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quarta-feira, janeiro 30, 2013

Minhas impressões sobre o documentário "Muito Além do Peso" - parte II

Como não coube tudo o que eu queria dizer em um post só, vamos à segunda parte. Foi bom ter esperado um pouco para escrever esse, porque os comentários do post anterior me fizeram pensar ainda mais. Como por exemplo a "coincidência" de que todas as crianças mostradas não conhecem nada de legumes.Será que isso é regra mesmo ou é exceção?

Outra coisa que ficou por dizer é que eu não sei ao certo se os produtos in natura são mesmo tão caros assim. Como eu falei nos comentários da divulgação do post no meu FB, na quinta passada eu fui à feira com as crianças com R$ 40 reais e enchi o carrinho. Comprei bananas, abacaxi, maçã, pêra, uva (sem caroço, que é mais cara), pimentão, berinjela, cebola, batata bolinha, couve-flor, alho e sei lá mais o que, nem lembro de tudo. Acho que o problema é que a gente se acomoda, sabe? Ir ao supermercado é mais prático, tá aberto até tarde, é melhor do que acordar cedo para ir à feira. Fazer o bolo em casa é mais complicado, então melhor é comprar o bolo pronto. Fazer suco dá trabalho e suja louça, então o de caixinha é mais rápido.

E estou falando por experiência própria mesmo! Até posso ficar feliz por um lado porque não mando salgadinhos ou refrigerante para meus filhos de lanche na escola, mas por outro lado ainda me sinto mal por mandar bolo Ana Maria e suco de caixinha. Já consegui me organizar para comprar legumes e frutas na feira pelo menos uma vez a cada 15 dias (aqui em casa as coisas duuuuuuuuram que é uma beleza). Mas quero ver se pelo menos duas vezes por semana eu mando algo feito em casa, menos industrializado. Nem vou me enganar dizendo que vou fazer mais do que isso, porque o trabalho não vai deixar. Mas vou tentar me esforçar um pouco mais e deixar de preguiça. Ah, aumentar a frequência com que eu mando frutas!

Quanto aos resultados de ter convidado o Vítor a assistir o documentário comigo, eu acho que teve muito mais prós do que contras. Acho que o principal contra foi que ele agora acha que não está sujeito a passar por nada disso porque é magrinho e porque não gosta de um monte das coisas que mostraram ali. Mas o que ele não entendeu que por ele não comer um monte de coisas saudáveis ele também pode ficar doente, e agora eu catei o vídeo do Medidinha Certa da Globo em que aparece o menino que era magrinho e ativo, mas tinha os níveis de várias coisas (como colesterol) super alterados. Vou mostrar para ver se ele entende. E outra coisa que percebi é que não basta deixar a criança assistir e pronto. Tem que conversar e explicar um monte de coisas, ensinar a não aceitar tudo que recebe como verdade absoluta. Mas entre os muitos prós está o fato de que ele agora entende porque sou tão chata com guloseimas e porcarias durante a semana. Além disso ele agora anda analisando as propagandas (hum, de vez em quando isso não é tããããão legal assim...rs).

Enfim, acho que esse é um tema que não tem fim, semre vai ter o que escrever, sempre vai ter o que falar. E acho que o caminho é esse mesmo: refletir, se informar, passar essas informações para frente, debater e procurar fazer sempre o melhor para os nossos filhos, mas sem radicalismos, não tirando deles o gostinho bom da vida!

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Minhas impressões sobre o documentário "Muito Além do Peso"

Uma das cenas iniciais do documentário
Eu e Vítor assistimos juntos ao documentário "Muito Além do Peso". Confesso que fiquei pensando se não era arriscado assistir com ele assim de primeira, sem nem ter dado uma espiadinha antes. Vai que tinha algo inapropriado para a idade dele, sei lá. Mas por tudo que eu tinha lido por aí, achei que valia a pena arriscar e que provavelmente traria mais benefícios do que malefícios. E depois de assistir achei que precisava compartilhar um pouco das minhas conclusões. Por isso acho que esse post será um pouco polêmico, afinal opinião é que nem nariz, cada um tem o seu. Só que acho que o público que costuma me visitar aqui geralmente lida bem com opiniões divergentes, o que sempre gera um debate saudável. Espero que continue assim! :)

Não concordo com tudo o que foi dito lá, mas acho que todo mundo deveria assistir também. Os que têm filhos e os que não têm. Crianças também. Deviam passar nas escolas. Não acho que tudo que foi dito lá deve ser aceito como verdade absoluta e nem que devamos mudar radicalmente de opinião e de vida. Mas acho que é muito bom para refletir e enxergar um pouco mais do que estamos acostumados a ver todos os dias.

