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segunda-feira, setembro 29, 2014

Afinal, o que é esse tal de escotismo?

 
Promessa da lobinha Giovana. Arquivo pessoal
 O que fazem os escoteiros? Eles vendem biscoitos como nos filmes? Tenho amigos escoteiros e eles falam muito sobre isso. É algum tipo de seita ou lavagem cerebral? Se eu perguntar algo a eles corro o risco de tentarem me "converter"?

Eu tenho certeza que muitas pessoas já fizeram ou pensaram essas perguntas acima. Afinal, todo mundo que conhece um ou mais escoteiros já viram muitas fotos meio malucas, comentários super empolgados e convites para participar. É natural, pois quem participa de algo que gosta muito quer compartilhar com outras pessoas, pois quer que os outros também "provem" daquela coisa tão boa.

Mas afinal, o que é esse tal de escotismo? Se você perguntar a uma criança ou jovem, dificilmente ela vai conseguir te responder. Provavelmente ela vai te falar um monte de coisas que ela fez e achou muito legal, sem definir exatamente o que você gostaria de ouvir. Isso acontece porque uma coisa é o que o escotismo se propõe a fazer e outra coisa é o que esses jovens conseguem enxergar antes de terem maturidade suficiente para isso.

Baden Powell, fundador do Escotismo
Imagem: divulgação
O Movimento Escoteiro foi criado por um militar da Cavalaria inglesa, Robert Sterphenson Smyth Baden-Powell. Ele havia escrito um livro para militares, que fez tanto sucesso entre os jovens que estava sendo utilizado nas escolas masculinas. Baden-Powell viu nisso uma oportunidade de  ajudar os rapazes da Inglaterra a se desenvolver de forma mais ampla e saudável. Ao desenvolver seu manual de adestramento para jovens, começou a nascer um movimento mundial.

De lá para cá o programa seguido pelo Movimento Escoteiro já foi atualizado várias vezes, porque as gerações que vieram de lá para cá não são as mesmas. Mas as bases continuam as mesmas: trabalhar os deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo. Dessa forma, o ME tem o propósito de contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades.

Mas como? O escotismo tem um método para chegar aos objetivos descritos acima. E esse método é realizado por meio dos seguintes pontos: aceitação da Promessa e da Lei Escoteira, aprender fazendo, vida em equipe, atividades progressivas, atraentes e variadas e desenvolvimento pessoal com orientação individual.

Tropa Escoteira Guarani, do GE Ararigboia, Zona Norte de São Paulo
Arquivo Pessoal
Muito bem, mas o que isso realmente quer dizer? O que tudo isso aí em cima tem a ver com as fotos que você vê de crianças acampando, correndo, pulando ou se pendurando em cordas? Bem, isso tudo aí quer dizer que utilizamos jogos para ensinar e fixar o conteúdo, elas aprendem brincando. Isso quer dizer que incentivamos a vida ao ar livre e o contato com a natureza, incentivamos o envolvimento e a interação com a comunidade de forma lúdica e divertida. Também quer dizer que eles aprendem a ter disciplina e serem responsáveis naturalmente e voluntariamente. Ah, também quer dizer que eles aprendem na prática, desenvolvem sua autonomia e aprendem a importância do compromisso.

Para ser mais clara, vou dar alguns exemplos. O primeiro é um concurso de culinária, onde cada dupla deve criar um sanduíche, um nome para ele e fazer um cartaz com suas propriedades nutricionais, como calorias e etc. O que a criança vê é a diversão de fazer seu próprio sanduíche, a alegria de competir e fazer melhor do que os amigos, a festa de experimentar todos os sanduíches no final. O que os adultos que fizeram a proposta de atividade vêem é a oportunidade de aprender a ceder para chegar a um acordo com o colega sobre o que será feito, a chance de usar a criatividade para escolher os ingredientes, o desenvolvimento da autonomia ao fazer sozinhos os sanduíches, o aprendizado sobre nutrição ao pesquisar o que vai naquele sanduíche. 

Escoteiro Pedro Aloise participando de um concurso de sanduíches
Arquivo Pessoal
O segundo exemplo é um simples jogo de corrida costas a costas. O que a criança vê é o desafio de correr de costas e conseguir chegar primeiro com seu companheiro, a empolgação de ver a sua patrulha ganhar, a delícia de sentir a empolgação que a adrenalina causa em seu corpo depois do jogo. Os adultos olham e vêem o desenvolvimento da coordenação motora, o aprendizado de trabalhar em equipe, a disciplina em acertar o compasso para caminhar ou correr.

Bem, dito tudo isso, vamos a algumas perguntas básicas, meio como um SAC:

- Quero colocar meu filho no Movimento Escoteiro, como faço?

Procure o Grupo Escoteiro mais próximo da sua casa (no site Escoteiros do Brasil tem todos os endereços), telefone e marque uma visita. Faça todas as perguntas que tiver vontade, não se acanhe. Observe o tratamento que os chefes dão às crianças e a vocês. Para que a criança sinta-se confortável é preciso que vocês também se sintam da mesma forma. Caso não gostem ou discordem de alguma coisa, não hesitem em comentar ou até mesmo procurar outro Grupo. Apesar de seguirem todos o mesmo programa, cada Grupo tem suas especificidades e modos de atuar.

- A partir de qual idade meu filho(a) pode ser escoteiro?

A partir de 6,5 anos a criança pode ser lobinho(a). Com 10/11 são escoteiros, com 14/15 são sêniores/guias e com 17/18 são pioneiros. A partir de 21 são escotistas/chefes.

Apesar de não existir oficialmente no programa dos Escoteiros do Brasil, alguns Grupos tem também o Castorismo, para crianças de 4/5 anos até 6,5. Não é tão fácil de encontrar esses Grupos, mas a maior parte está no Estado de São Paulo, alguns desenvolvem esse projeto há mais de 30 anos.

Alice fazendo promessa de castora no Projeto Piloto do GE Ararigboia
Arquivo Pessoal
- Eu sempre quis ser escoteiro, mas não fui quando era criança. Agora estou velho demais?

Não dá para voltar no tempo e aproveitar o Movimento da mesma forma que aproveitaria quando era criança. Mas ser escoteiro depois de adulto também tem suas vantagens e atrações. Entender como funciona, proporcionar a várias crianças a oportunidade de viver este Movimento, fazer amigos nos mais diversos lugares... isso tudo não tem preço! Sem contar as milhares de vezes em que esquecemos nossa idade e nos divertimos como se tivessemos realmente voltado no tempo. Por isso, se você tem mais de 21 anos não deixe de viver essa aventura!

Alguns chefes do Ararigboia se divertindo muito!
Arquivo pessoal
- Gostaria de levar meu filho(a) para conhecer o escotismo, mas não tenho tempo para participar e não quero me envolver muito. Ele pode participar ainda assim?

Para ter um filho no Movimento Escoteiro é preciso ter o mesmo envolvimento que se tem com a escola dele. Você não precisa estar lá durante as atividades (a não ser durante a integração, enquanto ele não tiver um registro escoteiro), não precisa fazer nada que já não faça com outras atividades extras que ele já faz atualmente. Algumas vezes você será chamada, como numa festa de dia das mães (ou pais), o recebimento de uma especialidade ou na promessa. Ou até para ajudar em algum evento especial. Mas isso não será o tempo todo, apenas em ocasiões esporádicas.

- Meu filho(a) vive na frente do videogame, não gosta de mato e não vive sem televisão. Será que ele vai aguentar ser escoteiro?

