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segunda-feira, agosto 30, 2010

Out por uns dias

Eu ando sumida, eu sei. Em parte porque ando com um certo bloqueio criativo, em parte porque voltei a trabalhar, em parte porque estou empolgada com alguns projetos de arrumação da minha casinha. E prometo que venho com post novo sobre isso em breve.

Mas vou ficar recolhida por um tempo, não só aqui no blog, como também no twitter. Acho que vocês sabem que desde o ano passado estamos planejando participar da Regata Recife Fernando de Noronha - a REFENO. Só quem é velejador pode entender o que é participar desta regata, ela é o sonho dourado de todos aqueles que têm a vela como esporte e como paixão. É um evento que, quem participa, não esquece jamais. E quem não participou quer muito participar.

Então esse planejamento, que está acontecendo desde o ano passado, na época em que eu ainda estava grávida, tem sido muito esperado, tanto por mim quanto pelo Vítor. Não tem um dia em que o Vítor não fale sobre isso, ou que eu não deite minha cabeça no travesseiro e faça planos para essa viagem. Já tinha comprado passagem e conseguido dispensa no novo trabalho. Tudo porque está viagem é muito importante para a gente.

Mas eis que, por motivos alheios à nossa vontade, o barco do meu pai não irá mais participar da regata. Eu acredito que esta tenha sido uma decisão muito difícil para ele, e ele teve os motivos dele para isso. Acontece que estou profundamente desapontada pelas coisas não terem dado certo e sem saber como contar para o Vítor.

Explico logo que eu sou do tipo de pessoa que acredita que as coisas, quando têm que acontecer, acontecem. E que nada é por acaso. Mas não dá pra não ficar desapontada e triste quando uma coisa como essas acontece. Simplesmente não dá. Não pra mim. Pode parecer bobeira para as outras pessoas, acredito que quem é velejador entenda melhor o que estou dizendo e sentindo. De qualquer modo, é um planejamento de anos, indo pelo ralo. Eu não tenho como não ficar triste.

Eu sei que vai passar, eu sei que as coisas têm um motivo para acontecer e etc e tal. Mas também sei que eu tenho o direito de ficar triste, pois era um sonho meu que se desfez. E para ter esse direito de ficar triste é que vou me afastar um pouquinho. Eu sei que as pessoas têm boas intenções quando me dizem essas coisas, que querem me animar. Mas eu me sinto como que desrespeitada, como se ficar triste fosse uma coisa absurda, mesmo sendo uma coisa tão importante pra mim.

Então por isso vou ficar fora por uns dias, até que eu esteja melhorzinha. Até porque para que eu desempenhe meu papel de boa mãe, eu preciso estar bem comigo mesma, aí posso conversar com o Vítor na boa, passando bons exemplos e dando uma compensação legal, um outro passeio, algo do tipo. Sei que não vai substituir pra ele (nem pra mim), mas vai enganar um bocadinho e distrair.

Um abraço a todos e prometo que volto o mais rápido que eu puder!

terça-feira, abril 06, 2010

Ainda sobre Noronha

Hoje, ao abrir meu e-mail, me deparei com o comentário do senhor Frederico de Alencar Lasmar, gestor do Sistema de Comunicação do Arquipélago de Fernando de Noronha. Fiquei feliz em receber sua resposta, o que significa que o apelo feito no blog não foi em vão, que não estou "pregando pro vazio", não é? :)

(Só para constar: eu liguei para o arquipélago, confirmei que ele existe e que foi ele quem me mandou a resposta, tá?)

Bem, vou colocar lá no final a resposta dele na íntegra, mas vou também dar um resuminho do que ele falou. Valendo lembrar que esse é a versão do poder público, tá? Se agora fosse setembro - quando eu estarei lá - conversaria também com alguma moradora da ilha, para pegar também a versão deles sobre o assunto.

De acordo com o senhor Lasmar, na semana passada foi apresentado um relatório com os desafios, ações, propostas, responsáveis, metas, indicadores e prazos para o Plano Noronha +20. Esse projeto define o que se é desejado para o arquipélago de Noronha nos próximos 20 anos e estabelece um ideal de gestão para que seja alcançada a sustentabilidadeno local.