Esse é um assunto tão amplo e complexo que nem sei se vou conseguir passar direito o que eu penso aqui, sem deixar algum mal entendido. Mas também vou correr esse risco. Eu sempre bato na tecla de que é preciso haver equilíbrio na vida. Não dá para negar que essas guloseimas são ótimas, super gostosas, que todo mundo prefere mesmo isso a coisas saudáveis (claro que existem exceções por aí). Só que é aí que entra o papel do adulto: por mais que seja muito mais gostoso, não dá para comer todos os dias. É preciso ser a exceção e não a regra. E para isso é preciso dizer não para a criança, por mais difícil que isso pareça ser. Afinal, crianças só enxergam o imediato, ao contrário dos adultos.

 E é exatamente por isso que cabe ao adultos o papel de não deixar isso acontecer, porque sabemos que nem tudo que é bom hoje será bom amanhã. O problema é que isso nos torna os chatos da história. E eu percebo que atualmente muitos pais não querem ser chatos, eles querem que os filhos tenham verdadeira admiração por eles, os filhos não podem ser frustrados. Como no começo do documentário, quando o menino se joga no chão e faz uma bela pirraça. A mãe resiste um pouco, mas dá o pacote de batatas que o menino quer. Pode até parecer, mas não estou julgando aquela mãe, eu também não sou a mãe perfeita. Mas o problema é exatamente esse: cada vez que recompensamos nossas crianças por um mal comportamento para que ela fique quieta ou para que não nos sintamos mal, criamos um problema ainda maior. Quando isso acontece de vez em quando, beleza. Mas quando isso se torna uma rotina, vira mesmo um problemão.

Outra coisa que me deixou muito surpresa é o desconhecimento dos pais a respeito do que é ou não saudável. E de acharem que o que passa na televisão é sempre verdade. Isso é um problema muito arraigado, com raízes muito profundas. Se a indústria se aproveita disso? Claro que sim. O problema é exclusivamente deles? Absolutamente não! Porque não há ELES, sinceramente. Não são robôs que estão nas fábricas, nas agências de publicidade, nas diretorias das grandes empresas. Somos nós, nossos maridos, nossos primos, nossos pais e mães, nossos primos e nossos amigos. São pessoas. Somos NÓS! E é por isso que acredito que precisamos parar de culpar os outros e olhar mais para dentro. É preciso disseminar a informação, fazer o esclarecimento e lutar para que isso vá o mais longe possível. Está nas nossas mãos.

Ainda há muito o que eu gostaria de falar! Sobre a facilidade dos produtos industrializados, sobre como nos acomodamos com a praticidade deles, sobre como nos enganamos quanto à quantidade de comida que uma criança precisa e sobre a minha experiência aqui em casa, sobre o que eu resolvi que vai mudar e o que eu acho que já estou no caminho certo. Ah, claro! Sobre os resultados de ter feito o Vítor assistir comigo, bons e ruins. Mas isso vou deixar para outro post, que já falei muito Por agora...rs

Enquanto não publico o outro post, que tal você também assistir ao documentário e me contar o que achou?


quinta-feira, julho 14, 2011

Nossa idade é aquela que escolhemos ter


Qual a sua idade? Você pensa muito sobre isso? Se sente com a idade que tem? A gente estava batendo um papo no twitter sobre isso, eu e minhas amigas Ana Carolina Amado e Rogéria Thompson. Tudo começou com um comentário da Rogéria no blog da Mulher e Mãe, no qual ela falava que tinha feito 40 e eu não acreditei de jeito nenhum. Sabe aquela pessoa super animada, super jovem, por dentro e por fora? Pois é, a Rô é assim. Então qual não foi a minha surpresa quando ela contou que estava meio em crise depois de ter feito aniversário. E ela me sugeriu que eu falasse sobre isso aqui no blog.

Parei pra pensar como é comigo. Mas acho que eu não posso ser referência não, eu não dou menor bola pra idade. Inclusive para a minha. Quando me perguntam quantos anos eu tenho, sempre preciso parar por uns segundos pra pensar antes de responder. As vezes respondo errado, uma vergonha.

Pra mim a idade está na nossa cabeça. Não acredita? Então pensa aí em quantas pessoas você conhece que têm mais de 30 e continuam se vestindo e agindo como se não tivessem chegado aos 18? E quantas pessoas você conhece que agem como se já fosse velhas? Aposto que um monte, não é? Eu não acho que a idade defina a gente, assim como também não nos define a nossa aparência externa, como falei no post de hoje lá do Mulher e Mãe.