Muitas vezes as crianças estão na frente do videogame e da televisão por pura falta de outras atividades mais atrativas. Antigamente era muito mais comum brincar na rua com outras crianças, mas hoje em dia é mais perigoso deixá-los sozinhos fora de casa. Ainda assim, dê a uma criança uma bola ou proponha alguma atividade intrigante e...voilá, você terá uma criança interessada. Por isso não deixe de dar a seu filho a oportunidade de conhecer outras formas de se divertir.

terça-feira, outubro 22, 2013

Quanto ganha um chefe escoteiro?


Para responder à pergunta do título, primeiro é preciso saber o que faz um chefe escoteiro (oficialmente chamado de escotista). Entre outras coisas, ele acompanha a progressão pessoal dos jovens de sua tropa, proporciona atividades interessantes e educativas e busca integrar-se com as crianças de forma a que vejam nele a figura de um irmão mais velho.

Dito isso, qual a remuneração de um chefe escoteiro? Monetariamente falando, nada. Este é um trabalho voluntário e vale a pena lembrar que a maior parte deles paga para trabalhar. Mas existem coisas muito mais importantes do que dinheiro e é disso que quero falar nesse post. Não há nada mais satisfatório do que ver uma criança feliz após uma atividade que você programou. Ou receber um elogio deles depois de um dia particularmente espinhoso. O pagamento de um chefe escoteiro está num cumprimento escoteiro que recebe na rua, está na correria das crianças para abraça-lo quando chega na sede. São os parabéns sinceros pelo aniversário, são as ofertas de ajuda, são os comentários dos pais contando das mudanças de comportamento.


Faz quase cinco meses que estou ajudando em dois grupos escoteiros. E posso dizer que ando recebendo pagamento em dobro. Aliás, quando digo que estou em dois grupos posso perceber uma série de reações, desde acharem que sou louca, corajosa ou traidora (pois é). O que posso dizer é que é bem cansativo, exige um bocado de jogo de cintura para equilibrar todas as atividades e me deixa meio doida, mas que vale cada segundo do meu tempo. Não me arrependo de nada e faria tudo novamente, sem pestanejar. Porque doando, fui eu quem mais recebeu.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Competição? Desculpe, você ligou para o número errado


Eu vi esta imagem no Facebook e me identifiquei imediatamente. Pode parecer clichê. Pode parecer que estou fazendo tipo, mas a verdade é essa aí. Talvez eu até seja meio inocente, talvez eu devesse ser mais competitiva, observar mais ao meu redor. Mas isso não faz parte da minha natureza, não é assim que eu sou (nem nos esportes eu gostava de competição. Até para velejar, que foi o único esporte ao qual eu me dediquei realmente, nunca me importei de não ganhar se a regata fosse divertida. Sempre digo que me lembro de excelentes últimos lugares que tirei...hehehehe)

Na verdade, fico muito surpresa quando descubro que alguém está se sentindo incomodado com minhas atitudes, achando que tenho o objetivo de aparecer ou de tomar o seu lugar. E fico ainda mais surpresa quando isso acontece em algum trabalho voluntário. Eu sei que tem gente que faz isso, mas na minha cabeça não faz o menor sentido buscar visibilidade em trabalho voluntário. Se eu já não faço isso nem profissionalmente...

Enfim, o que eu queria dizer é que adorei esta citação (uma pena que não tenha autoria). E que busco lutando arduamente para vencer minhas limitações e superar minhas dificuldades. A cada luta vencida me sinto extremamente feliz e realizada!

segunda-feira, junho 11, 2012

A ditadura do TEM QUE


Eu tenho uma lista com monte de assuntos para falar aqui. Estou com vários posts atrasados, mas não vão morrer se ficarem um pouco mais atrasados. Porque hoje eu vou extravasar a minha revolta. Já faz tempo que eu venho pensando nesse assunto, mas hoje eu estava conversando com outras mães no facebook e o texto apareceu na minha mente. Agora não tem mais volta...

Ando muito revoltada com o tal do "tem que". Eu sempre fui meio revoltada com essas coisas, mesmo antes de ter filhos. Lembro-me que eu sempre disse que não gostava de rosa, que minha cor favorita era o amarelo. Durante anos eu não usei nada rosa, sempre disse que não gostava de rosa. Parando para pensar agora, eu nem sei se não gostava mesmo do rosa. Só sei que tinha raiva mortal dessa coisa que menina TEM QUE gostar de rosa, TEM QUE ter muitas coisas cor de rosa. Criei birra. Hoje eu não tenho nada contra, mas posso contar nos dedos de uma só mão quantas peças de roupa da cor rosa eu tenho no armário.

Mas a revolta contra o TEM QUE veio mesmo depois de me tornar mãe. Porque a mãe TEM QUE ter parto normal, cesárea é inaceitável. O bebê TEM QUE mamar no peito, TEM QUE dormir em seu berço (nada de cama da mãe), TEM QUE dormir a noite toda. Isso é que é um bebê saudável e normal. A mãe TEM QUE trabalhar o dia inteiro (dentro ou fora de casa. Ou os dois), TEM QUE ter paciência eterna com as crianças (gritar com eles nem pensar, nunquinha), TEM QUE evitar a todo custo que as crianças comam açúcar, gorduras e refrigerantes, TEM QUE estar felizes, bonitas e cheirosas para seus maridos ao final do dia. Ou felizes, bonitas e cheirosas para cair na balada e atrair aquele cara bonitão. O menino TEM QUE ser corajoso (medo de barata então é um absurdo), a menina TEM QUE gostar de princesas e ser organizada. A criança até pode usar chupeta e mamadeira, mas ela TEM QUE largá-los o quanto antes (que feio uma criança de 2 anos usando chupeta, meu Deus!). Assim como a que mama no peito. Sim, eu sei que disse ali em cima que elas têm que mamar no peito, mas elas também precisam parar com isso o quanto antes (que feio uma criança de 2 anos mamando no peito, meu Deus!). E as fraldas? A criança TEM QUE desfraldar logo!

A lista é interminável... a mãe TEM QUE ler sempre para as crianças, principalmente todas as noites antes de dormir. Também TEM QUE preparar lanches saudáveis para levar de merenda escolar. E TEM QUE lavar as roupas novas antes que as crianças usem, TEM QUE lavar as roupas separadamente e com sabão especial, TEM QUE saber tudo o que está dentro do estojo escolar do filho e conferir todos os dias, TEM QUE saber educar sem dar palmadas, TEM QUE saber colocar de castigo pelo tempo certo e sem exagerar, TEM QUE falar baixo, TEM QUE sentir culpa, TEM QUE conseguir dar conta de tudo sem ajuda de babá, TEM QUE pensar sempre em emagrecer (absurdo se sentir bem e bonita mesmo estando acima do peso) e bla bla bla bla bla. Cansei de escrever, eu não ia terminar nunca.

E aí que eu sou revoltada. Meu filho era antissocial e demorou uma era para dizer "oi" a alguém que ele não conhecia. O que eu fazia? Nada, esperei isso passar. Ele também tem muitos medos, não tem a grande coragem que menino TEM QUE ter. O que eu faço? Nada, além de conversar e esperar. Alice até gosta de princesas e de brincar de casinha, mas ela também adora umas ogrices e (mesmo sem ter idade ainda) quase que gosta mais do escotismo do que o irmão. Era pra ela ser uma princesa também? Xiiii

Aliás, por falar em Alice, ela ainda mama, usa chupeta e fraldas. Sim, eu pensei em tirar e comecei o processo, mas vi que ela ainda não está pronta. O que eu faço? Nada, espero chegar a hora. Ah, mentira! Para todas essas coisas aí em cima eu faço mais uma coisa: eu sorrio e aceno, minha filosofia favorita! Sabe por que? Porque quando a gente fica se preocupando demais em seguir os "caga regras" da maternidade, o ofício de ser mãe deixa de ser uma coisa legal e se torna um pé no saco. Quem diabos consegue ser feliz tendo que pisar em ovos o dia inteiro?? Então que se dane, eu piso mesmo nos ovos. Faço o que eu acredito que seja o melhor para os meus filhos e para mim. Sim, eu disse para mim, é isso mesmo. Quem diabos consegue ser feliz sem olhar um pouco para si mesmo?

