bebês e crianças pequenas também sabem bater e isso exige uma atitude imediata dos pais. Assim que os pequenos passam a ter compreensão de que algo é certo ou errado, é preciso associar as atitudes erradas com alguma consequência significativa. As vezes, apenas o tom de voz e uma repreensão dura são suficientes, mas em outras é necessário colocá-la de castigo pelo tempo correspondente à idade dela;

- A autora diz que, de acordo com suas consultas a especialistas, a diferença de idade entre os filhos não interfere muito na quantidade de brigas. A idade afeta a maneira com que a criança mostra as dificuldades e como ela reage em relação à necessidade que sente da presença da mãe (os menores querendo atenção, os maiores se comportando mal, etc);

- Não se culpe achando que se tivesse um filho só poderia dar mais atenção a ele e evitar brigas. A autora conta que crianças que possuem irmãos aprendem muito umas com as outras e compartilham tudo, desde a atenção dos pais até os brinquedos. Enfrentando as dificuldades da vida familiar elas aprendem a negociar e a assumir compromissos. E crescem sabendo que não são o centro do universo, o que é muito saudável.

- Entenda que não dá para fazer tudo igual para todos sempre. E que sempre alguém irá te acusar de ser injusta, acostume-se. Tente explicar a eles que todos terão as mesmas coisas, mas cada um a seu tempo (mesmo que eles não entendam imediatamente)

- Antes de desprezar imediatamente o "isso não é justo", tente identificar de que tipo de justiça o seu filho está falando. As vezes uma boa conversa ajuda a esclarecer as coisas e essa sensação dele pode diminuir;

- Não se intimide pelo senso de justiça dos seus filhos. É muito saudável que eles entendam que não se pode sempre ter uma coisa só porque o outro têm, mesmo que esse outro seja o seu irmão. Ou seja, se um filho precisa de um tênis novo e o outro não, você não precisa comprar para os dois. Temos a tendência a fazer das tripas coração para mantê-los satisfeitos, mas é bom para as crianças que nem sempre a gente dê a elas tudo que querem, só porque querem. Uma lição muito importante que elas devem aprender é a da alternância: uma vez um, outra vez o outro, não é igual o tempo todo;

- Sabe aquele filho que está numa fase impossível e que te tira a paciência o tempo inteiro? As vezes a gente acaba elegendo o outro como "favorito", mesmo inconscientemente e temporariamente. Só que quando deixamos transparecer esse favoritismo, o mau comportamento dele só irá ser reforçado. Quando mais difícil uma criança for, de mais atenção positiva ela precisa para que entenda que está recebendo a mesma atenção que seu irmão aparentemente "dócil", que pode estar recebendo as coisas com mais facilidade só por não estar dando tanto trabalho.Esse senso de injustiça é motivo de muitas brigas entre os irmãos, então fique atenta!

- As crianças costumam avaliar muito a quantidade de tempo que você passa com elas individualmente e em conjunto com as outras. Uma dica é separar um tempo para passar com todos e com cada um, fazendo o que eles quiserem fazer. Na verdade, esse é o segredo: deixar com que eles escolham o que querem fazer com você: um jogo, ler um livro ou que apenas o observe brincar. Parece difícil, com tantas coisas que temos para fazer, mas 10 a 15 minutos por dia já é suficiente. Para facilitar, procure planejar com antecedência o que será feito. E deixe sua atenção toda para ele nesse momento, sem fazer outras tarefas, atender outros filhos ou mexer no celular;

- O fato dos irmãos serem competitivos e briguentos não significa que eles não se gostam. Na verdade, brigam muito porque se conhecem muito bem. Os amigos podem virar as costas se você os provocar demais, os irmãos estão presos uns aos outros, não importa o que aconteça. Brigar não é uma coisa inteiramente ruim, considerando que a vida é um negócio um tanto competitivo e que o conflito entre os irmãos ajuda as crianças a experimentar seu espaço no mundo. Aqueles que aprendem em casa a lidar com situações de conflito terão mais prática em se defender, além de melhores chances de enfrentar desavenças e tensões no mundo exterior;

- Se uma criança em particular está sempre começando uma briga, esse pode ser um sinal de que ela precisa de mais atenção ou de que alguma coisa está acontecendo fora de casa e ela precisa de sua ajuda. Será preciso também "proteger a vítima" e mostrar claramente à criança agressora que ela precisa encontrar outras maneiras de lidar com sentimentos difíceis que não sejam bater ou atormentar o irmão. Também é necessário ter cuidado para que "socar o irmãozinho" não se transforme em um passe automático para conseguir a total atenção dos pais;

- Os filhos imitam os pais. Se você costuma gritar com eles, o mais provável é que eles gritem uns com os outros, especialmente se você berrar para que eles parem de brigar. Se você bate em seus filhos será difícil para eles compreender por que não podem bater nos irmãos, principalmente se são pequenos e não têm vocabulário para expressar emoções complexas;

- As vezes brigar é apenas algo para fazer: o tédio pode ser uma boa razão , como qualquer outroa, para ir implicar com o irmão e começar uma briga. As crianças estão sempre procurando testar e ultrapassar os limites, é divertido golpear o irmão com um pano de prato, mas, opa, o troço atinge seu olho. Parte dessas desavenças pode ser evitada mantendo as crianças ocupadas ou lembrando-as de que precisam continuar o que deveriam estar fazendo;

Semana que vem eu trago mais dicas, na parte 2 deste post!