Claro que eu posso pensar assim porque tive alguns exemplos fortes disso na minha família. Meu avô materno, aos quase 80 anos, subia o Morro do Careca, em Natal, com um dos netos de 5 anos nas costas, na maior velocidade. Eu e minha irmã nos arrastando atrás, quase morrendo. Com quase 90 ele se separou da mulher (a 2ª, a 1ª era minha avó, que morreu quando eu tinha uns 7 anos) e foi morar com uma outra que tinha a minha idade. Tudo na maior naturalidade do mundo. 

Meu pai sempre teve um pique invejável. Trabalhava a semana inteira, jogava tênis 2 ou 3 vezes por semana a noite, regatas no fim de semana. Fora as milhares de programações extras, como churrascos, pagodes, jogos de futebol e etc. Recentemente, com 60 anos, se aposentou, largou tudo e foi morar no veleiro dele, realizar um sonho antigo. Aí conheceu uma mulher, se apaixonou, foram morar juntos no barco. A grana apertou e ele voltou pra Brasília, passou a dar aulas numa faculdade e ela trabalhando também, capitalizando para voltarem pro barco em 1 ano e pouquinho. Onde estava mesmo escrito que aposentado tem que ficar em casa, de chinelinho e meia, vendo tv e lendo o jornal?

Eu estou com 32 anos. Acho que ainda não cheguei na metade da minha vida. Tenho muitos planos ainda, muitos mesmo. Alguns são pra agora, pra realizar junto com meus filhos ainda pequenos. Mas já tenho outros pra quando eles criarem asas e voarem pra fora do ninho. Tá longe, eu sei. Mas sonhar não custa nada! E eu não quero me sentir inútil quando eu terminar de criar meus filhos! Antes que eles existissem eu tinha uma vida ativa, cheia de hobbies e atividades. Algumas eu parei por um tempo, outras eu parei totalmente. Mas de muitas eu continuo gostando um bocado. Então porque não sonhar em voltar a fazê-las quando eles não precisarem tanto de mim?

Sei que se conselho fosse bom, existiria uma pizza com esse sabor. Mesmo assim, vou dar o meu aqui: tire todos os rótulos da sua vida. Gorda, magra, alta, magra, velha, nova... Essas coisas só te definem se você deixar que te definam. Deixe todas essas coisas de lado e procure um objetivo pra sua vida, um objetivo maior, que preencha sua vida. E junte a isso atividades e hobbies que lhe dêem prazer de viver. Porque a única certeza que todos nós temos é a de que vamos morrer um dia. E pra morrer, basta estar vivo. Não é preciso ser velho. Não são só os gordos que morrem. Qualquer um pode morrer, amanhã mesmo. E sabe o que vai acontecer com todos esses rótulos? Vão apodrecer embaixo da terra, junto com essa embalagem, com esse invólucro que fica ao redor do que realmente somos. O que vai ficar de você aqui na Terra é a pessoa que você foi, as coisas que você fez, o que ensinou para os seus filhos. Essas coisas terra nenhuma vai cobrir, não vai apodrecer. Então, voltando ao tema do post, ser velho ou novo é uma coisa que só depende de você, é sua escolha de como vai encarar a vida.

O que vocês acham? Também têm outras dicas e conselhos sobre o assunto? Comentem aí e vamos gerar um debate bem legal!!

quinta-feira, março 17, 2011

Quando a gente se questiona sobre sermos quem somos

Nas últimas semanas antes de sair de Brasília eu passei por dias muito difíceis. A mudança em si, as caixas, isso foi moleza, mesmo eu tendo ficado até duas da manhã encaixotando coisas depois de trabalhar o dia todo e resolver milhares de pendências. Eu digo que foi moleza porque tudo na vida é relativo. E comparado com os outros problemas que enfrentei nessas semanas, colocar coisas dentro de caixas, fechar e empilhar é realmente moleza.

Claro que eu sabia desde o começo que teria que resolver vários problemas sozinha, já que o Gustavo já estaria em São Paulo durante esse processo. Eu sempre soube que não seria fácil, já que todas as coisas que já são complicadas de ser feitas a dois, seriam todas feitas somente por mim, que ainda estava trabalhando e cuidando de duas crianças.

Pausa

Nessa hora eu tenho que agradecer muito à minha grande amiga e chefinha, Calu. Ela me entendeu como ninguém, me deixou flexibilizar meus horários pra que eu pudesse resolver tudinho. E ainda me deu tempo de desencaixotar minhas coisas aqui em Sampa antes de voltar com tudo pro trabalho. E a amo, mas não é uma relação lésbica, tá? rsrs

Despausa

Enfim, uma das coisas que mais me baqueou nesses dias foi um puxão de tapete que levamos de uma pseudo advogada, que fez um acordo conosco, nós cumprimos a nossa parte, ela disse que não iria cumprir a dela e inventou um monte de desculpas. Fiquei arrasada, me sentindo idiota por ter acreditado. Porque eu sou assim, eu tenho a tendência de acreditar nas pessoas. Está enraizada em mim a crença de que eu tenho uma palavra e sempre procuro cumprir o que prometo. Eu sou tão chata com isso que raramente falo a palavra "prometo", a não ser que eu tenha plena certeza de que vou poder cumprir aquilo. E mesmo assim, mesmo sem falar a temida palavra, eu sempre me faço em mil pra cumprir os compromissos que firmo. Então tenho a tendência a acreditar que as pessoas também têm palavra, que cumprem o que falam. E fico arrasada quando alguém quebra um acordo assim, com a maior facilidade e cara de pau do mundo.