E você?

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P.S.: Para quem não conhece a filosofia do Sorria e Acene, vai uma breve explicação: no filme Madagascar, os pinguins querem fugir do zoológico. Para isso, uma parte da equipe deve ficar do lado de fora da "toca", sorrindo e acenando para os passantes. Enquanto isso a outra parte da equipe faz o que eles realmente querem: cavam um buraco para fora do zoológico. Eles não perdem tempo com debates ou protestos. Apenas fingem que concordam e fazem o que querem. Simples e prático. A primeira vez que falei sobre isso foi aqui. Mas também já falei aqui e em muitos outros lugares...rs

segunda-feira, maio 14, 2012

Um jovem (e quase anônimo) herói

Tem uma história que eu admiro bastante e sempre quis contar aqui no blog. É algo bem conhecido pelos escoteiros, mas nem tanto assim por quem não é, apesar do nome do protagonista ter sido dado a vários monumentos e ruas pelo Brasil, até mesmo a um estádio de futebol. É a história de Caio Viana Martins, que tinha apenas 15 anos, mas deu ao mundo um exemplo ímpar de dedicação, amor ao próximo e serviço.

Aliás, o grande feito de Caio teria passado desapercebido, se não fosse o testemunho de dois influentes políticos mineiros Alcides Lins e Octacilio Negrão de Lima, que impressionados com a ação dos escoteiros no socorro aos feridos e com o gesto de desprendimento de Caio Martins, levaram aos jornais o que tinham assistido.

Gosto de me lembrar dessa história sempre que algumas pessoas usam a pouca idade como desculpa para a inconsequência, falta de respeito e imaturidade de alguns jovens...

Caio tinha 15 anos e, desde os 8 fazia parte do Grupo Escoteiro Afonso Arinos (atualmente inexistente), de Belo Horizonte. Em dezembro de 1938 ele embarcou no trem noturno com destino a Volta Redonda (RJ), junto com outros 24 membros de seu grupo, para participar de uma excursão técnica/cultural em São Paulo. Esse tipo de excursão é muito comum no Movimento Escoteiro. Eu mesma, com a idade dele, fiz uma também para São Paulo. Não havia porque pensar que algo poderia dar errado.

Acontece que, às 2h05 da madrugada, ao descer a Serra da Mantiqueira, o trem noturno chocou-se com outro, um cargueiro que, por algum erro, subia pela mesma linha. Com o choque muitos carros descarrilaram, outros engavetaram e alguns se desmontaram. O vagão da frente ao ocupado pelos escoteiros saltou dos trilhos, atravessando para a direita, engavetando-se, partindo-se e tombando sobre o barranco, comprimido para a frente pela pressão dos vagões restaurante e leito.

Imagem do acidente divulgada nos jornais da época
Na noite escura os escoteiros foram reunidos pelos chefes em um ponto da estrada. Percebeu-se a ausência de um escoteiro e um lobinho, que posteriormente foram encontrados mortos. Acontece que, com o desastre (o trem estava cheio), estabeleceu-se o pânico entre os sobreviventes. Liderados por seus chefes - Clairmont Orlando Gomes e Rubens Amador, os escoteiros passaram a socorrer os feridos, confeccionando macas com lençóis e paus, e providenciando uma fogueira com tábuas retiradas dos vagões, facilitando o trabalho de resgate e socorro.

Esse trabalho dos escoteiros mineiros foi essencial, pois a ajuda externa só chegou às 7 da manhã. Ou seja, aproximadamente 5 horas depois do acidente.  Os passageiros feridos (inclusive alguns escoteiros), foram transportados para Barbacena. No desastre morreram 40 pessoas, inclusive um escoteiro e um lobinho.

Caio Viana, que na época era monitor de sua patrulha, foi retirado do vagão por seus companheiros durante a madrugada e recolhido ao vagão leito, que permaneceu intacto e serviu de pronto socorro. Mas deu sinais de melhora e passou a ajudar no resgate, estancando sangue de feridos, e até ajudou na remoção de cinco feridos para o vagão leito.  Acontece que ele havia recebido uma forte pancada na região lombar, e sem saber tinha sofrido esmagamento das víceras e hemorragia interna. Mesmo assim, quase não comentava a dor intensa que sentia.

Quando notou um enfermeiro se aproximando dele com a maca, olhou ao redor e viu que havia outros feridos mais necessitados. Encarando o enfermeiro disse: "Não. Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Um Escoteiro caminha com as próprias pernas". E, acompanhado dos amigos, seguiu andando, para a cidade. 

Porém, o esforço que fez foi muito grande. Ao chegar ao hotel em Barbacena deu algumas golfadas de sangue (em conseqüência da hemorragia interna que sofreu) e foi levado para a Santa Casa, vindo a falecer no dia seguinte, na presença de seus pais. Foi sepultado no cemitério de Bom Fim, zona norte de Belo Horizonte, junto do escoteiro Gerson e do lobinho Hélio Marcos,que também morreram no acidente. 

Foto tirada durante o Multirão Pioneiro Nacional de 2009
 Atualmente, Caio Viana Martins é o escoteiro símbolo do Brasil. Em 1941, em Niterói, o Governo do Estado do Rio de Janeiro inaugurou uma grande praça de esportes, denominando-a "Estádio Caio Martins", em homenagem ao jovem que, por seu gesto, tornou-se modelo para os escoteiros de todo o Brasil. Além disso, em Juiz de Fora/MG, foi-lhe erguido um monumento no parque central da cidade (Parque Halfeld). A estátua foi doada pelo Grupo Escoteiro Caiuás com o apoio do Instituto Granbery.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Gentileza gera gentileza - sem demagogia


Hoje acordei meio desanimada com a humanidade. Sei que é só hoje, que amanhã estarei animada com o futuro novamente e coisa e tal, mas hoje acordei assim. Acordei de saco cheio das pessoas que enchem a boca pra falar mal do mundo, pra dizer que o mundo hoje não é mais como era antigamente, pra dizer que o trânsito é cada dia mais caótico e agressivo, pra dizer que as pessoas não são gentis e que o fim do mundo está chegando.

De saco cheio porque a maior parte dessas pessoas reclama, reclama e não faz absolutamente nada pra mudar a situação. E eu fico me perguntando o que elas acham da vida, porque se elas mesmas não são gentis com os outros e somos nós que formamos a população mundial, como é que as coisas podem mudar? Como disse um amigo meu, o ruim desse tipo de gente é que eles acham que já estão fazendo a parte deles ao reclamar. E que essa história de que gentileza gera gentileza é pura demagogia, utopia, papo de quem acha que pode mudar o mundo. Ser gentil não é pra ser na base da troca. Não dá pra ser gentil apenas se as outras pessoas também forem com você. Mas também não é ser boboca e deixar que te façam de gato e sapato.

