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segunda-feira, janeiro 25, 2016

Mudamos novamente!



Faz cinco anos que vim aqui contar que íamos nos mudar de Brasília para São Paulo. Foram cinco anos de muito aprendizado, muita mudança interna, muitas novas amizades. Mas a gente precisava de um pouco mais de paz, um lugar onde as nossas crianças pudessem ter o tipo de infância que a gente quer para eles, com brincadeiras de rua, bicicleta, patins, bola, patinete e o que mais aparecer. Então resolvemos nos mudar para perto, de modo que o Gustavo não precisasse mudar de emprego. Por isso, cá estamos nós, agora em Jundiaí.

E claro que estando em outro lugar, o blog passa a ter outro enfoque em termos de divulgação de atividades regionais. Como sempre, o blog, instagram, twitter e fanpage do blog continuarão divulgando atividades interessantes de todos os lugares do país, principalmente de Brasília e São Paulo. Mas agora o enfoque principal serão as atividades daqui de Jundiaí, inclusive com novidades bem legais, como piqueniques literários, trocas de livros e parcerias. Aguardem!

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quinta-feira, março 17, 2011

Quando a gente se questiona sobre sermos quem somos

Nas últimas semanas antes de sair de Brasília eu passei por dias muito difíceis. A mudança em si, as caixas, isso foi moleza, mesmo eu tendo ficado até duas da manhã encaixotando coisas depois de trabalhar o dia todo e resolver milhares de pendências. Eu digo que foi moleza porque tudo na vida é relativo. E comparado com os outros problemas que enfrentei nessas semanas, colocar coisas dentro de caixas, fechar e empilhar é realmente moleza.

Claro que eu sabia desde o começo que teria que resolver vários problemas sozinha, já que o Gustavo já estaria em São Paulo durante esse processo. Eu sempre soube que não seria fácil, já que todas as coisas que já são complicadas de ser feitas a dois, seriam todas feitas somente por mim, que ainda estava trabalhando e cuidando de duas crianças.

Pausa

Nessa hora eu tenho que agradecer muito à minha grande amiga e chefinha, Calu. Ela me entendeu como ninguém, me deixou flexibilizar meus horários pra que eu pudesse resolver tudinho. E ainda me deu tempo de desencaixotar minhas coisas aqui em Sampa antes de voltar com tudo pro trabalho. E a amo, mas não é uma relação lésbica, tá? rsrs

Despausa

Enfim, uma das coisas que mais me baqueou nesses dias foi um puxão de tapete que levamos de uma pseudo advogada, que fez um acordo conosco, nós cumprimos a nossa parte, ela disse que não iria cumprir a dela e inventou um monte de desculpas. Fiquei arrasada, me sentindo idiota por ter acreditado. Porque eu sou assim, eu tenho a tendência de acreditar nas pessoas. Está enraizada em mim a crença de que eu tenho uma palavra e sempre procuro cumprir o que prometo. Eu sou tão chata com isso que raramente falo a palavra "prometo", a não ser que eu tenha plena certeza de que vou poder cumprir aquilo. E mesmo assim, mesmo sem falar a temida palavra, eu sempre me faço em mil pra cumprir os compromissos que firmo. Então tenho a tendência a acreditar que as pessoas também têm palavra, que cumprem o que falam. E fico arrasada quando alguém quebra um acordo assim, com a maior facilidade e cara de pau do mundo.

Confesso que fiquei me questionando se o meu jeito de ser estava certo. Se eu não deveria mudar e ser mais "esperta", deixar de acreditar nas pessoas. Mas assim que eu pensei nisso, logo vi que assim é que eu estava sendo idiota. Eu não vou permitir que ninguém faça com que eu me sinta mal por ser do jeito que eu sou, por estar do lado "bom" do mundo.

E conversando com minha querida amiga Lele, que também está chateada por motivos muito parecidos, chegamos à algumas conclusões. Nós não somos bobas e ingênuas não. Nós é que estamos certas de sermos como somos. Nós podemos colocar a cabeça no travesseiro todas as noites, porque temos certeza de que cumprimos nossa palavra. Nós temos é que nos orgulhar de sermos assim, de acreditarmos nas pessoas, porque mesmo que as vezes a gente caia do cavalo, sempre tem alguma vez em que fizemos a diferença pra alguém justamente por sermos do jeito que somos.