Confesso que fiquei me questionando se o meu jeito de ser estava certo. Se eu não deveria mudar e ser mais "esperta", deixar de acreditar nas pessoas. Mas assim que eu pensei nisso, logo vi que assim é que eu estava sendo idiota. Eu não vou permitir que ninguém faça com que eu me sinta mal por ser do jeito que eu sou, por estar do lado "bom" do mundo.

E conversando com minha querida amiga Lele, que também está chateada por motivos muito parecidos, chegamos à algumas conclusões. Nós não somos bobas e ingênuas não. Nós é que estamos certas de sermos como somos. Nós podemos colocar a cabeça no travesseiro todas as noites, porque temos certeza de que cumprimos nossa palavra. Nós temos é que nos orgulhar de sermos assim, de acreditarmos nas pessoas, porque mesmo que as vezes a gente caia do cavalo, sempre tem alguma vez em que fizemos a diferença pra alguém justamente por sermos do jeito que somos.

O mundo seria muito melhor se as pessoas fossem como nós somos. E além disso, nossos filhos aprendem pelo exemplo. E nem eu nem ela queremos criá-los com o exemplo de pessoas que desconfiam dos outros, que não têm palavra, que vivem sem essa abertura que temos.

Vítor está começando a aprender sobre a lei do lobinho, que diz que eles devem fazer uma boa ação todos os dias. E aprendendo que a boa ação, para ser uma verdadeira boa ação, deve beneficiar o outro e não a gente. Aí falei pra Lele: "Então não somos mais só eu e você. Já temos o Vítor. E a Isa. E daqui a pouco teremos a Alice e o Ota. Viu como já estamos nos multiplicando? :-)"

E um viva a todas as pessoas assim!!!!

sábado, fevereiro 05, 2011

Diga não ao Bullying Materno


Eu não ia mais falar sobre isso. Mas depois de ler o texto maravilhoso que a Ligiane Castro fez lá no blog dela, eu não aguentei e resolvi falar também sobre o que estou chamando de "Bullying Materno". Sim, muitas daquelas mesmas mães que se orgulham em ostentar selinhos ou participar de campanhas contra o bullying, fazem exatamente isso contra outras mães. É uma mania de achar que só existe UM jeito certo de educar uma criança, todos os outros não só são errados, como são abomináveis. E claro, por causa disse vale tudo, inclusive chamar alguém de "mãe de merda".

As mães passam por tanta coisa na vida! Nem preciso dizer mais nada: quem é mãe sabe a dor e a delícia que é ser o que somos. Então, por passarmos por tudo isso, deveriamos ser as primeiras a ter um olhar compreensivo para outra mãe. Mesmo que essa mãe utilize um método diferente do nosso. Mesmo que não concordemos com o que essa mãe faça. Ao invés disso, algumas não perdem um segundo em jogar várias pedras no que é diferente.

Quem nos deu autoridade para dizer qual é o modo certo de criar um filho? Porque temos um, dois, três ou vinte filhos, de repente viramos experts máximas e oniscientes nesse assunto? A ponto de nos vermos com o direito de apontar o dedo para outra mãe e acusá-la sumariamente? Se uma mãe dá ou não palmadas no filho, amamenta ou não seu filho, fez cesárea ou parto normal, trabalha fora ou não, tem babá ou não, mora em casa ou apartamento, na cidade ou no interior... tudo isso diz respeito apenas a ela e à família dela! Me pergunto porque as pessoas se acham no direito de se considerarem mães melhores apenas porque fazem as coisas de um modo diferente. É apenas um MODO DIFERENTE! E as vezes acho que esqueceram de me dar na maternidade o livrinho com as únicas regras válidas para o jogo!