Eu não sou perfeita, pelo contrário, estou muito longe disso. Lembro de um post que minha querida amiga Rogéria Thompson fez um dia desses, falando que brasileiro não pode reclamar dos políticos que têm, porque faz um monte de coisas erradas, sabendo que são erradas e continuam a fazer assim mesmo, achando que está tudo bem. E eu me encaixava em alguns itens, como comprar dvds piratas e falar ao celular enquanto dirijo. Mas, mesmo assim, eu sei que ter defeitos todo mundo tem e que isso não tem nada a ver com ser omissa e deixar de fazer todas as outras coisas por causa disso. Sei que a velha história de cada um fazer a sua parte é sim muito verdadeira. Porque se eu faço, você faz e ele faz, as coisas já ficam um pouquinho melhor.

Quer um exemplo? As pessoas reclamam que não existe mais gentileza e tal, mas quando tem um carro querendo mudar de faixa, aceleram logo pra não deixar que ele entre. Ou fingem que não estão vendo que a pessoa logo atrás de você na fila do supermercado está apenas com dois itens na mão e não custaria nada deixá-la passar na sua frente. E param na vaga de deficiente/idoso, com a desculpa de que vai ser rapidinho ou que não vai aparecer ninguém precisando dela agora. Acham um saco algumas pessoas terem direito à prioridade nas filas e pra entrar no avião, como se isso fosse um privilégio qualquer e não uma necessidade dessas pessoas. Afinal, essas prioridades são ótimas e lindas, até o momento em que passam a interferir em suas vidas. Como se perder um minuto, cinco ou dez, fosse fazer muita diferença depois. Pra mim, a verdadeira diferença você faz é na vida de outra pessoa quando é gentil, quando "perde" esses míseros minutinhos em prol de outra pessoa, principalmente quando é um estranho.

Outro dia na rodoviária de Santos eu encontrei uma mulher com um bebê da idade da minha Alice (quase dois anos) e uma mala pesada, sem conseguir subir um lance imenso de escadas. Eu estava correndo pra comprar minha passagem, mas parei tudo para ajudá-la. Isso não me tomou mais do que 2 minutos e fez uma pessoa feliz naquele momento. Ontem a noite, no aeroporto de Congonhas, eu estava com a Alice agarrada em mim que nem um carrapicho e pegando sozinha minhas malas na esteira. Ninguém se ofereceu pra me ajudar, ninguém. Não quer dizer que eu não consiga fazer sozinha. Eu consigo e fiz. Mas se alguém se oferecesse pra me ajudar eu aceitaria de bom grado, pois me facilitaria as coisas. Aliás, acabo de me lembrar de um fato que deixaria aquele famoso político homofóbico de cabelos em pé: numa outra viagem que fiz com a Alice, tinha um travesti ao meu lado que foi extremamente gentil ao se oferecer pra me ajudar com minha bagagem. Aquela dezena de "machos alfa" que estavam no aeroporto ontem não tiveram um centésimo dessa mesma gentileza e cavalheirismo.

Então, enquanto dura essa minha onda de indignação, quero propor a vocês um desafio: pensem no que eu disse, avaliem suas vidas. Pensem que nossos filhos aprendem com o exemplo, que eles irão repetir os atos que nós fazemos, as vezes automaticamente. Avaliem no impacto positivo que vocês causam no mundo quando cedem dois minutos da sua vida pra ajudar alguém, por mais ínfimo que esse ato possa parecer. Que não é preciso de grandes atos, não é preciso largar todos os seus bens e se mudar para a África para combater a fome. Você pode ajudar muito fazendo um pequeno ato a cada dia. E, se ainda assim, vocês continuarem achando que sua atitude não vai mudar em nada o mundo, lembrem-se de que hoje é só a sua atitude, mas amanhã será a sua e a dos seus filhos, que irão repetir as boas ações, pois viram os pais fazerem assim. E depois de amanhã, a sua, dos seus filhos e a dos seus netos. Isso será multiplicado, podem ter certeza disso. Vamos tentar?

segunda-feira, julho 18, 2011

Aprendendo a ser líder com o Movimento Escoteiro



No final de semana retrasado eu participei de uma atividade no nosso grupo escoteiro que tinha o objetivo de ensinar e relembrar várias técnicas para os jovens. E umas das atividades me chamou bastante a atenção, porque falava sobre liderança. E eu pensei bastante sobre isso, me lembrei do quanto o escotismo foi importante na minha formação, nos meus primeiros passos sobre liderança, sobre o que é ser um bom líder.

Você pode estar se perguntando: o que escotismo tem a ver com liderança? Na verdade, escotismo tem a ver com um monte de coisas que a maior parte das pessoas nem sonha. São diversos valores e potenciais trabalhados com leveza, com ares de brincadeira e diversão, que proporcionam um aprendizado para a vida inteira. Então resolvi que, periodicamente, vou falar um pouco sobre o assunto aqui no blog, pra dismistificar

Bem, mas eu não vou falar com as minhas palavras. Vou colocar aqui um pouco do que o escotista Claudinei Cunha falou no dia do acampamento, já que foi o responsável por essa dinâmica e acredito que as palavras dele sejam mais adequadas, até pra não fugir do contexto do que foi apresentado. Mas coloquei algumas observações e complementos meus, então no fim é um texto a quatro mãos:

Quem pode se considerar um bom líder? E quem vocês acham que é um líder melhor? Quem faz tudo e pronto ou quem consegue delegar as funções? Claro que um bom líder é sempre aquele que consegue delegar para os seus comandados as funções que precisam ser feitas e cuidar para que elas sejam feitas de maneira satisfatória. Surgiu um problema? Ai esta o líder para orientar, motivar e até cobrar a equipe para que tudo aconteça e funcione como uma máquina. E isso inclui comunicar as falhas de cada um (com calma e com educação), porque as pessoas nem sempre enxergam onde erraram. Comunicar as falhas de uma pessoa é dar a ela a chance de fazer novamente do jeito certo.

O bom líder não é aquele que grita mais, que briga mais, ou que é o mais temido. Aliás, o bom líder realmente não é aquele mais temido, afinal, ser temido não é necessariamente ser respeitado. O bom líder deve buscar ser respeitado, e ser, por natureza, o encorajador, o que nunca desanima, aquele que está sempre animado frente aos desafios e dificuldades - tomando cuidado para não cair no estilo "Pollyana".  Nada mais importante do que ter consciência do verdadeiro tamanho da adversidade e não se deixar cair no pessimismo ou derrotismo, incitando assim seus companheiros a fazer o mesmo.

No movimento escoteiro podemos ver vários exemplos de verdadeiros lideres. A primeira pergunta que se faz é: líder dentro do movimento escoteiro é o monitor? O chefe? Sim também são esses. Mas todos os escoteiros e escoteiras são lideres: na sua escola, em suas casas, na comunidade em geral. Com o conhecimento obtido no Movimento, eles podem se sair bem em todos os demais cenários. E normalmente isso acontece naturalmente - quando a pessoa resolve dar um "empurrãozinho" em si mesma. Então devemos aproveitar a grande oportunidade que o escotismo nos dá de aprender a ser um bom líder seguindo o esquema "ver e fazer”. como é ser um bom líder. 

Uma grande pedra de tropeço para um lider é a preguiça. Não se espante, essa é a mais pura verdade, é a preguiça mesmo! Já perceberam quantas coisas deixamos de fazer apenas por preguiça? Aquela vontade de não fazer nada que nos gruda no safá em frente à TV simplesmente não fazendo N-A-D-A. Muitas vezes eu me deixei levar e fiz exatamente isso - nada. Daí vieram todas as coisas que, de alguma forma, fugiam ao meu controle, ou me levaram a alguma situação que não saiu como eu esperava. Na hora culpava a tudo e a todos, menos a mim e a minha PREGUIÇA.  Mas olhando agora com mais atenção, analiso que foi apenas minha vontade de fazer nada, que é a vontade avessa a de ser um grande líder.