O mundo seria muito melhor se as pessoas fossem como nós somos. E além disso, nossos filhos aprendem pelo exemplo. E nem eu nem ela queremos criá-los com o exemplo de pessoas que desconfiam dos outros, que não têm palavra, que vivem sem essa abertura que temos.

Vítor está começando a aprender sobre a lei do lobinho, que diz que eles devem fazer uma boa ação todos os dias. E aprendendo que a boa ação, para ser uma verdadeira boa ação, deve beneficiar o outro e não a gente. Aí falei pra Lele: "Então não somos mais só eu e você. Já temos o Vítor. E a Isa. E daqui a pouco teremos a Alice e o Ota. Viu como já estamos nos multiplicando? :-)"

E um viva a todas as pessoas assim!!!!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Coragem? Não, sobrevivência

(Antes de começar, um parenteses. Hoje seria dia de post da dieta coletiva. Acontece que com esse furacão que está a minha vida, continua tudo na mesma: estou mantendo a alimentação light, mas não consigo fazer os exercícios. E meu peso continua exatamente o mesmo, depois que perdi aqueles 2,5 kg, não emagreci mais, nem engordei também. Então não vou entediar vocês com a falta de novidades)

Pra ilustrar o post vamos de Coragem, o cão covarde. É a minha dicotomia!
Na nossa família temos uma pessoa que trabalha conosco há muitos anos. A Rosa foi babá da minha irmã, depois passou a ser diarista 3 vezes por semana, depois só uma. Quando saí de casa ela foi trabalhar na minha também, quando meus pais se separaram ela acrescentou mais uma casa à sua lista semanal, hoje ela faz faxina na casa de todos nós, menos na minha que é muito longe pra ela, mas vem em ocasiões especiais.

Semana passada foi uma dessas ocasiões, ela veio passar roupa pra mim, que estava sem faxineira (porque a minha resolveu desaparecer. De novo). E num certo momento, a Rosa virou pra mim e falou: "Tati, você é muito corajosa de se mudar pra São Paulo. Eu não teria essa coragem". Eu pensei por uns segundos e respondi: "Não, Rosa. Não é questão de ter ou não coragem. É questão de sobrevivência".

E essa é a mais pura verdade. Ou nos mudávamos para São Paulo ou continuaríamos afundando nessa lama que se tornou nossa vida aqui. Não é preciso coragem pra fazer uma mudança como essa: é preciso fechar os olhos e meter a cara. Não estou dizendo que tem que fazer as coisas sem pensar, não é isso. Estamos com tudo bem planejado. Mas se ficar pensando demais, não faz.

Se eu estou com medo? Claro que estou com medo. Só que se eu parar pra pensar nisso, vou ficar apavorada! Então eu não me dou tempo de parar pra pensar, só planejo e faço. Ainda assim, fico me sentindo mal com algumas coisas, culpadas com outras.

Como com o Vítor, por exemplo. No começo ele não queria ir. Vai ficar longe da avó, da dinda, do avô. Reclamou que ia ficar sem os amigos (e eu: "Que amigos? Você nem tem amigos!" Ao que ele respondeu: "Os da colônia de férias" kkkkkk). Mas falei pra ele dos passeios muito legais que a gente vai poder fazer lá, falei que é pertinho da praia, muito mais perto de Juiz de Fora (casa da minha avó) e ele já está todo animado.

Mas o problema não é esse. O problema é que as coisas aconteceram todas de uma vez e fora do nosso controle. Num mundo perfeito e ideal, teríamos nos mudado em janeiro e ele já começaria o ano na nova escola. Acontece que meu mundo pode ser tudo, menos perfeito e ideal, então ele vai estudar um mês aqui e começar na nova escola. Só que temos mais um detalhe: como a escola do ano passado não tem segundo ano, ele JÁ ESTÁ começando numa nova escola. Ou seja: vai ter que se adaptar à uma nova escola duas vezes. Eu sei que ele é bem esperto e vai passar por isso numa boa. Mas e eu? E minha culpa?? rs

Isso não quer dizer que eu também não esteja animada e feliz. São coisas completamente diferentes. Meu novo trabalho é maravilhoso e instigante, o Gustavo também está animado com as possibilidades, estou recebendo MUITO apoio das amigas lá de Sampa, isso é MUITO legal.

Enfim, estou tendo que trabalhar, mais do que nunca, as minhas facetas de Onça e Gata, como falei nesse post aqui na Rede Mulher & Mãe. Batalho um bocadinho aqui, me aconchego um bocadinho ali. E assim as coisas vão acontecendo.