Fico pensando como serão essas crianças, filhas dessas mães incapazes de aceitar o diferente. Como será quando elas começarem a absorver esses comportamentos intolerantes. Será que, no futuro, serão aqueles que vão tocar fogo no índio que está dormindo na parada do ônibus? Será que serão aqueles que espancam mendigos ou surram quem tem o cabelo roxo? Ou "apenas" praticarão bullying contra os coleguinhas da escola apenas porque eles são gordos, baixos, altos, negros, judeus, católicos, protestantes, espíritas e etc? Se continuarmos por esse caminho, em breve seremos abordados nas pracinhas, por crianças que mal sairam das fraldas, querendo nos ensinar como devemos educar os nossos filhos! Porque nós estamos dando este exemplos a eles!

Talvez seja a hora de lançar uma campanha do tipo: "Não ao bullying materno! O diferente não é necessariamente o errado." Porque eu me recuso a acreditar que a maioria dessas mães faça isso de forma consciente. Eu me recuso a acreditar que elas pensem: vou ali achincalhar um bocadinho aquela outra mãe. Eu acredito que falta apenas um pouco de incentivo, para que elas pensem um pouquinho antes de apontar o dedo para a outro. Eu acredito que seja preciso apenas um instante de reflexão para que elas parem e se coloquem no lugar da outra. Não é preciso que ninguém mude de idéia sobre uma coisa tão importante, como a educação de um filho. É preciso, urgentemente, que pratiquemos o respeito ao próximo, às suas escolhas.

Todas nós temos direito de escolha. Todas nós buscamos o melhor para nossos filhos. E pensando nisso, gostaria que todas nós dedicassemos um pouquinho do nosso dia para pensar sinceramente em duas coisas:

1 - Será que estou respeitando o direito de escolha das outras mães?

2 - Qual o exemplo de tolerância que estou dando ou vou dar ao meu filho, com minhas atitudes?

E vamos dizer NÃO Bullying Materno! Porque o diferente não é necessariamente o errado!

terça-feira, dezembro 28, 2010

Fórmula mágica para criar filhos. Será?

Eu acho um clichê do tamanho do mundo esse negócio de que, para ser boa mãe, o ÚNICO caminho é abdicar de toda e qualquer vida profissional para se dedicar única e exclusivamente às crianças. Não me levem à mal, eu até acho que é uma boa idéia e muitas vezes me peguei pensando nisso. O que eu acho que é um clichê do tamanho do mundo é achar que esse é o ÚNICO caminho.

Nem vou entrar na discussão de porque este ou aquele caminho é bom ou ruim, porque ele pode ou não dar certo. Porque este post não foi escrito para debater esse assunto e sim parar falar, mais uma vez, do respeito ao próximo. Do respeito ao outro que tem uma opinião diferente, que cria o seu filho de maneira diferente da nossa.

Nós vivemos uma vida tão múltipla! Todos os dias a vida nos mostra que existem vários caminhos para se alcançar satisfatoriamente um objetivo. E quando se fala em criação de filhos, ainda assim existe gente que levanta seu dedinho acusador para criticar o modo de criação alheio. E se acha tão boa a ponto de qualificar as demais mães como "preguiçosas" e outros adjetivos do tipo.

Eu me orgulho de fazer parte de um grupo com centenas de mãe, com centenas de opiniões diferentes sobre um monte de coisas. Mas, com exceção de um ou outro probleminha aqui e acolá, nos respeitamos e nos ajudamos. E debatemos diversos assuntos, muitos até polêmicos. Mas com um ingrediente mágico: nós respeitamos a opinião alheia. Não desprezamos outra mãe porque ela pensa e age diferente da gente. E nem saimos por aí dizendo que o tudo que está fora do que pensamos é errado e vai dar errado.

É muito fácil sair por aí rotulando as pessoas. Difícil é ser honesto consigo mesma, olhar no espelho e encarar seus defeitos e erros. Porque todos nós temos, todos nós. Sem exceção.

Então, se ainda assim alguém acha que encontrou a FÓRMULA MÁGICA PERFEITA E ÚNICA para criar filhos, corre e vai rapidinho registrar e escrever um livro. Se ela é única e perfeita mesmo, vai virar best seller e vender mais exemplares do que a Bíblia, mais do que água e coca cola no deserto, com certeza. Como eu não acredito que essa fórmula única exista, acho ótimo que essa pessoa escreva o livro mesmo. Assim, mantém seus dedinhos acusadores ocupados e deixa as outras mães em paz para fazer o que mais gostam na vida, levando suas vidas do jeito que querem, sem serem incomodadas.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sou mãe. Sou blogueira, Com muito orgulho

Ontem à noite uma das mães do nosso grupo no twitter chamou nossa atenção para um absurdo que aconteceu com uma outra participante. A colega Giovana (que eu ainda não conheço), do blog Nascendo uma Mãe, foi procurada por uma pseudo-jornalista (me recuso a dizer que essa criatura é uma jornalista) da Folha de São Paulo, Luisa Alcantara e Silva, para fazer uma reportagem sobre mães blogueiras.