Quer ser um bom líder dentro do movimento escoteiro? Não tenha preguiça de ser um.

Quer ser um bom líder na sua profissão? Então não tenha preguiça de ser um! De o exemplo, seja animado, faça o que tiver que fazer (e, falando em trabalho, isso significa um pouco de sacrifício às vezes). Dá trabalho ser um líder, mas com certeza vale à pena.

Tenho certeza que dentro do movimento escoteiro e em todas as patrulhas não existe um jovem sequer que não seja um bom e grande líder. Se você é um bom escoteiro, certamente é um bom líder, uma coisa esta praticamente amarrada na outra. Nem todo grande líder foi (ou é) um escoteiro, mas com certeza todo escoteiro é um grande líder, basta querer.

E, para não deixar nosso discurso sem uma boa "ilustração", segue uma lista de famosos que participaram ativamente do Movimento Escoteiro. Veja só se o que falamos acima não é verdade:

Barack Obama - Primeiro presidente negro dos EUA e oitavo presidente dos EUA que foi escoteiro
Bill Clinton - Ex-presidente dos EUA
Bill Gates - Fundador da Microsoft
Benjamim Sodré - Almirante da Marinha do Brasil, futebolista de Botafogo e América-RJ além de jogar pela Seleção Brasileira de futebol.
Frei Betto - Escritor
Geraldo Alckmin - Governador de São Paulo
Gilberto Dimenstein - Jornalista
Itamar Franco - Ex-presidente e governador de Minas Gerais
Jacques Cousteau - Biólogo francês
J.K. Rowling - Escritora inglesa
José de Alencar - ex-vice presidente da República
Karol Józef Wojtyła - Papa João Paulo II
Juscelino Kubitchek - Ex - presidente
Leda Nagle - jornalista (bandeirante)
Luis Antonio Fleury Filho - Ex-governador de São Paulo
Maria Clara Machado - Escritora (bandeirante)
Neil Armstrong - Astronauta, primeiro homem a pisar na Lua.
Steven Spielberg - Diretor e produtor de filmes
Washington Luiz P. de Souza - Ex-governador de São Paulo e ex-presidente do Brasil

quinta-feira, julho 14, 2011

Nossa idade é aquela que escolhemos ter


Qual a sua idade? Você pensa muito sobre isso? Se sente com a idade que tem? A gente estava batendo um papo no twitter sobre isso, eu e minhas amigas Ana Carolina Amado e Rogéria Thompson. Tudo começou com um comentário da Rogéria no blog da Mulher e Mãe, no qual ela falava que tinha feito 40 e eu não acreditei de jeito nenhum. Sabe aquela pessoa super animada, super jovem, por dentro e por fora? Pois é, a Rô é assim. Então qual não foi a minha surpresa quando ela contou que estava meio em crise depois de ter feito aniversário. E ela me sugeriu que eu falasse sobre isso aqui no blog.

Parei pra pensar como é comigo. Mas acho que eu não posso ser referência não, eu não dou menor bola pra idade. Inclusive para a minha. Quando me perguntam quantos anos eu tenho, sempre preciso parar por uns segundos pra pensar antes de responder. As vezes respondo errado, uma vergonha.

Pra mim a idade está na nossa cabeça. Não acredita? Então pensa aí em quantas pessoas você conhece que têm mais de 30 e continuam se vestindo e agindo como se não tivessem chegado aos 18? E quantas pessoas você conhece que agem como se já fosse velhas? Aposto que um monte, não é? Eu não acho que a idade defina a gente, assim como também não nos define a nossa aparência externa, como falei no post de hoje lá do Mulher e Mãe.

Claro que eu posso pensar assim porque tive alguns exemplos fortes disso na minha família. Meu avô materno, aos quase 80 anos, subia o Morro do Careca, em Natal, com um dos netos de 5 anos nas costas, na maior velocidade. Eu e minha irmã nos arrastando atrás, quase morrendo. Com quase 90 ele se separou da mulher (a 2ª, a 1ª era minha avó, que morreu quando eu tinha uns 7 anos) e foi morar com uma outra que tinha a minha idade. Tudo na maior naturalidade do mundo. 

Meu pai sempre teve um pique invejável. Trabalhava a semana inteira, jogava tênis 2 ou 3 vezes por semana a noite, regatas no fim de semana. Fora as milhares de programações extras, como churrascos, pagodes, jogos de futebol e etc. Recentemente, com 60 anos, se aposentou, largou tudo e foi morar no veleiro dele, realizar um sonho antigo. Aí conheceu uma mulher, se apaixonou, foram morar juntos no barco. A grana apertou e ele voltou pra Brasília, passou a dar aulas numa faculdade e ela trabalhando também, capitalizando para voltarem pro barco em 1 ano e pouquinho. Onde estava mesmo escrito que aposentado tem que ficar em casa, de chinelinho e meia, vendo tv e lendo o jornal?

Eu estou com 32 anos. Acho que ainda não cheguei na metade da minha vida. Tenho muitos planos ainda, muitos mesmo. Alguns são pra agora, pra realizar junto com meus filhos ainda pequenos. Mas já tenho outros pra quando eles criarem asas e voarem pra fora do ninho. Tá longe, eu sei. Mas sonhar não custa nada! E eu não quero me sentir inútil quando eu terminar de criar meus filhos! Antes que eles existissem eu tinha uma vida ativa, cheia de hobbies e atividades. Algumas eu parei por um tempo, outras eu parei totalmente. Mas de muitas eu continuo gostando um bocado. Então porque não sonhar em voltar a fazê-las quando eles não precisarem tanto de mim?

Sei que se conselho fosse bom, existiria uma pizza com esse sabor. Mesmo assim, vou dar o meu aqui: tire todos os rótulos da sua vida. Gorda, magra, alta, magra, velha, nova... Essas coisas só te definem se você deixar que te definam. Deixe todas essas coisas de lado e procure um objetivo pra sua vida, um objetivo maior, que preencha sua vida. E junte a isso atividades e hobbies que lhe dêem prazer de viver. Porque a única certeza que todos nós temos é a de que vamos morrer um dia. E pra morrer, basta estar vivo. Não é preciso ser velho. Não são só os gordos que morrem. Qualquer um pode morrer, amanhã mesmo. E sabe o que vai acontecer com todos esses rótulos? Vão apodrecer embaixo da terra, junto com essa embalagem, com esse invólucro que fica ao redor do que realmente somos. O que vai ficar de você aqui na Terra é a pessoa que você foi, as coisas que você fez, o que ensinou para os seus filhos. Essas coisas terra nenhuma vai cobrir, não vai apodrecer. Então, voltando ao tema do post, ser velho ou novo é uma coisa que só depende de você, é sua escolha de como vai encarar a vida.

O que vocês acham? Também têm outras dicas e conselhos sobre o assunto? Comentem aí e vamos gerar um debate bem legal!!

domingo, dezembro 12, 2010

Uma boa notícia

Depois de fazer o post e de entrar em contato com a Ombudsman da Folha, a jornalista Suzana Singer, tive a grata satisfação de vê-los entrar em contato comigo pedindo mais esclarecimentos sobre o caso da Giovana. E ontem a noite, o blog Mulher e Mãe já publicou a matéria que eles fizeram, em resposta à primeira.

Meus parabéns à Folha de São Paulo, por mostrar que sabe admitir seus erros e que a besteira feita por um mau profissional não servirá para que coloquem todos os demais no mesmo "balaio".