O gestor afirmou ainda que esse estudo indica, entre outras coisas, que a ilha está em seu limite populacional, e que a meta é manter esse nível ou restringir ainda mais, caso não seja criado um modelo sustentável de vida nos próximos anos. "Estamos discutindo com a Secretaria Estadual de Saúde a reforma física do espaço para que possamos cumprir a meta do Plano de Saúde. Nascer em Fernando de Noronha significa também uma equipe médica permanente no arquipélago, um banco de sangue, equipamentos específicos e outras demandas (que significa aumento de carga para a Ilha)", esclarece.

Resumindo a história: por enquanto, as gestantes continuarão a fazer o pré-natal até o 7º mês na ilha e serão encaminhados para a conclusão do pré-natal e parto em hospitais do continente - Recife.

Vale ainda ressaltar a última fala da mensagem enviada por Lasmar: "Quero salientar que nascer ou não em Fernando de Noronha é na realidade uma premissa menor, a questão fundamental identificado nesse estudo é aumentar ou reduzir a carga que Fernando de Noronha suporta, e é isso que vai pautar nossas decisões como gestores da coisa pública a partir desse momento histórico para nosso Arquipélago".

Enquanto isso, eu sigo torcendo para que nesse estudo seja priorizado uma forma menos traumática de "fazer o melhor" para a gestante. Principalmente pelo fato de que elas são obrigadas a entrar de licença maternidade já no 7º mês de gravidez. Se o bebê nascer com 38 semanas, a mãe já estará sem trabalhar há 10 semanas. Foram preciosos 70 dias que essa mãe desperdiçou, que ela poderia ter usado pra ficar com seu bebê.

Além disso, a gestante já está, normalmente, num momento delicado de sua vida - sem contar na enxurrada de hormônios que invadem seu corpo. Dá pra imaginar nesse momento ela ser afastada do seu companheiro e de seus amigos, levada para outro local, onde muitas vezes ela não tem um parente ou amigo?

Obrigada ao senhor Frederico Lasmar por ter nos dado um feedback sobre a situação no arquipélago. Segue a resposta dele, na íntegra:

"Caros leitores,

Na semana passada Fernando de Noronha viveu um momento histórico: foi apresentado o relatório com os desafios, ações, propostas, responsáveis, metas, indicadores e prazos para o Plano Noronha +20. Após três anos de estudos sobre a capacidade de carga do Arquipélago, envolvendo, entre outros, o ICMbio, a Administração do Arquipélago de Fernando de Noronha, Ministério Público Estadual, SPU, CPRH, IPHAN, Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, SECTMA, Sociedade Civil, que deu origem a esse relatório propondo o que queremos de Noronha nos próximos 20 anos. Esse estudo estabelece um ideal de gestão para alcançarmos a sustentabilidade em Fernando de Noronha. Ele indica, por exemplo, que a ilha está em seu limite populacional, e que a meta é manter esse nível ou restringir se não criarmos um modelo sustentável de vida nos próximos anos. No raciocínio lógico este seria a premissa maior para nossa orientação: reduzir. A maternidade e o centro cirúrgico foram desativados em 2003 pela Secretaria Estadual de Saúde. Entendemos a importância e a necessidade de reativar a estrutura da sala de parto e do centro cirúrgico. Estamos discutindo com a Secretaria Estadual de Saúde a reforma física do espaço para que possamos cumprir a meta do Plano de Saúde. Nascer em Fernando de Noronha significa também uma equipe médica permanente no arquipélago, um banco de sangue, equipamentos específicos e outras demandas (que significa aumento de carga para a Ilha). Tendo em vista as dificuldades inerentes e ao local remoto e de difícil acesso, enquanto não tivermos a certeza de oferecer parto de qualidade e com segurança, as gestantes farão o pré-natal até o 7º mês na ilha e serão encaminhados para conclusão do pré-natal e parto em unidades de referência no continente, sempre com o acompanhamento de nossa equipe. Quero salientar que nascer ou não em Fernando de Noronha é na realidade uma premissa menor, a questão fundamental identificado nesse estudo é aumentar ou reduzir a carga que Fernando de Noronha suporta, e é isso que vai pautar nossas decisões como gestores da coisa pública a partir desse momento histórico para nosso Arquipélago. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

Atenciosamente

Frederico de Alencar Lasmar
Gestor do Sistema de Comunicação do Arquipélago de Fernando de Noronha"