O que essa pseudo-jornalista não contou para a Giovana é que, na verdade, a reportagem era sobre os possíveis malefícios da exposição de uma criança quando uma mãe tem um blog sobre ela. Portanto, todos os comentários da Giovana foram encaixados em um contexto que não era o que ela imaginara quando deu a entrevista. Como se isso não fosse o suficiente, consta da matéria opiniões de especialistas, como um professor do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da UnB, sobre a "superexposição" das crianças e um possível elo com o bullying. Também "falam" psicólogos, pedagogos e pesquisadores.

Acontece que, curiosamente, todos os profissionais consultados têm uma opinião extremamente negativa sobre blogs feitos por mães. Eu não me admiraria se, caso entrassemos em contato com os mesmos, soubessemos que essa "amável" criatura omitiu partes do que eles disseram e só colocou o que era de interesse dela. Sem contar que eles fizeram uma "avaliação" de um caso sem nem ao menos colocar os olhos no blog da Giovana. O que me leva a pensar que apresentaram a eles um caso hipotético. Claro que eles também podem ser péssimos profissionais, mas aí já é outra história.

Enfim, eu sei que jornalistas não são seres perfeitos (assim como médicos, advogados, contadores e por aí vai). E que normalmente os piores fazem tanta caca e tanto estardalhaço que acabam manchando a imagem dos demais (a maior parte de nós tem bom caráter, acredite). Também não tenho ilusões de que a imparcialidade total e verdadeira seja possível, mas tudo tem limites. Claro que sabemos que a história de vida da pessoa, sua criação e o meio onde ela está inserida interferem na forma que escrevemos um texto. Mas daí a fazer o que esta jornalista fez tem uma grande distância. No meu livrinho isso se chama mau caratismo e falta de ética. Não se pode distorcer uma coisa para que ela seja o que você quer que ela seja. E não me interessa se algumas pessoas fazem isso. Isso continua a ser errado.

Na época em que ainda não existiam blogs, eu fiz um site sobre a minha gravidez, a primeira. Dividi medos e anseios, frustrações e esperanças. Se eu me expus? Talvez, embora eu tenha sempre um limite a respeitar, das coisas que conto. Mas em compensação, ganhei grandes amigas que passavam pela mesma barra que eu, a de ser mãe solteira. Com muitas delas eu converso até hoje, tambem fui visitar uma delas em Resende/RJ nas férias e nos divertimos um bocado. Me senti menos sozinha, menos excluída. Percebi que, ao contrário do que as pessoas ao meu redor me tentavam fazer crer, eu não era uma aberração. Então concluo que tive mais benefícios do que prejuízos.

Em minha segunda gravidez, os blogs já estavam em seu auge. Então fiz um relato muito mais detalhado do que aconteceu. Eu dizia os sintomas que me incomodavam, contava as semanas de gestação, reclamava quando tinha vontade, as vezes contava as reações do Vítor com a chegada da irmã. Exposição excessiva, diriam alguns. Quem me conhece sabe que muitas coisas que aconteceram comigo ficaram de fora do blog, pois eram coisas pessoais. E, mais uma vez, ganhei uma legião de amigas. Pessoas que passaram comigo pelas mesmas sensações da gravidez, do parto, dos primeiros cuidados com o bebê. Pessoas que me entendiam melhor do que os outros pelo simples fato de estarem passando pelas mesmas coisas. Empatia imediata. Com muitas eu aprendi coisas novas, com outras eu passei um pouco da minha experiência anterior, tudo foi se encaixando muito bem.


Bem, eu fiquei tão indignada com o que aconteceu que quase escrevi um livro aqui, ao invés de um post. Mas resumindo, o que eu tenho a dizer é:

- Quer fazer uma matéria sobre seja lá o que for? Seja sincera com o entrevistado. Um pouquinho de ética não faz mal a ninguém e ainda te poupa de possíveis problemas com a justiça no futuro. Se ninguém quiser fazer com você sobre este assunto, paciência. É um dos riscos que você precisa correr - se quiser continuar no lado bom da coisa.

- Há uma grande distãncia entre jogar os filhos aos leões e fazer um blog sobre maternidade. Um pouquinho de pesquisa joga uma boa luz sobre o assunto, não custa ir atrás e fazer um trabalho decente.

E para quem interessar possa: sim, sou MÃE. Sim, sou BLOGUEIRA. Com muito orgulho.

P.S.: Leia também:

O post da Rede Mulher e Mãe sobre o assunto

A matéria da Folha de São Paulo

O post do blog Grávida e Gata

O post do blog Hard Rock Mami

quarta-feira, novembro 17, 2010

Por onde eu ando e notícias


Eu ando meio sumida do mundo virtual. Não só daqui do blog, mas também do twitter, que eu sou viciada. A verdade é que estamos enfrentando um período bem difícil, tanto aqui em casa como na minha família (problemas que variam de financeiro a saúde, passando por emocionais e tal). 