Clique aqui para ler o post do Mulher e Mãe e a matéria.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sou mãe. Sou blogueira, Com muito orgulho

Ontem à noite uma das mães do nosso grupo no twitter chamou nossa atenção para um absurdo que aconteceu com uma outra participante. A colega Giovana (que eu ainda não conheço), do blog Nascendo uma Mãe, foi procurada por uma pseudo-jornalista (me recuso a dizer que essa criatura é uma jornalista) da Folha de São Paulo, Luisa Alcantara e Silva, para fazer uma reportagem sobre mães blogueiras.

O que essa pseudo-jornalista não contou para a Giovana é que, na verdade, a reportagem era sobre os possíveis malefícios da exposição de uma criança quando uma mãe tem um blog sobre ela. Portanto, todos os comentários da Giovana foram encaixados em um contexto que não era o que ela imaginara quando deu a entrevista. Como se isso não fosse o suficiente, consta da matéria opiniões de especialistas, como um professor do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da UnB, sobre a "superexposição" das crianças e um possível elo com o bullying. Também "falam" psicólogos, pedagogos e pesquisadores.

Acontece que, curiosamente, todos os profissionais consultados têm uma opinião extremamente negativa sobre blogs feitos por mães. Eu não me admiraria se, caso entrassemos em contato com os mesmos, soubessemos que essa "amável" criatura omitiu partes do que eles disseram e só colocou o que era de interesse dela. Sem contar que eles fizeram uma "avaliação" de um caso sem nem ao menos colocar os olhos no blog da Giovana. O que me leva a pensar que apresentaram a eles um caso hipotético. Claro que eles também podem ser péssimos profissionais, mas aí já é outra história.

Enfim, eu sei que jornalistas não são seres perfeitos (assim como médicos, advogados, contadores e por aí vai). E que normalmente os piores fazem tanta caca e tanto estardalhaço que acabam manchando a imagem dos demais (a maior parte de nós tem bom caráter, acredite). Também não tenho ilusões de que a imparcialidade total e verdadeira seja possível, mas tudo tem limites. Claro que sabemos que a história de vida da pessoa, sua criação e o meio onde ela está inserida interferem na forma que escrevemos um texto. Mas daí a fazer o que esta jornalista fez tem uma grande distância. No meu livrinho isso se chama mau caratismo e falta de ética. Não se pode distorcer uma coisa para que ela seja o que você quer que ela seja. E não me interessa se algumas pessoas fazem isso. Isso continua a ser errado.

Na época em que ainda não existiam blogs, eu fiz um site sobre a minha gravidez, a primeira. Dividi medos e anseios, frustrações e esperanças. Se eu me expus? Talvez, embora eu tenha sempre um limite a respeitar, das coisas que conto. Mas em compensação, ganhei grandes amigas que passavam pela mesma barra que eu, a de ser mãe solteira. Com muitas delas eu converso até hoje, tambem fui visitar uma delas em Resende/RJ nas férias e nos divertimos um bocado. Me senti menos sozinha, menos excluída. Percebi que, ao contrário do que as pessoas ao meu redor me tentavam fazer crer, eu não era uma aberração. Então concluo que tive mais benefícios do que prejuízos.

Em minha segunda gravidez, os blogs já estavam em seu auge. Então fiz um relato muito mais detalhado do que aconteceu. Eu dizia os sintomas que me incomodavam, contava as semanas de gestação, reclamava quando tinha vontade, as vezes contava as reações do Vítor com a chegada da irmã. Exposição excessiva, diriam alguns. Quem me conhece sabe que muitas coisas que aconteceram comigo ficaram de fora do blog, pois eram coisas pessoais. E, mais uma vez, ganhei uma legião de amigas. Pessoas que passaram comigo pelas mesmas sensações da gravidez, do parto, dos primeiros cuidados com o bebê. Pessoas que me entendiam melhor do que os outros pelo simples fato de estarem passando pelas mesmas coisas. Empatia imediata. Com muitas eu aprendi coisas novas, com outras eu passei um pouco da minha experiência anterior, tudo foi se encaixando muito bem.


Bem, eu fiquei tão indignada com o que aconteceu que quase escrevi um livro aqui, ao invés de um post. Mas resumindo, o que eu tenho a dizer é:

- Quer fazer uma matéria sobre seja lá o que for? Seja sincera com o entrevistado. Um pouquinho de ética não faz mal a ninguém e ainda te poupa de possíveis problemas com a justiça no futuro. Se ninguém quiser fazer com você sobre este assunto, paciência. É um dos riscos que você precisa correr - se quiser continuar no lado bom da coisa.

- Há uma grande distãncia entre jogar os filhos aos leões e fazer um blog sobre maternidade. Um pouquinho de pesquisa joga uma boa luz sobre o assunto, não custa ir atrás e fazer um trabalho decente.

E para quem interessar possa: sim, sou MÃE. Sim, sou BLOGUEIRA. Com muito orgulho.

P.S.: Leia também:

O post da Rede Mulher e Mãe sobre o assunto

A matéria da Folha de São Paulo

O post do blog Grávida e Gata

O post do blog Hard Rock Mami

segunda-feira, setembro 20, 2010

O tema polêmico

No post anterior eu coloquei vários pontos de vista meu como prólogo. Se você não leu, peço que leia antes de ler este aqui.

Comentei que meu comentário causou um certo furor no twitter. Eu disse que não aguento mulher tão dependente do marido que, se ele morrer, ela é enterrada junto porque não consegue respirar sozinha. E o mesmo sobre maridos dependentes. E disse também que, pra mim, casamento é companheirismo, é outra coisa.

O que falei não tem nada a ver com amor. Não falei de maridos e mulheres tão apaixonados um pelo outro que não conseguem viver um sem o outro. Não falei de maridos e mulheres que fazem coisas um pelo outro para agradar. Falei de dependência mesmo.

Daquele tipo de mulher que o filho faz algo errado e ela diz: quando seu pai chegar em casa você vai ver. E espera o marido chegar para que ele eduque a criança. Daquele tipo de marido que não sabe fritar um ovo e que se a mulher não faz comida pra ele fica resmungando e sai batendo a porta. É desse tipo de coisa que eu quero falar.

Eu não estava falando da mulher que não sabe dirigir (ou que sabe e não gosta), ou do marido que não sabe pregar um botão. Eu estava falando da mulher que não sabe dirigir e não vai a lugar algum se o marido não a levar e que depois fica dizendo: eu não fui, porque o fulano não me levou... E do marido que não sabe pregar botão (ou sabe e não quer fazer) e fica reclamando que não pode usar a camisa porque a fulana não consertou. Enfim, daqueles que nem tomam uma decisão sozinhos, mesmo quando é necessário e urgente. Aqueles que não conseguem respirar sem que o outro diga: respire!!

Casamento para mim é companheirismo. É uma troca de experiências e tarefas. Boas e ruins. É também ter momentos individuais e depois poder compartilhá-los. É fazer agrados, sem obrigação e dependência. E antes que venham jogar pedra em mim sobre meu casamento ou minhas reclamações (vulgo chororô), já digo logo: não, eu não tenho o casamento perfeito e precisamos caminhar MUITO para que cheguemos perto do ideal. Mas isso não invalida em nada o que eu estou dizendo. Porque eu continuo crendo no que estou dizendo aqui. (E trabalho diariamente para que isso faça parte da minha realidade da maneira que eu gostaria que fosse).

Tenho tentado ensinar ao Vítor essa minha visão. Ele tem apenas seis anos (e meio, não esqueça de dizer, mamãe - diria ele), mas já teve diversas "aulas domésticas" sobre participação e companheirismo. Não interessa se temos empregada e/ou faxineira. Ele aprendeu a lavar suas louças. Se ele faz todo dia? Não e nem precisa. Mas ele precisa saber fazer e fazer quando for necessário. Do mesmo modo ele sabe arrumar o quarto dele, fazer pequenas refeições (o suficiente para não morrer de fome em caso de necessidade - sanduíches por exemplo), cuidar de suas coisas - roupas, brinquedos e etc. Além disso eu sempre falo para ele que precisará compartilhar as tarefas, seja do lar ou do local onde ele estiver, ser proativo e se oferecer para ajudar sempre.

Se ele faz tudo perfeitamente? É claro que não, ele é apenas uma criança pequena. Mas a semente está lançada e, com a repetição, ele vai aprender, se não tudo, pelo menos uma parte. Eu já tenho visto alguns pequenos (mas bons) resultados, principalmente com a irmã. Por falar nisso, Alice entrará no esquema assim que tiver idade suficiente. Assim como meu pai dizia, quero criar meus filhos para que sejam independentes. E assim como o Movimento Escoteiro, eu também quero oferecer à sociedade jovens preparados para a vida.

E pra não dizer que isso tudo é demagogia, preciso dizer que sinto muita falta do Gustavo ter tido esse tipo de educação para a vida. Assim como muitas pessoas por aí, os pais dele também achavam que bastava colocar na escola e dizer que é preciso trabalhar. Pronto, está resolvido, o menino está educado. Ninguém nunca sentou ao lado dele para explicar que ele precisava participar e ser companheiro. Que não podia sentar e ficar esperando que sua esposa viesse pedir a ele que fizesse as coisas, que ele deveria estar atento às necessidades de seu lar e sua família, para dividir com ela as responsabilidades. Não me entendam mal, ele é uma excelente pessoa. Apenas não foi preparado para a vida não-profissional. Mas tem disposição para mudar isso, mesmo que isso nos custe alguns arranca-rabos. E verdade seja dita, muito já mudou de lá pra cá. E isso é o que importa.

 

quinta-feira, julho 08, 2010

A maternidade e as comparações


As pessoas têm mania de comparações. Elas adoram comparar uma coisa com a outra. Principalmente as mães. E também adoram entrar numa de "meu filho não está fazendo o mesmo que o filho da fulana está". Algumas pessoas também adoram torturar pobres mães com frases do tipo "como assim seu filho tem 7 meses e ainda não senta?", "seu filho tem 1 ano e não fala? Tem algo errado!" ou ""sua filha tem 8 meses e não engatinha? Não pode!!"


E se temos dois filhos então? Ah, aí as comparações são inevítáveis. Ainda bem que a minha família não é muito disso, senão seria assim: "Ué, Vítor com a idade da Alice já ficava em pé sozinho com apoio". "Nossa, o Vítor com 8 meses já engatinhava, será que não tem nada errado com a Alice?". Mas claro que o fato da MINHA família não falar, não impede que OS OUTROS falem, né? kkkk
Ainda bem que sou muito light com isso. E eu não caio - como algumas mães caem - na tentação de ficar sofrendo por algo que o filho não faz e o filho da vizinha, da mesma idade, já faz. 

Cada criança é uma criança. Melhor ainda: cada ser humano é um ser humano. Temos nossas diferenças, nossos ritmos, nossos gostos. Todos esses são particulares. Claro que existem 2 (ou mais ) indivíduos com ritmos parecidos ou gostos parecidos. Mas não dá pra fazer disso uma regra. Se você tem 10 filhos e cria todos do mesmo jeito (se isso fosse possível), eles vão ser diferentes.

O que fazer então? Claro que isso é a minha opinião, cada um tem a sua. Mas na MINHA (humilde) opinião, o negócio é fazer como os pinguins do Madagascar, sorrir e acenar (não conhece? Olhe aqui). Aliás, ainda acho que essa é a primeira lição que toda mãe deve aprender, desde que fica grávida. Mãe que não utiliza essa tática, sofre demais na vida, aff!

Aproveitando este tema, outra coisa eu que me incomoda demais são as pessoas que acham que só tem um jeito certo na vida para educar os filhos. E claro que esse jeito é o jeito dessas pessoas, né? Claro. Então vem as pérolas que dizem que você é menos mãe se tem filho por cesariana, é menos mãe porque não amamenta, é menos mãe porque dá outros alimentos antes dos 6 meses, é menos mãe porque trabalha fora, é menos mãe porque tem uma babá, é menos mãe porque põe o filho na creche. Eu poderia passar o resto do dia aqui falando isso.

Acontece que NÃO existe SÓ UMA forma de criar os filhos. E sabe por que? Justamente pelo que falei lá em cima: cada ser humano é um ser humano diferente. Tanto as mães quanto os filhos. Então dizem: é fácil amamentar. Pode ter sido pra você, mas tem outras milhares de mães por aí que também queriam muito e não conseguiram. Eu tenho algumas amigas que passaram por isso e sofreram bastante, coitadas. (Flavinha não me deixa mentir, né sister?). E sofreram principalmente por causa dessa opressão generalizada. Dá pra crer que a paravam na rua e diziam "coitadinho", quando ela falava que não conseguiu amamentar? Pois é, Pedrão é 3 dias mais velho do que a Alice e tá lá, lindo, forte, sapeca e saudável. E engatinha desde os 6 meses. Alice com 8 meses ainda não engatinha. Dá pra comparar então?

Uma mãe não é boa mãe porque introduz alimentos antes dos 6 meses? E as que precisam trabalhar, vão matar seus bebês de fome? Decerto isso é ser boa mãe, deixar as crianças desnutridas. Uma mãe é imperfeita porque contrata uma babá para ajudar em casa? Então carregar o mundo nas costas e ficar sobrecarregada e estressada deve ser requisito pra ser boa mãe, certo? Uma mãe é partidária de dar palmadinhas nos filhos, isso dá direito a outra pessoa de vir criticar? Como disse minha amiga Marília Mercer, eu gostaria da minha parte dos palpites em fraldas, por favor.

Algumas pessoas por aí dizem que não existe isso de SER MENOS MÃE. Eu acho que existe sim. Uma mulher é MENOS MÃE DO QUE OUTRA quando negligencia os filhos, quando espanca as crianças a ponto de mandar pro hospital, quando as deixa sozinhas em casa de noite para ir pro bar encher a cara, quando abandona um recém nascido na lata do lixo e não se arrepende do que fez. Assim como a lista de críticas, eu poderia passar o resto do dia aqui listando a lista das mães que são menos mães do que as outras.

Se uma mãe ama seu filho, ela é quem sabe o que é melhor pra ele. Ela pode estar errada? Claro que pode! Mas o que dá direito a outra pessoa ir lá criticar? Por acaso ela também não está errada em nada, nadinha? Nunca vai estar? Pois é, entramos na velha história de atirar a primeira pedra.

Acho que poderíamos propor ao mundo um acordo: vamos ser mais solidários com o próximo, tentar enxergar melhor as dificuldades do outro. A maternidade precisa ser mais valorizada e menos criticada. E aí fica o mote pro próximo post, quando vou falar de um movimento muito legal que tá rolando na internet.

Eu amo muito os meus filhos e estou sempre tentando fazer o melhor para eles. Se errei? Claro que errei, um montão de vezes. Mas ainda assim fiz achando que era o melhor para a vida deles. E quando vi que estava errada, fui logo atrás de outra forma de alcançar o objetivo. Afinal, o bom desta vida é que a gente pode recomeçar. E pra isso, graças a Deus, existem MUITAS formas de alcançar o mesmo objetivo.

domingo, junho 13, 2010

Eu, Vítor e o escotismo

Nós 3 com a camiseta do Acampamento de Grupo - Acampam
Contei que o Vítor entrou no Movimento Escoteiro? Pois é!! Por enquanto ainda é informalmente, porque ele ainda não tem 6 anos e meio. Claro que isso termina no mês que vem, quando ele finalmente alcançará esta idade.Eu fui escoteira por muitos anos. Fiz muita coisa legal, aprendi muita coisa legal. Até chefe de lobinhos eu fui (lobinhos é como são chamadas as crianças entre 7 e 11 anos que fazem parte do Movimento Escoteiro).