E como eu não sou da turma que acha que quem me segue no twitter ou me lê aqui no blog é obrigado a me aguentar quando estou nos meus maus dias (afinal, seguidor não é privada - esse papo de não gosta do que eu escrevo dá unfollow e vai a M não cola comigo. Educação na rede também é essencial, como em todos os outros lugares), estou dando um tempinho até que tudo se resolva e eu possa ter espírito pra rir das piadas e ficar louca pra saber das fofocas...rs

De vez em quando dou uma tuitadinha, que é pra não ter uma crise de abstinência e venho aqui também, pra contar algumas novidades, que eu também não tô no fundo do poço e ainda acontecem coisas boas na minha vida, né? :) E aqui vão algumas:

- Vítor fez sua promessa escoteira e agora é devidamente um lobinho. Foi um momento incrível pra mim. Acho que só entende isso quem já participou do Movimento Escoteiro e sabe o quanto isso foi importante em sua vida, para o crescimento pessoal. Fiquei emocionada e feliz pelo meu filho, por ele querer fazer parte dessa parcela que cada dia anda mais reduzida, das pessoas que querem colocar o seu crescimento pessoal junto com o objetivo de se tornar uma pessoa melhor para o próximo, para o nosso país, para o nosso planeta. Desde que ele entrou no Movimento, no começo do ano, ele aprendeu coisas muito legais e cresceu muito, principalmente em um dos problemas principais dele: relacionamento com outras crianças. Tenho certeza de que, assim como foi pra mim, o Escotismo fará uma diferença substancial na vida dele.

- Alice começou a andar no dia 09 de novembro. Como disse uma colega no twitter, ela está com o andar do "pato apressado". Ou seja: ela ainda nem sabe andar direito e já quer correr. Está uma graça! Mas claro, agora não quer mais colo, sempre quer ir pro chão, em qualquer lugar. E quer mexer em tudo, embora isso não seja novidade nenhuma. No último sábado levei-a comigo para a atividade do Grupo Escoteiro e ela fez a maior farra, voltou pra casa marrom de tanta sujeira. Os lobinhos fizeram bolo de caneca e a Alice se acabou de tanto comer, não sei como não teve dor de barriga. Mas ficou numa alegria sem fim...rs
(Ainda não tenho fotos dela andando, mas como coloquei uma do Vítor, tinha que colocar uma dela também, né?)

segunda-feira, setembro 20, 2010

O tema polêmico

No post anterior eu coloquei vários pontos de vista meu como prólogo. Se você não leu, peço que leia antes de ler este aqui.

Comentei que meu comentário causou um certo furor no twitter. Eu disse que não aguento mulher tão dependente do marido que, se ele morrer, ela é enterrada junto porque não consegue respirar sozinha. E o mesmo sobre maridos dependentes. E disse também que, pra mim, casamento é companheirismo, é outra coisa.

O que falei não tem nada a ver com amor. Não falei de maridos e mulheres tão apaixonados um pelo outro que não conseguem viver um sem o outro. Não falei de maridos e mulheres que fazem coisas um pelo outro para agradar. Falei de dependência mesmo.

Daquele tipo de mulher que o filho faz algo errado e ela diz: quando seu pai chegar em casa você vai ver. E espera o marido chegar para que ele eduque a criança. Daquele tipo de marido que não sabe fritar um ovo e que se a mulher não faz comida pra ele fica resmungando e sai batendo a porta. É desse tipo de coisa que eu quero falar.

Eu não estava falando da mulher que não sabe dirigir (ou que sabe e não gosta), ou do marido que não sabe pregar um botão. Eu estava falando da mulher que não sabe dirigir e não vai a lugar algum se o marido não a levar e que depois fica dizendo: eu não fui, porque o fulano não me levou... E do marido que não sabe pregar botão (ou sabe e não quer fazer) e fica reclamando que não pode usar a camisa porque a fulana não consertou. Enfim, daqueles que nem tomam uma decisão sozinhos, mesmo quando é necessário e urgente. Aqueles que não conseguem respirar sem que o outro diga: respire!!

Casamento para mim é companheirismo. É uma troca de experiências e tarefas. Boas e ruins. É também ter momentos individuais e depois poder compartilhá-los. É fazer agrados, sem obrigação e dependência. E antes que venham jogar pedra em mim sobre meu casamento ou minhas reclamações (vulgo chororô), já digo logo: não, eu não tenho o casamento perfeito e precisamos caminhar MUITO para que cheguemos perto do ideal. Mas isso não invalida em nada o que eu estou dizendo. Porque eu continuo crendo no que estou dizendo aqui. (E trabalho diariamente para que isso faça parte da minha realidade da maneira que eu gostaria que fosse).