Engana-se quem pensa que ser escoteiro é só aprender a acampar, fazer fogueira com dois pauzinhos (coisa que eu não sei até hoje) e ajudar velhinha a atravessar a rua. No Escotismo se aprendem valores importantes e meio esquecidos hoje em dia, como valorizar e amar a nossa Pátria, disciplina e responsabilidade, entre muitos outros.

Pra se ter uma idéia, basta ver a definiçao da Missão do Movimento Escoteiro, de acordo com a União dos Escoteiros do Brasil (UEB):


Missão
A missão do escotismo é contribuir para a educação do jovem, baseado em sistema de valores baseados na Promessa e na Lei Escoteira, ajudando a construir um mundo melhor, aonde se valorize a realização individual e a participação construtiva em sociedade.

Foto tirada pelo chefe Souza Neto, num acampamento de chefia, em 1998

Mas o melhor de tudo isso é que as crianças, na maior parte do tempo, nem percebem que estão aprendendo tudo isso. Como? Vou dar um exemplo de uma atividade que fiz, há muitos anos, em uma atividade em que estavam reunidos lobinhos de todo o Distrito Federal. Cada Grupo Escoteiro estava responsável por desenvolver atividades sobre uma região do País. O nosso ficou com o Centro-Oeste. Então inventei uma história sobre um menino que tinha um grande sonho: construir uma cidade. Que todos zombavam dele e diziam que aquilo era apenas um sonho, que nunca iria acontecer. E blá-blá-blá, fui inventando coisa na história, dizendo que ele teve que estudar pra ser médico, pois precisava ganhar dinheiro e que o sonho foi ficando cada vez mais distante, mas que ele nunca desistia. Aí eu não me lembro mais o que foi que eu inventei (afinal faz tempo pra dedéu) mas cheguei no ponto em que ele se tornou Presidente da República e construiu Brasília. Só me lembro que perguntava pras crianças: e aí, vocês sabem quem foi este menino? E eles gritavam: siiiiiimmm!!! Juscelino Kubtschek!!!

  Nos meus tempos de chefe de lobinhos

Aí depois a gente fazia uns joguinhos sobre os outros Estados da Região Centro-Oeste, que eu não me lembro absolutamente nada do que eram, mas que se eu fosse fazer hoje, por exemplo, seriam sobre as características mais famosas, como o Pantanal, comidas típicas, por aí. O que eu quero explicar é: e fosse aula de geografia e história, duvido que eles teriam aprendido com tanta boa vontade como aprenderam nessa atividade. Em tempo: esse "encontro" de lobinhos chama-se Jambra (se não me engano, Jângal Brasília - me corrijam se eu estiver errada, faz muito tempo já).

Se faz diferença na vida dessas crianças. Sim, faz. Muita. Vamos começar pela minha vida: aprendi a me virar, a ser independente, a tomar a liderança, como ser líder, cozinhar, administrar, entre outras coisas. Na vida de muitas pessoas que conheci: meninos que aprenderam a cozinhar (coisas que a maioria não tinha aprendido em casa), lavar louça, ter cuidado com a aparência e as roupas, organizar suas coisas, respeitar as pessoas, entre muitas outras. Coisas que já vi que estão dando diferença na vida do Vítor, mesmo ele estando lá há aproximadamente dois meses: já sabe lavar o próprio copo, prato e talheres, sabe cortar coisas simples, como uma cebola ou linguiça e já sabe se virar com o próprio sanduíche.

Vítor e Gui cozinhando no Acampam

Então, gostou? Quer saber mais? Vai lá no site da UEB, lê tudinho. Se gostar mesmo, procura lá o endereço do Grupo Escoteiro mais próximo e faz uma experiência com seu filho. Eu acho que vale muito a pena! 

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P.S.: Vou aproveitar pra contar uma historinha engraçada. Um dia estávamos em uma atividade com escoteiros de todo o DF no Eixão e eu estava completamente uniformizada e precisando de uma informação. Cheguei perto de uma senhora velhinha pra perguntar e, antes mesmo que eu abrisse a boca, ela começou a falar: não preciso que me ajudem a atravessar a rua. E eu ia abrir a boca e ela repetia: não preciso que me ajudem a atravessar a rua!!! Eu quase tive que gritar que não queria ajudá-la a atravessar o diabo da rua, que só precisava de uma informação! kkkk

segunda-feira, março 01, 2010

Vítor e o certo x errado

O Vítor tem uma relação muito forte com o certo e o errado. Claro que como outras crianças, muitas vezes isso não vale pra ele mesmo, mas normalmente só com besteirinhas. Com as coisas grandes, as sérias, as "de verdade", ele é muito certinho e até radical de vez em quando.

Quando ele tinha dois aninhos eu fui a um centro comercial com ele e o cara que estava na nossa frente jogou um papel de picolé no chão. Ele não perdeu tempo, gritou em alto e bom som: "Mamãe, esse cara é um porcalhão!! Ele jogou o papel no chão!!". O cara rapidamente se desculpou, pegou o papel e jogou na lixeira. E eu me dividindo entre a vontade de abrir um buraco no chão e me esconder e a vontade de morrer de rir.

A última mais séria dele foi no Carnaval. A gente estava numa pousada, onde apareceu uma cachorrinha, filhotinha. A moça da recepção nos disse que ela estava lá há uns dias, mas era de rua. O Vítor gamou na bichinha e onde um ia, o outro ia atrás. Eu imagino que, para um dono de pousada, não deve ser nada agradável ter um cão de rua no seu estabelecimento. Principalmente porque nem todo mundo gosta de cães. Sem contar que ela, por ser filhote, carregava e escondia os chinelos dos hóspedes, assim como tudo que ela encontrava pela frente dando sopa. A gente achava engraçado, mas claro que nem todo mundo achava.

E eis que uma noite eu fui com o Vítor na recepção dos chalés pedir um óleo pra colocar no suporte da rede e claro que a bichinha foi junto. Chegando lá, o recepcionista da noite nos pergunta se queremos levá-la pra casa conosco, que ela é mansinha. Respondo que gostaria mas que não posso, já tenho dois gatos e duas crianças (pensei em dizer que tenho um marido também, mas achei melhor ficar quieta...rs). E ele, depois de uns minutinhos de conversa, tenta dar um bicão na pobrezinha!! Vítor ficou F-U-R-I-O-S-O! Se eu não seguro o menino, ele ia bater no cara que tinha o dobro do tamanho dele. Eu falei pro cara que não era assim que ele ia resolver o problema e coisa e tal, mas Vítor ficou bravíssimo, até rosnou pro cara! kkkk

Claro que depois fui conversar com o dono da pousada, fazer uma reclamação. Afinal eu entendo o problema dele, mas não é assim que seria resolvido. E ele me pediu desculpas e pediu que eu dissesse ao Vítor que nem todo mundo tem a educação que a mãe dele deu a ele...rs

Bem, o rapaz não tentou mais chutar a cachorrinha, pelo menos não na nossa frente. Mas todas as vezes que ele chegava perto do nosso chalé e ela estava lá, era recebido com muitos latidos e rosnadas dela. Claro, né?

Pena que eu estivesse com o carro lotado, de gente e de malas. Senão juro que trazia pra Brasília e achava alguém pra adotar!