Tenho tentado ensinar ao Vítor essa minha visão. Ele tem apenas seis anos (e meio, não esqueça de dizer, mamãe - diria ele), mas já teve diversas "aulas domésticas" sobre participação e companheirismo. Não interessa se temos empregada e/ou faxineira. Ele aprendeu a lavar suas louças. Se ele faz todo dia? Não e nem precisa. Mas ele precisa saber fazer e fazer quando for necessário. Do mesmo modo ele sabe arrumar o quarto dele, fazer pequenas refeições (o suficiente para não morrer de fome em caso de necessidade - sanduíches por exemplo), cuidar de suas coisas - roupas, brinquedos e etc. Além disso eu sempre falo para ele que precisará compartilhar as tarefas, seja do lar ou do local onde ele estiver, ser proativo e se oferecer para ajudar sempre.

Se ele faz tudo perfeitamente? É claro que não, ele é apenas uma criança pequena. Mas a semente está lançada e, com a repetição, ele vai aprender, se não tudo, pelo menos uma parte. Eu já tenho visto alguns pequenos (mas bons) resultados, principalmente com a irmã. Por falar nisso, Alice entrará no esquema assim que tiver idade suficiente. Assim como meu pai dizia, quero criar meus filhos para que sejam independentes. E assim como o Movimento Escoteiro, eu também quero oferecer à sociedade jovens preparados para a vida.

E pra não dizer que isso tudo é demagogia, preciso dizer que sinto muita falta do Gustavo ter tido esse tipo de educação para a vida. Assim como muitas pessoas por aí, os pais dele também achavam que bastava colocar na escola e dizer que é preciso trabalhar. Pronto, está resolvido, o menino está educado. Ninguém nunca sentou ao lado dele para explicar que ele precisava participar e ser companheiro. Que não podia sentar e ficar esperando que sua esposa viesse pedir a ele que fizesse as coisas, que ele deveria estar atento às necessidades de seu lar e sua família, para dividir com ela as responsabilidades. Não me entendam mal, ele é uma excelente pessoa. Apenas não foi preparado para a vida não-profissional. Mas tem disposição para mudar isso, mesmo que isso nos custe alguns arranca-rabos. E verdade seja dita, muito já mudou de lá pra cá. E isso é o que importa.

 

O twitter e as carapuças jogadas para o alto

As pessoas que me conhecem sabem que eu adoro o twitter. Sou viciada mesmo, assumo. Mas tem um problema lá que é meio complicado. É como disseram uma vez: o twitter é um monte de carapuças jogadas para o alto. E as pessoas vestem e se aborrecem muitas vezes. Então algumas coisas que falamos sem ter nenhuma segunda intenção, alcançam terceiras e quartas sem que a gente nem tenha pensado em fazer aquilo.

E isso aconteceu na semana passada comigo. Como 140 caracteres é muito pouco para expressar o que eu queria dizer, pensei bastante e decidi fazer um post, pra poder discorrer melhor sobre a minha idéia.

Acontece que antes de falar sobre o assunto, resolvi explicar umas coisas e, no fim das contas, vi que tudo ia ficar grande demais. Então vou dividir em duas partes: esse, que é o prólogo, e o próximo, que é o assunto propriamente dito.

Eu adoro discussões saudáveis. Eu sou do tipo de pessoa que acredita que você pode ter uma opinião e eu outra, e ainda assim convivermos felizes. Para isso é preciso alguns pontos básicos:

- que todas as pessoas não encarem as opiniões das outras como ofensas
- não expressem suas opiniões de modo a ofender o próximo; e
- respeitem que o outro tenha outra opinião, assim como ele tem a sua.

Parece fácil, não é? Pena que não seja. Mas quem sabe um dia?

Então, antes de ler o próximo post (e todos os outros do blog também) tenha em mente que:

- Esta é a MINHA opinião. Não estou querendo convencer ninguém, ofender ninguém e nem criar tumulto. Apenas comunicando uma constatação que tenho.

- Se você discorda, não se sinta encabulado, comente! Mas seja educado. Ofender aos outros não vai levar ninguém a lugar nenhum e nem acrescentar nada ao debate.

Qual foi a opinião que eu expressei e que causou tanto bafafá? Que eu não aguento mulheres tão dependentes do marido que se eles morrerem, elas precisam ser enterradas junto porque não conseguem respirar sozinhas (e vice versa com os maridos)! rsrs

Aguardem as cenas dos próximos capítulos!